Descubra o Telhado Dourado de Innsbruck: origem sob Maximiliano I, a inscrição decifrada, esculturas travessas, o museu atual e a Golden Roof Challenge.
No coração de Innsbruck, emoldurado por fachadas históricas e cristas de montanhas, uma estrutura chama a atenção ao sol — o Telhado Dourado. É impossível não reconhecê-lo: sua cobertura é revestida por milhares de telhas de cobre douradas. Mais do que um ímã para turistas, ele guarda um emaranhado de histórias, mitos e até um pouco de travessura. Eis como essa sacada virou emblema da cidade — e o que ainda prefere manter em segredo.
No fim do século XV, o imperador Maximiliano I quis uma sacada elegante de onde pudesse assistir a apresentações de rua e torneios de justa. Assim nasceu o Telhado Dourado — uma projeção arquitetônica ricamente decorada, revestida por telhas de cobre douradas.
Trabalharam no projeto o arquiteto local Nikolaus Turing e o artista Jörg Kölderer. A fachada recebeu imagens do imperador, de suas esposas e de símbolos caros à dinastia.
Sob a sacada, há uma inscrição misteriosa, escrita com sinais pouco usuais. Ela permaneceu um enigma por mais de 500 anos, até que, em 2020, o entusiasta Erhard Maroschek a decifrou. Mostrou que ela soletra, em latim, ego sum lux mundi — uma passagem bíblica segundo a qual quem a profere se apresenta como a luz do mundo.
Predomina a ideia de que o imperador usou essa frase para sublinhar sua estatura e se apresentar como fonte de esclarecimento. Por muito tempo, a inscrição confundiu até especialistas, porque o grafismo combina alfabetos diferentes, incluindo o latino, o grego e o hebraico.
Um conto popular na cidade atribui o Telhado Dourado ao duque Frederico IV, conhecido como o de bolsos vazios. Diz a história que, para provar que não era pobre, ele teria revestido o telhado de ouro.
Os historiadores insistem que isso não procede. A construção começou mais tarde, já sob o imperador Maximiliano. Estudos da madeira utilizada na sacada também confirmam que o duque nada teve a ver com a obra.
Olhe com atenção para a fachada e surgem pequenas esculturas que, digamos, não são exatamente pudicas. Algumas mostram a língua, outras escancaram as nádegas, e há quem faça gestos estranhos. A interpretação mais difundida é que os artesãos incluíram essas travessuras como um protesto silencioso, depois de receberem menos do que o combinado.
Discretos como são, esses detalhes animam a fachada e lhe dão um tom humano. Neles se respira o espírito da época — com uma pitada de irreverência.
Hoje, o Telhado Dourado abriga um museu onde o visitante conhece mais sobre Maximiliano e vê objetos históricos e fotografias. O interior recebe exposições, e ali funciona também o escritório da Convenção Alpina internacional.
Mas a vida do edifício vai além das paredes do museu. Todos os anos, diante dele, a Golden Roof Challenge leva o atletismo ao centro histórico com provas de salto com vara e salto em distância. Em 2024, o torneio celebrou seu 20º ano, e em 2025 foi realizado pela 21ª vez. Atletas de todo o mundo competem tendo o dourado como cenário, e o espetáculo invariavelmente atrai público.
Não há registros oficiais de fantasmas ligados ao Telhado Dourado, mas o lugar parece habitado pelo passado. Moradores às vezes brincam dizendo que, à noite, é possível topar com o espírito do imperador. A ideia se explica facilmente: inscrições antigas, figuras estranhas e uma história cheia de camadas criam uma atmosfera que acompanha quem passa por ali por muito tempo.