Como o mundo celebra o Ano-Novo: costumes por país

Ano-Novo pelo mundo: tradições e rituais imperdíveis
© A. Krivonosov

Explore tradições de Ano-Novo em EUA, Brasil, México, África do Sul, Etiópia, Austrália, Nova Zelândia, Rússia e Estónia — rituais, símbolos e dicas culturais.

A véspera de Ano-Novo é quando pessoas em todo o mundo se despedem do que passou e recebem um futuro cheio de esperança e planos. O sentido é universal, mas as formas de celebrar não poderiam ser mais diferentes. Cada país acrescenta o seu tempero — rituais, símbolos e hábitos que refletem história e vida cotidiana. O resultado é uma festa que soa familiar e, ao mesmo tempo, deliciosamente diversa, dependendo de onde se esteja.

Estados Unidos

bola, pessoas, arranha-céus, estrutura

Em todo o país, o Ano-Novo é grandioso e luminoso — uma mistura de festas em casa, encontros em família e grandes celebrações públicas. Paira no ar a sensação de recomeço e uma confiança discreta em dias melhores.

Poucas imagens sintetizam tanto a data quanto a queda da bola de cristal na Times Square, em Nova York. Centenas de milhares se reúnem para ver a esfera brilhante deslizar pelo mastro no último minuto antes da meia-noite — tradição de 1907 que virou sinônimo do Ano-Novo americano. A descida se casa com a contagem regressiva, fogos, chuva de confetes e uma energia de multidão inconfundível.

À meia-noite, pelo país inteiro, todos contam os segundos finais em coro. Sinos tocam, fogos iluminam o céu e as pessoas se cumprimentam desejando um feliz ano.

Também há o beijo da meia-noite — visto como promessa de boa sorte e laços mais fortes no que vem pela frente.

Champanhe é presença obrigatória, normalmente aberta no instante da virada para brindar o momento.

Grandes cidades — de Las Vegas a Chicago e São Francisco — promovem espetáculos de fogos que atraem multidões. Na manhã de 1º de janeiro, muitos lugares realizam desfiles festivos, com destaque para o Desfile das Rosas, em Pasadena, famoso por seus carros alegóricos cobertos de flores.

Os americanos apreciam a ideia de virar a página; por isso, resoluções fazem parte do ritual — metas de saúde, carreira, relações ou crescimento pessoal. Mesmo quando não duram, o simples ato de traçá-las empurra o pensamento para a frente.

Em alguns lugares, como Seattle e Nova York, o ano começa com o chamado “mergulho polar”: um banho em água gelada para simbolizar renovação — um choque literal para dar a partida.

Brasil

palmeiras, pessoas, praia

No Brasil, o Réveillon se desenrola como uma faixa luminosa de música, movimento e emoção. É uma celebração de renovação e gratidão, feita para noites quentes e horizontes à beira-mar.

A Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, é o palco clássico. Milhões se reúnem para um show de fogos de cerca de 15 minutos, tingindo o mar e a cidade de cores. Música ao vivo, samba e apresentações mantêm a vibração em alta.

Vestir branco é tradição central, ligada a crenças afro-brasileiras e à deusa do mar, Iemanjá. A cor é vista como bênção, um chamado à sorte, à harmonia e à paz.

Ao longo da costa, muitos fazem oferendas a Iemanjá — flores, velas, frutas ou barquinhos deixados na água em busca de sua proteção. Se as ondas levam os presentes, considera-se um bom sinal.

Há ainda o ritual de pular sete ondas, cada salto associado a um pedido para o ano que começa.

Em grandes cidades como São Paulo, Salvador e Brasília, festas públicas tomam as ruas. Fogos de artifício não faltam.

México

mesa, balões, festão, pessoas

O Año Nuevo mexicano combina alegria e simbolismo. É tempo de agradecer pelo que passou, alimentar a esperança e dar uma mãozinha para que os desejos criem raiz — mesclando herança espanhola, costumes locais e antigas superstições.

Como na Espanha, comem-se 12 uvas no compasso das badaladas da meia-noite, uma para cada mês e para cada pedido.

A cor tem importância, inclusive no que se veste:

Vermelho para amor e paixão.

Amarelo para riqueza e sorte financeira.

Verde para saúde.

Branco para paz e harmonia.

Há quem escolha até a cor da roupa íntima para combinar com o ano desejado.

Se a meta é viajar, vale o ritual da mala: à meia-noite, dar uma volta pela casa com uma bagagem, convidando as jornadas que virão.

As casas são limpas nos dias anteriores, e, à noite, muita gente varre como forma simbólica de expulsar a má sorte do ano que termina — às vezes levando o pó para fora, para deixá-lo para trás de vez.

As mesas festivas brilham com velas de diferentes cores — vermelho para amor, verde para dinheiro, branco para paz, amarelo para saúde — acesas na virada para acompanhar orações ou desejos silenciosos.

Alguns seguram moedas na mão quando o novo ano chega, para atrair prosperidade. Outros mergulham um anel de ouro na taça de champanhe como promessa de abundância.

As comemorações se espalham tanto pelas casas quanto pelas ruas, com música, dança e enfeites noite adentro.

O dia 1º de janeiro costuma ser sereno — visitas em família e tempo na igreja para agradecer e pedir bênçãos.

África do Sul

pessoas, instrumentos

Na África do Sul, o Ano-Novo é vibrante, colorido e ao ar livre — movido por música, dança e uma colcha de tradições que refletem a diversidade do país.

O clima quente convida a festas em praias, parques e ruas. Cidade do Cabo, Joanesburgo e Durban recebem grandes eventos e festivais.

Na Cidade do Cabo, o Victoria & Alfred Waterfront é ponto preferido para shows, performances e espetáculos de luz.

Uma das tradições mais conhecidas é o desfile dos menestréis da Cidade do Cabo, o Kaapse Klopse, em 2 de janeiro. Em trajes coloridos, grupos cantam, dançam e marcham pelas ruas — celebração com raízes ligadas ao fim da escravidão que hoje simboliza alegria e liberdade.

A música conduz a noite: tambores africanos, jazz, gospel e pop preenchem o ar enquanto as pessoas dançam até altas horas.

Em algumas áreas, há um descarte simbólico do velho — gente se desfaz de objetos indesejados, às vezes até queimando-os, para deixar a negatividade para trás e receber o novo ano de cara limpa.

Etiópia

campo, flores

A Etiópia marca o novo ano de forma diferente da maioria dos países, seguindo seu próprio calendário, de raízes alexandrinas. Enkutatash cai em 11 de setembro (ou 12 em ano bissexto), quando termina a estação chuvosa — um momento que simboliza renovação e fertilidade e tem peso especial na cultura etíope.

O calendário etíope está sete a oito anos atrás do gregoriano, então o Enkutatash abre um novo ano por outra contagem. A data é associada ao retorno da Rainha de Sabá após visitar o Rei Salomão.

Ela coincide com as primeiras flores da primavera. As amarelas meskel salpicam vales e colinas, um emblema vivo de renascimento e alegria — muitas vezes presenteadas entre familiares e amigos.

Há um forte núcleo religioso: na véspera do Enkutatash, as pessoas vão à igreja para agradecer e pedir bênçãos para o ano que chega. A cerimônia da manhã reúne adultos e crianças.

As crianças têm papel central — vestidas a rigor, vão de porta em porta em grupos, cantando canções tradicionais e recebendo doces, dinheiro ou pequenos presentes em troca. É um parente distante da cantoria natalina, com assinatura etíope.

As famílias se reúnem com música, dança e mesa farta. Danças tradicionais, como a de ombros chamada eskista, reforçam a sensação de aconchego coletivo.

Em algumas regiões, as casas são renovadas e decoradas com flores antes da data — um jeito discreto de dar as boas-vindas ao novo.

Austrália

fogos de artifício

Na Austrália, o Ano-Novo chega com o ar do verão — celebrado ao ar livre em praias, parques e orlas. O clima é descontraído, sociável e amigo do espetáculo.

Os fogos de Sydney são a atração principal. O show no porto, com a Harbour Bridge e a Opera House ao fundo, está entre os mais elaborados do mundo. Milhares ocupam a orla e as áreas verdes para assistir.

São dois espetáculos: um, às 21h, voltado às famílias; o outro, na virada, acompanhado por milhões nas telas ao redor do país.

As praias são ponto de encontro natural — Bondi, em Sydney, e St Kilda, em Melbourne, viram polos de festa com piqueniques, churrascos, brincadeiras e dança.

O churrasco ganha destaque: carnes, frutos do mar (especialmente camarões), salsichas e legumes vão à grelha, enquanto famílias e amigos esticam a noite.

Festivais de música fazem parte do calendário, como o multi-cidades Falls Festival, onde atrações internacionais e locais ajudam a dar o tom do ano que começa.

Muita gente segue para parques nacionais para virar o ano na natureza — em silêncio, sem pressa e longe do barulho urbano.

A contagem regressiva é um pulso coletivo, e em alguns lugares as tradições se tornam bem locais: na Tasmânia, muitos assistem aos fogos de barcos; em cidades menores, há festas de rua com música e dança.

Nova Zelândia

campo, pessoas, pipas

A Nova Zelândia recebe o novo ano em pleno verão, muitas vezes em cenários de cartão-postal. Pelo fuso horário, é um dos primeiros lugares do planeta a virar o calendário — e não raro o mundo inteiro pega carona nesse começo.

Reuniões ao ar livre são a norma: praias, parques e lagos viram salas de estar para piqueniques, churrascos e diversão na água.

Locais como a Praia de Mount Maunganui, Rotorua e o Parque Nacional de Fiordland atraem moradores e visitantes, com festas, shows e fogos colorindo a noite.

Os festivais de música estão no DNA. O Rhythm and Vines, em Gisborne — favorito ao ar livre — atrai públicos jovens e figura entre os primeiros grandes eventos de Ano-Novo. O Northern Bass, em Northland, reúne fãs de música eletrônica. Nomes conhecidos e talentos locais constroem um clima de liberdade e celebração.

Para os Māori, o ano novo tradicional, Matariki, acontece em junho com o surgimento das Plêiades. O Ano-Novo moderno também tem seu espaço, e algumas famílias incorporam elementos culturais — cantos, haka e momentos de gratidão à natureza e aos ancestrais.

Muitos escolhem campings e trilhas de vários dias para uma entrada mais lenta no ano.

Depois da noite de festa, o dia 1º tende a ser tranquilo — tempo com a família ou um simples dia de praia ao sol.

Rússia

árvore de Natal, catedral, praça, luzes

Na Rússia, o Ano-Novo é um dos feriados mais queridos — tempo de reunir, despedir-se do velho e receber o novo com um toque de encanto.

A árvore de Ano-Novo é a protagonista, enfeitada dias antes com bolas, luzes, estrela ou pináculo no topo, festões e pequenas figuras. Crianças e adultos costumam dançar ao redor, enquanto os presentes esperam debaixo dela para a meia-noite ou a manhã de 1º de janeiro.

Ded Moroz, o Avô Gelo, traz os presentes, ajudado pela neta Snegurochka. É fácil reconhecê-lo — longo casaco azul ou vermelho, botas de feltro e um bastão alto, distinto da imagem ocidental do Papai Noel.

A mesa tem peso: pratos clássicos incluem salada Olivier, arenque “de casaco”, tangerinas e champanhe.

O auge da contagem chega com os sinos do Kremlin na Torre Spasskaya, transmitidos para todo o país. Minutos antes da meia-noite, o presidente faz um pronunciamento; em seguida soam as 12 badaladas, e as pessoas fazem seus pedidos.

Depois, brindes e fogos tomam conta. Abraços e votos de felicidade, saúde e sucesso marcam a entrada no ano.

Presentes entre familiares e amigos são trocados na noite da virada ou no próprio feriado. As crianças geralmente encontram surpresas sob a árvore, cortesia de Ded Moroz.

Praças de cidades em todo o país recebem celebrações públicas com árvores, instalações de luz e esculturas de gelo — multidões dançam, brincam e assistem a mais fogos.

Segue-se um recesso de inverno até 7 de janeiro — Natal Ortodoxo — dedicado a descanso, família, atividades ao ar livre e festas populares.

Para muitos, o Ano-Novo também é hora de desejos e planos — traçar metas e apostar no recomeço.

Estónia

prédios, postes de luz, neve

Na Estónia, o Uusaasta combina passado e presente. A data é marcada em família, entre amigos ou em eventos públicos, trocando o adeus ao ano velho pela esperança no que vem.

Pela tradição, a mesa de Ano-Novo deve ter sete, nove ou doze pratos — números associados à sorte. A lógica é direta: quanto mais se come, mais força e boa fortuna se carregam para o novo ciclo. Mas os pratos não devem ser esvaziados por completo — deixar um pouco é como prometer abundância em casa.

A meia-noite é o ponto alto. Os estónios acompanham as badaladas na TV ou no rádio, e os fogos riscam o céu tanto nas cidades quanto nas aldeias.

As famílias saem para assistir ou soltam os próprios fogos — um daqueles pequenos instantes que viram memória luminosa.

Há quem acredite na magia discreta da noite, com rituais à altura:

— Fazer pedidos no primeiro toque da meia-noite, na confiança de que se cumpram.

— Derramar cera derretida em água fria e interpretar as formas como pistas do futuro.

Em alguns lugares, as pessoas vestem roupas novas ou recém-lavadas antes da virada, para saudar o ano renovadas, deixando o velho para trás.

Muitos celebram em casa, em torno de uma mesa acolhedora; depois, é comum visitar amigos ou seguir para as ruas.

Para atrair boa sorte, alguns ainda observam costumes simples:

— Abrir portas e janelas antes da meia-noite para deixar o ano velho sair e o novo entrar.

— Erguer uma taça de champanhe na virada para cumprimentar o ano como se deve.

Taline e Tartu recebem grandes celebrações públicas com concertos, dança e shows de luz. Em Taline, a Praça da Câmara Municipal é um ponto querido para ouvir as badaladas.