Em Aktau, no Cazaquistão, um farol no topo de um prédio residencial funciona desde 1974. Veja sua história, alcance de luz e por que virou símbolo da cidade.
Se ao pensar em faróis você imagina torres agarradas a penhascos ou plantadas à beira-d’água, Aktau desfaz esse clichê. Na cidade da costa do Cáspio, no Cazaquistão, um farol de verdade foi instalado no topo de um prédio residencial comum — gente mora embaixo, e lá em cima a luz guia navegantes.
No 4º microdistrito de Aktau, sobre o edifício nº 9, funciona desde 1974 um farol plenamente operacional. Ele lança seu feixe sobre o mar e ajuda embarcações a se orientarem. A estrutura é uma torre de 10 metros assentada diretamente no telhado. Somada ao prédio, atinge 73 metros acima do nível do mar — altura suficiente para a luz alcançar longe.
A luz branca é visível a até 38 quilômetros; a vermelha, a até 29. Não é monumento nem adorno: é auxílio real à navegação.
A ideia pode soar estranha hoje, mas nos anos 1970 fazia todo sentido. A cidade crescia depressa, o terreno ao redor era plano e o porto precisava de um farol com urgência. Levantar uma torre isolada levaria mais tempo e custaria mais do que aproveitar uma estrutura pronta. A solução veio direta: instalar a baliza no telhado de um novo bloco residencial. Funcional e certeira.
À época, a cidade se chamava Shevchenko — homenagem ao poeta ucraniano Taras Shevchenko, que cumpriu exílio por aquelas bandas. Aktau se expandia a ritmo acelerado, e soluções pouco convencionais faziam parte do planejamento cotidiano.
Com o tempo, as embarcações passaram a usar GPS e outras tecnologias, e o farol perdeu protagonismo. Foi desligado. A torre ficou no telhado, mas o feixe se apagou.
Recentemente, às vésperas da temporada turística, ele voltou à ativa. A lâmpada foi trocada e o equipamento recebeu proteção contra poeira, ferrugem e impactos. Agora, a cada entardecer, o raio reaparece sobre os telhados — um aceno ao passado e um sinal discreto de que a cidade preserva sua história.
Faróis em prédios residenciais quase não existem no mundo, e por isso a baliza de Aktau virou lenda urbana de verdade. Não é peça de museu nem cenário: é uma instalação de trabalho. Enquanto isso, o prédio em si é corriqueiro — escadas, varandas, moradores seguindo a rotina.
O acesso ao farol é fechado — trata-se de uma área protegida. Mas ele é fácil de avistar de vários pontos: do calçadão à beira-mar e dos pátios vizinhos. Com o tempo, virou símbolo de Aktau, um talismã que deixa a cidade imediatamente reconhecível.
Um farol no telhado é mais que curiosidade. Mostra como o espaço urbano pode ganhar novas funções quando entra em cena um pouco de imaginação. É uma história de praticidade, engenho e respeito às raízes locais.
E, embora os navios talvez não dependam mais dele como antes, o farol continua sendo um marco — menos no mar, mais na memória. Nele, há um pedaço do caráter de Aktau, aquele que segue surpreendendo sem fazer esforço.