Descubra o Relógio Astronômico de Praga: origem, funcionamento, lendas e quando ver o show na Praça da Cidade Velha. Um símbolo vivo da história da cidade.
A cada hora, uma multidão se reúne na Praça da Cidade Velha, em Praga. As pessoas se aquietam e levantam os olhos — então surgem as figuras dos apóstolos, um esqueleto com uma ampulheta põe o mecanismo em marcha e, lá no alto, um galo canta. Tudo faz parte do espetáculo que o famoso relógio da cidade apresenta há mais de 600 anos. Não é apenas um marcador de horas; é um teatro em miniatura que pontua o tempo e insinua a história da cidade. É o tipo de cena que faz até quem passa apressado diminuir o passo.

O relógio astronômico de Praga foi instalado na prefeitura em 1410. Foi obra do relojoeiro Mikuláš de Kadaň e do professor Jan Šindel. Eles criaram não apenas um relógio, mas um mecanismo complexo que indica as posições do Sol, da Lua e do zodíaco. Mais tarde, no fim do século XV, um disco de calendário com cenas dos meses foi acrescentado. No século XIX, surgiram as figuras dos apóstolos, que se tornaram o núcleo da apresentação de hora em hora. Um feito de engenharia que ainda surpreende pela ambição.
Uma lenda conhecida afirma que seu criador foi cegado para que nunca pudesse replicar o relógio em outro lugar. Historiadores demonstraram que esse mestre nunca existiu. É daquelas histórias boas demais para ser verdade.

O relógio é composto por três partes principais. A primeira é o mostrador, que indica não só as horas, mas também o movimento do Sol e da Lua pelo céu. A segunda é o calendário, decorado com imagens dos meses. A terceira é a procissão de figuras que aparece a cada hora, das 9h às 23h.
Quando chega a hora, um esqueleto — símbolo da Morte — puxa uma corda. Nas janelinhas, os apóstolos começam a se mover. Um galo canta e o relógio bate as horas. O quadro todo dura só um minuto, e mesmo assim centenas de pessoas o acompanham todos os dias — dá para entender o porquê.

Lendas se formaram ao redor do relógio. Uma delas afirma que, se algum dia ele parar, a cidade será atingida pelo infortúnio. Houve de fato momentos assim: durante a Segunda Guerra Mundial, o relógio foi danificado e emudeceu. Após a restauração, voltou à vida e desde então vem funcionando sem interrupção.
Outra crença popular diz que os signos do zodíaco no mostrador podem revelar o caráter de uma pessoa. Nada disso foi comprovado, é claro, mas os visitantes ainda observam os símbolos com genuína curiosidade. Talvez parte do encanto esteja justamente nisso — nas leituras que cada um faz diante dos sinais.

Hoje o relógio funciona quase como há séculos. Em 2018, passou por uma restauração completa. O mecanismo está em bom estado e é cuidadosamente monitorado. Os turistas podem subir à torre da prefeitura, mirar a cidade do alto e até ver como esse relógio incomum é organizado por dentro. É uma forma de aproximar o visitante do engenho por trás do mito.
Em uma era digital em que todos carregam um smartphone, o relógio de Praga já não é necessário para dizer as horas. Tornou-se algo maior — um fragmento de história, um símbolo cultural onde ciência, arte e lenda se encontram. E, a cada hora, quando os apóstolos retornam às janelas, fica o lembrete discreto de que o antigo pode seguir vívido e irresistível.