Fasnacht de Appenzell: tradição, máscaras e sinos no inverno suíço

Fasnacht em Appenzell: carnaval suíço autêntico e sereno
By Armineaghayan - Own work, CC BY-SA 4.0, Link

Descubra a Fasnacht em Appenzell: um carnaval suíço intimista, com Botzerössli, máscaras esculpidas, sinos e Guggenmusik. Datas e espírito para ver de perto.

Num dos cantos mais pitorescos da Suíça — a região de Appenzell —, uma celebração de inverno pouco comum regressa todos os anos. Chama-se Fasnacht. É um carnaval, mas não daquele que logo nos vem à cabeça. Não há espetáculos estridentes, multidões ruidosas nem fogos de artifício. Em vez disso, entram em cena a neve, máscaras de madeira esculpidas, o toque de sinos e uma tradição guardada com carinho ao longo de gerações.

O que é a Fasnacht?

A Fasnacht é um festival suíço antiquíssimo realizado antes do início da Quaresma. Dá para compará-la à Maslenitsa ou a outros carnavais, mas em Appenzell tudo se desenrola do seu próprio jeito — com discrição, beleza e profundo respeito ao costume.

Enquanto a Fasnacht de Basileia é um grande espetáculo urbano, a de Appenzell mantém-se uma celebração local que preserva o aconchego e o ambiente de família. Aqui, tudo acontece para quem vive por perto — e para quem procura captar o espírito genuíno da Suíça, em vez de acumular instantâneos.

Como começa?

O primeiro momento-chave é o Ommetrommere, quando, na véspera da Quinta-Feira Suja — a última quinta antes da Quaresma —, os tocadores de tambor atravessam a praça central. Eles ditam o ritmo e sinalizam que as festividades estão prestes a começar.

No sábado chega o dia principal, o Faschnedsamstig, quando a vila inteira desperta. As pessoas vestem máscaras e fantasias e tomam as ruas.

Cavalinhos e o tilintar dos sinos

A imagem mais reconhecível do carnaval de Appenzell é o Botzerössli. São figuras de cavalo em madeira presas à cintura, de modo que os intérpretes parecem cavalgar pelas ruas. Tambores e o brilho sonoro dos sinos acompanham o cortejo e espalham a música pela cidade.

Crianças e adultos preparam as fantasias com antecedência e treinam os movimentos para que tudo pareça afinado e sincronizado. Não é apenas entretenimento — é um pedaço vivo da cultura local.

Música, máscaras e um clima único

A música toma as ruas na voz do conjunto de metais local conhecido como Guggenmusik. O timbre é tão próprio que, depois de ouvi-lo uma vez, fica impossível não reconhecê-lo.

E aí vêm as máscaras. Não são como as dos carnavais brasileiros: podem ser entalhadas ou de tecido, muitas vezes em cores sóbrias. Podem soar inquietantes, cômicas ou simplesmente curiosas — cada uma carrega a sua história.

Os sinos são parte essencial do traje. Presos ao cinto ou ao chapéu, soam a cada passo, criando uma paisagem sonora que não é barulhenta, mas pulsa vida.

Por que aqui a experiência é diferente

Appenzell não é uma grande cidade, e sim um recanto alpino acolhedor. Neve, silêncio e montanhas emolduram o festival, e esse cenário muda a experiência. A sensação deixa de ser a de espectador e passa a ser a de participar de algo autêntico.

Parece cena de livro ilustrado: neve branca, trajes tradicionais, o tinir dos sinos e uma alegria que não posa para a foto, simplesmente se mostra sincera.

Quem torna tudo possível?

O festival é preparado pelos moradores. Um dos principais organizadores é o Fasnachtsverein Appenzell, clube que coordena o calendário, os cortejos e o espírito geral da festa. Eles divulgam datas, percursos e informações para quem quiser participar ou apenas assistir.

Em 2026, a celebração volta em fevereiro. As datas e o programa atual já estão disponíveis no site do clube.

Se quiser ver de perto

Se planeja ir, chegue de coração aberto. Não é preciso participar; basta estar lá, ouvir a batida dos tambores e sentir o calor de uma tradição local. Não é um festival para riscar da lista ou abastecer o feed: trata-se de pessoas, de história e de inverno — que em Appenzell tem um som muito próprio. Difícil sair indiferente.