Quem são os Urak Lawoi e como o turismo impacta Ko Lipe

Urak Lawoi: os nômades do mar de Ko Lipe, Tailândia
By Diego Delso, CC BY-SA 3.0, Link

Descubra os Urak Lawoi, nômades do mar da Tailândia em Ko Lipe: língua em risco, tradições, impacto do turismo e iniciativas para preservar essa cultura única.

Na ponta distante da Tailândia, em meio às águas mornas do mar de Andamão, vive um povo cujo modo de vida permanece singular há gerações. São os Urak Lawoi, frequentemente chamados de nômades do mar. Eles não percorrem o continente: suas rotas são o mar aberto, e seus lares ficam nas ilhas e nos barcos.

Quem são os Urak Lawoi

casa, mar, montanha

Essas comunidades vivem no sul da Tailândia, inclusive em Ko Lipe. No passado, levavam uma vida quase itinerante — mudando de lugar, pescando, coletando mariscos e vivendo do que o mar oferecia. Eles se definem como povo do mar e, mesmo agora, com tudo ao redor em transformação, a água continua sendo sua principal fonte de sustento e inspiração.

Língua e tradições

homem, barco, mar

Os Urak Lawoi têm uma língua própria, próxima do malaio. Mas cada vez menos pessoas a utilizam — sobretudo as crianças. As escolas ensinam em tailandês, e a língua materna recua aos poucos. Se isso continuar, ela pode desaparecer com o tempo.

A cultura é profunda: cantam e dançam, celebram festivais segundo seus próprios costumes e acreditam que tudo ao redor — árvores, água, vento — está vivo. Algumas aldeias hoje têm templos budistas e influências de outras religiões, mas as práticas centrais ainda giram em torno da natureza.

Quando o turismo chegou

mar, barco, pescador, pôr do sol

Ko Lipe, lar de muitos Urak Lawoi, virou um ímã para visitantes. Ganhou o apelido de Maldivas da Tailândia por suas praias marcantes e água cristalina. A prosperidade veio — e, com ela, a pressão.

Áreas de pesca antes usadas pelos moradores deram lugar a hotéis. Terras que por muito tempo pareciam suas às vezes acabam em outras mãos. Algumas famílias perdem o acesso à costa e, com isso, o ritmo de vida de sempre. É um golpe duro, porque o mar não é apenas trabalho; é parte de quem eles são.

O que vem pela frente

mar, barcos

Existem projetos que ajudam os Urak Lawoi a preservar sua cultura: escolas onde as crianças aprendem a língua materna e programas que oferecem apoio. Hoje eles ainda constroem barcos, realizam rituais antes de sair ao mar e contam aos filhos como viviam os ancestrais. Enquanto essas tradições forem transmitidas, esse povo resiste.