Pontes vivas de Meghalaya, Índia: raízes que sustentam séculos

Pontes vivas de Meghalaya: raízes que viram caminho
By PJeganathan - Own work, CC BY-SA 4.0, Link

Conheça as pontes vivas de Meghalaya, Índia: raízes de figueira guiadas por Khasi e Jaintia, usadas no dia a dia, candidatas a Patrimônio da UNESCO em 2025.

Em Meghalaya, na Índia, entre colinas exuberantes e rios de correnteza, existem pontes que não foram construídas — foram cultivadas. Não é figura de linguagem: são moldadas a partir de raízes vivas. E não chamam atenção só pela aparência. Moradores as cruzam todos os dias.

O que são as pontes vivas?

Essas travessias nascem das raízes da figueira-da-borracha, árvore que lança longas raízes aéreas, passíveis de ser guiadas para onde se precisa. As comunidades Khasi e Jaintia conduzem essas raízes com estruturas de bambu, geralmente para vencer um rio.

Leva 10, 20, às vezes 30 anos até que uma ponte fique realmente forte. Depois disso, pode servir por séculos, apenas ficando mais robusta. A árvore permanece viva, as raízes continuam a crescer e a estrutura ganha resistência com o tempo.

Onde ficam essas pontes?

Elas se espalham por vilarejos remotos de Meghalaya, sobretudo nas Khasi Hills e Jaintia Hills. A mais conhecida é a ponte de dois níveis em Nongriat, onde duas passagens se sobrepõem. Mais de 130 pontes do tipo já foram documentadas, e os moradores dizem que provavelmente há outras, escondidas em lugares pouco acessíveis.

Essas pontes não nasceram para turistas. São infraestrutura do dia a dia para quem vive ali, especialmente na época das monções, quando os rios transbordam e pontes convencionais costumam ser levadas pela água.

O que está acontecendo agora?

Em 2025, as autoridades estaduais apresentaram uma candidatura para incluir as pontes vivas na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Esse reconhecimento facilitaria a proteção dessas estruturas. Meghalaya também alterou leis estaduais para que esses locais possam ser oficialmente reconhecidos como patrimônio vivo.

Além disso, o estado indicou as pontes a um prêmio internacional da UNESCO de salvaguarda de tradições culturais. A intenção é reforçar que não se trata de uma raridade pitoresca, e sim de uma parte essencial da cultura e do ambiente da região.

Por que isso interessa — e importa

As pontes vivas não ferem a natureza. Ao contrário: ajudam a manter as margens dos rios e não pedem cimento, metal ou máquinas. São feitas do que já existe, com cuidado com as árvores e com a paisagem ao redor.

O saber de como “cultivar” uma ponte passa dos mais velhos aos mais jovens. Não há plantas — apenas experiência e observação atenta. É um exemplo eloquente de trabalhar com a natureza, e não contra ela, coisa rara numa era de soluções apressadas.

Ainda assim, tradições se desgastam. Muitos jovens vão para as cidades, e os praticantes mais experientes vão rareando. Por isso vale a pena reconhecer essas pontes a tempo, preservá‑las e mostrá‑las ao mundo. Elas sugerem, em silêncio, que a paciência também pode ser uma forma de infraestrutura.

O que vem a seguir?

Se a UNESCO reconhecer as pontes como patrimônio, isso ajudará a salvaguardar a tradição e a atrair apoio. Isso pode estimular o ensino mais ativo desse ofício e um interesse mais amplo por ele.

Hoje, enquanto o mundo busca formas mais sustentáveis de viver, essas pontes são mais do que uma curiosidade. Elas apontam como construir sem destruir — e como viver em compasso com a natureza.