Destinos em risco pelo clima e turismo: como visitar e ajudar a protegê-los

Destinos icônicos em risco: viaje e ajude a preservá-los
Pierre André Leclercq, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Conheça destinos icônicos ameaçados por mudanças climáticas, erosão e turismo de massa. Veja riscos, ações de proteção e dicas de viagem sustentável para ajudar

Resorts ao redor do mundo atraem milhões com cenários dramáticos, personalidade própria e marcos que não existem em nenhum outro lugar. Ainda assim, muitos desses cartões‑postais vivem por um fio por causa do ponto em que estão no mapa. Mudanças climáticas, erosão do solo, elevação do nível do mar e pressão humana se somam e colocam em risco destinos que antes pareciam eternos.

Este artigo observa destinos cujo futuro preocupa cientistas e ambientalistas. Apresentamos as pressões que se acumulam sobre eles, as tentativas de adaptação e o que viajantes podem, de forma realista, fazer para ajudar a preservá‑los para a próxima geração. Perder esses lugares seria mais do que dar adeus a maravilhas naturais; corroeria também patrimônios culturais e históricos — uma perspectiva que já parece incômoda de tão próxima.

Ilha de Páscoa (Chile)

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Rivi, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

A Ilha de Páscoa (Rapa Nui), território chileno perdido no Pacífico Sul, é uma das ilhas mais remotas — e enigmáticas — do planeta. Seus moais monumentais, esculpidos por uma civilização ancestral, junto com paisagens vulcânicas austeras, atraem visitantes ano após ano. Essa mesma distância, porém, vem com um ecossistema frágil que deixa a ilha exposta.

Rapa Nui fica a cerca de 3.500 quilômetros da costa do Chile, cercada pelo vasto Pacífico. O isolamento moldou uma teia de vida única, com plantas e animais raros. Os moais, talhados em tufo vulcânico, são um emblema cultural e parte do patrimônio comum da humanidade.

A ilha enfrenta um conjunto de riscos que podem transformá‑la:

Erosão costeira e elevação do nível do mar: Ondas mais fortes e águas mais altas corroem o litoral, colocando estátuas e sítios arqueológicos em risco.

Mudanças climáticas: Tempestades mais frequentes e padrões climáticos em mutação ameaçam tanto a infraestrutura quanto o ambiente natural.

Poluição oceânica: Correntes trazem microplásticos e detritos que prejudicam a vida marinha no entorno.

Pressão populacional e turística: Recursos limitados sofrem com o aumento de moradores e visitantes, desgastando o ecossistema.

Perda de patrimônio cultural: Impactos naturais e humanos constantes comprometem a preservação de longo prazo dos moais.

Por que a proteção importa. Mais do que um item de lista de desejos, a Ilha de Páscoa é testemunho da engenhosidade antiga. Protegê‑la pede medidas como regular o turismo com limites de visitantes e práticas sustentáveis; reforçar trechos de costa para conter a erosão; restaurar e conservar moais e outros sítios; e investir em educação ambiental para moradores e viajantes. A meta é simples, mas urgente: reduzir a pressão agora para que o espírito da ilha perdure.

Antártida

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US Embassy New Zealand, Public domain, via Wikimedia Commons

O continente mais austral do planeta seduz viajantes com sua beleza austera — gelo imponente, campos de neve sem fim e vida marinha abundante. Para aventureiros e curiosos pela ciência, esse reino gelado cercado pelo Oceano Antártico é raridade absoluta. O aquecimento global, porém, coloca essa maravilha natural numa trajetória delicada.

A Antártida se estende pelo Polo Sul e abriga a maior camada de gelo do mundo, com cerca de 70% da água doce do planeta. Frio extremo, ventos ferozes e longas noites polares criam condições únicas — fascinantes de ver e, ao mesmo tempo, incrivelmente sensíveis.

As vulnerabilidades do continente são claras:

Derretimento de geleiras: O aumento das temperaturas acelera a perda do manto de gelo, elevando o nível do mar e alterando ecossistemas regionais.

Perda de gelo marinho: A retração da extensão do gelo desorganiza habitats de pinguins, focas e baleias.

Mudanças no ecossistema: Águas mais quentes alteram rotas de alimentação e reprodução, com risco real para a biodiversidade.

Mais turismo: Mesmo com regras rígidas, o crescimento de visitantes adiciona pressão e eleva a chance de poluição num ambiente frágil.

Exploração de recursos: Qualquer extração futura de petróleo, gás ou minerais causaria danos irreversíveis.

Por que a proteção importa. A Antártida é ao mesmo tempo um “resort” extraordinário e um regulador climático essencial. Protegê‑la significa reduzir emissões de gases de efeito estufa e avançar em energia limpa; fortalecer a conservação e manter a exploração de recursos fora de cogitação; apoiar missões científicas para decifrar mudanças rápidas; e respeitar as salvaguardas cooperativas do Tratado da Antártida. O destino do continente está ligado ao nosso — uma conexão que fica mais evidente a cada ano.

Parque Nacional do Grand Canyon (EUA)

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Islander61, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

No Arizona, o Grand Canyon é um dos grandes feitos da natureza. Esculpido pelo Rio Colorado ao longo de milhões de anos, se estende por cerca de 446 quilômetros e chega a mais de 1.800 metros de profundidade. Sua geologia em camadas e as vistas arrebatadoras atraem milhões todos os anos. Essa grandeza, porém, se ergue numa região árida, o que torna o parque especialmente vulnerável a pressões naturais e humanas.

O ecossistema do cânion depende de um equilíbrio fino. O Rio Colorado, essencial para a formação do desfiladeiro, também abastece milhões de pessoas nos Estados Unidos e no México. Em uma paisagem de água escassa, qualquer mudança se amplifica.

Ameaças principais incluem:

Mudanças climáticas: Temperaturas mais altas e menos chuva significam secas mais profundas, pressionando ecossistemas e reduzindo as vazões do Colorado.

Erosão do solo: Padrões de água alterados e atividade humana aceleram a erosão, redesenhando feições naturais.

Riscos de poluição: Mineração próxima, incluindo extração de urânio, traz riscos de contaminação de água e solo.

Turismo de massa: O grande fluxo de visitantes sobrecarrega a infraestrutura, gera mais resíduos e desgasta áreas sensíveis.

Espécies invasoras: Plantas e animais introduzidos desestabilizam o equilíbrio ecológico nativo.

Por que a proteção importa. O Grand Canyon é símbolo de beleza bruta e pilar de patrimônio cultural e ecológico. Preservá‑lo exige gestão sustentável da água do Colorado; controle mais rigoroso de visitantes e infraestrutura mais verde; limites claros à mineração nos arredores; e pesquisa contínua para monitorar a saúde do ecossistema e orientar a restauração. Num Oeste cada vez mais seco, prudência deixou de ser opcional.

Seychelles

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dronepicr, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

No Oceano Índico, a leste da África, o arquipélago das Seychelles reúne 115 ilhas famosas por praias de areia fina, águas luminosas e ecossistemas singulares. Recifes de coral, tartarugas‑gigantes e plantas raras fazem do destino um ímã para viajantes — e uma linha de frente das mudanças ambientais.

Muitas ilhas estão a poucos metros acima do nível do mar, o que as expõe de forma aguda à elevação oceânica. Tempestades tropicais e águas mais quentes adicionam estresse a uma região em que as defesas naturais precisam trabalhar no limite.

As pressões principais são claras:

Elevação do nível do mar: O aquecimento global empurra as águas para cima, ameaçando infraestrutura e ecossistemas nas ilhas baixas.

Branqueamento de corais: Mares mais quentes matam recifes que protegem a costa e sustentam alta biodiversidade.

Erosão costeira: A ação persistente das ondas e as tempestades devoram praias e habitats.

Pressão do turismo: A expansão de estruturas traz poluição e impactos mais pesados sobre a natureza.

Ameaças a espécies raras: A mudança de habitats põe em risco fauna emblemática, de tartarugas‑gigantes a aves escassas.

Por que a proteção importa. As Seychelles são refúgio cobiçado e um ponto vital de biodiversidade oceânica. Prioridades incluem defender o litoral com barreiras artificiais e manguezais restaurados; enfrentar a mudança do clima com cortes de emissões; incorporar sustentabilidade em todo o setor turístico; reabilitar e proteger recifes com novas técnicas; e ampliar a conscientização local. O retorno é prático e também poético: costas e comunidades mais resilientes.

Machu Picchu (Peru)

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Diego Delso, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

No alto dos Andes peruanos, Machu Picchu permanece como um dos sítios arqueológicos mais reconhecíveis do mundo. Erguida no século XV pelos incas, a cidadela combina terraços, templos e vistas montanhosas que ficam na memória. O mesmo cenário dramático, no entanto, a deixa exposta a riscos naturais e humanos.

Situada cerca de 2.430 metros acima do nível do mar, em encostas íngremes próximas ao Rio Urubamba, a cidade se integra à paisagem com precisão assombrosa. Essa geografia, porém, carrega perigos.

As principais preocupações:

Deslizamentos e erosão: Declives acentuados e alta umidade desestabilizam o solo, ameaçando terraços e edificações.

Turismo de massa: Centenas de milhares de pessoas visitam a cada ano, sobrecarregando a infraestrutura, acelerando o desgaste e ampliando riscos à conservação.

Mudanças climáticas: Eventos extremos — chuvas intensas e tempestades — aceleram a erosão e colocam as estruturas em risco.

Atividade sísmica: Em uma zona sujeita a terremotos, abalos podem causar danos graves.

Pressão de infraestrutura: Novas estradas e ferrovias trazem impactos adicionais à paisagem e ao monumento.

Por que a proteção importa. Tombado pela UNESCO, Machu Picchu é central para o patrimônio do Peru. Salvaguardá‑lo passa por limitar o número de visitantes e apostar no turismo de baixo impacto; estabilizar encostas e restaurar terraços; criar sistemas de alerta precoce para sismos e deslizamentos; apoiar pesquisas que orientem a proteção de longo prazo; e educar moradores e visitantes. A permanência do sítio depende de limites bem definidos — uma troca que a maioria aceita ao entender o que está em jogo.

Kilimanjaro (Tanzânia)

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Antony Trivet, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A montanha mais alta da África se ergue das planícies da Tanzânia com um cume nevado que cativa caminhantes e amantes da natureza no mundo todo. A 5.895 metros, as geleiras do Kilimanjaro são icônicas — e estão cada vez mais em risco.

O monte é um maciço vulcânico de três cones — Kibo, Mawenzi e Shira. Seu gelo e neve ancestrais abastecem regiões ao redor com água doce e simbolizam o coração selvagem do continente. Da floresta tropical ao deserto alpino, os ecossistemas mudam com a altitude, todos sensíveis a alterações.

Ameaças principais incluem:

Retração glacial: O aquecimento global encolhe rapidamente o gelo do Kilimanjaro. Cientistas alertam que a cobertura de neve pode desaparecer nas próximas décadas.

Mudanças nos ecossistemas: O aumento da temperatura ameaça a biodiversidade, incluindo espécies endêmicas de plantas e animais.

Perda de florestas: O desmatamento para agricultura no entorno desorganiza ciclos de água e acelera a erosão do solo.

Pressão do turismo: Altos números de visitantes e novas estruturas adicionam pressão a um ambiente delicado.

Queda nos recursos hídricos: Com o recuo das geleiras, o abastecimento de água crucial para comunidades e para a natureza diminui.

Por que a proteção importa. O Kilimanjaro é um prodígio natural e um ativo ecológico e econômico essencial para a Tanzânia e além. As prioridades passam por cortar emissões de gases de efeito estufa; restaurar e proteger florestas; tornar mais rigorosas as regras de sustentabilidade do turismo para limitar a pressão sobre recursos; financiar pesquisas sobre a saúde das geleiras e dos ecossistemas; e ampliar a educação para moradores e visitantes. A coroa branca da montanha virou um barômetro — o que acontece aqui envia um sinal claro ao restante de nós.

Tuvalu (Oceano Pacífico)

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INABA Tomoaki, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Este pequeno país insular no Pacífico central é composto por nove atóis e ilhas com lagoas de cartão‑postal, praias brancas e tradições vivas. Também está entre as nações mais baixas do mundo, o que torna Tuvalu profundamente exposto às mudanças climáticas.

A maior parte do território fica a apenas 1–2 metros acima do nível do mar, protegida por recifes de coral que amparam as linhas de costa e sustentam o ecossistema. Isolamento e clima tropical atraem quem busca experiências de natureza, mas a geografia coloca o país diretamente na linha de fogo da natureza.

Os perigos são imediatos:

Elevação do nível do mar: À medida que os oceanos sobem, cresce o risco de inundação em todo o país.

Erosão costeira: Ondas persistentes desgastam as ilhas, reduzindo sua área terrestre.

Poluição oceânica: Detritos e microplásticos vindos de longe ameaçam recifes e vida marinha.

Perda de água potável: A intrusão salina contamina aquíferos e os torna impróprios para consumo.

Choques climáticos: Tempestades e ciclones mais frequentes danificam infraestrutura e colocam vidas em risco.

Fragilidade econômica: Recursos limitados e dependência de apoio externo dificultam a adaptação.

Por que a proteção importa. Tuvalu virou um símbolo contundente da emergência climática, lembrando que a ação não pode esperar. É preciso cumprir metas de redução de emissões; reabilitar e defender os recifes de coral; apoiar comunidades com resiliência e, quando necessário, programas de realocação; explorar soluções de engenharia protetiva, como ilhas artificiais e barreiras contra inundações; e promover um turismo de baixo impacto que ajude a financiar a conservação. Para um país medido em metros, cada centímetro de mar conta — e também cada decisão tomada longe de suas praias.