Guia do vulcão Ijen em Java: como ver as chamas azuis, visitar a cratera e o lago ácido, dicas de segurança, melhor horário e status para turistas em 2025.
Nas montanhas do leste de Java, um espetáculo noturno beira o irreal: línguas de fogo azul intenso irrompem da cratera do vulcão Ijen. Não há truque — nenhuma miragem, nenhum refletor — apenas chama verdadeira que só se revela na escuridão.
O Ijen ergue-se entre as cidades de Banyuwangi e Bondowoso, integrando um maciço vulcânico com vários picos. A área é reconhecida como um sítio natural de importância internacional e integra a lista de geoparques da UNESCO.
Quando pensamos em vulcões, a imagem costuma ser a da lava vermelha e incandescente. O Ijen conta outra história. Aqui, não é a lava que arde, e sim gases que sobem do subsolo. Superaquecidos, inflamam-se ao contato com o ar e queimam com uma chama azul. Esse brilho só se mostra à noite; a luz do dia o apaga.
No interior da cratera repousa um lago amplo, de turquesa vibrante. A água é tão ácida que rivaliza com a de uma bateria. Mergulhar está fora de cogitação — mas a paisagem, essa, prende o olhar.
Para alcançar o ponto de observação, os visitantes seguem uma trilha demarcada montanha acima. A maioria começa por volta da meia-noite para chegar à cratera entre 2h e 3h da manhã — o período ideal para ver as chamas no auge.
A caminhada não é trivial, e a subida acontece no escuro. Máscaras ou respiradores são indispensáveis: o ar carrega gases que podem provocar tosse e ardor na garganta. Ainda assim, a recompensa fica na memória — a encosta do vulcão acesa contra a noite.
No fundo da cratera, trabalhadores locais labutam todos os dias extraindo enxofre manualmente — matéria-prima usada, por exemplo, na produção de fertilizantes. Eles atuam com proteção mínima e carregam sozinhos cargas pesadas. É um ofício perigoso e extenuante, que para muitos segue sendo a única forma de sustento.
Em 2025, o vulcão está aberto a turistas. Ele permanece ativo, mas no momento não há perigo para visitantes. Antes de ir, vale conferir fontes oficiais — trilhas às vezes são fechadas temporariamente por causa da atividade vulcânica.
O status de geoparque da UNESCO também impulsiona o ecoturismo na região: a segurança é acompanhada, e preservar a paisagem é prioridade clara.
O Ijen é um dos poucos lugares no planeta onde se pode testemunhar uma chama de um azul quase extraterrestre. Não é truque de câmera nem ilusão — é um fenômeno natural genuíno. Some-se a isso o lago ácido extraordinário e as montanhas ao redor, e a experiência ecoa muito depois da visita.
As chamas azuis não ardem o tempo todo, não surgem sob encomenda e ficam invisíveis à luz do dia. Mas, chegando na hora certa, a cena é daquelas que não se esquecem.