Locações reais de filmes e séries pelo mundo

Cenários reais: locações de filmes e séries pelo mundo
© A. Krivonosov

Descubra locações reais de filmes e séries: Nova Zelândia, Escócia, Islândia, Roma, Nova York e Tunísia. Dicas rápidas para visitar cenários icônicos.

Muitos de nós já assistimos a filmes em que paisagens arrebatadoras e cidades marcantes viram parte da história. E se for possível ir além e partir para os lugares reais onde esses clássicos foram rodados? Seguir as pegadas do cinema permite tocar a magia das filmagens e, de quebra, enxergar o mundo pelos olhos de diretores e personagens. Abaixo, alguns dos cenários mais célebres que receberam produções adoradas — e algumas pistas para transformar a viagem em uma aventura memorável.

Nova Zelândia — O Senhor dos Anéis e O Hobbit

rochas, neblina
Christian Mehlführer, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Os cenários de filmagem de O Senhor dos Anéis e O Hobbit na Nova Zelândia viraram território sagrado para fãs: a geografia exuberante do país deu vida à Terra-média de Tolkien com uma precisão que salta aos olhos.

Um dos pontos mais reconhecíveis é Hobbiton, na região de Matamata, na Ilha Norte. Erguida na Alexander Farm, a vila dos hobbits recebeu as cenas em torno das casas de Bilbo e Frodo Bolseiro. Depois de O Hobbit, os cenários foram preservados e hoje compõem uma atração completa, onde visitantes percorrem as alamedas, veem a famosa Bag End e entram na estalagem Green Dragon. Poucas portas levam tão diretamente ao fantástico.

As paisagens ásperas do Parque Nacional de Tongariro, também na Ilha Norte, representaram o terreno vulcânico de Mordor. O Monte Ngauruhoe virou o icônico Mount Doom, o lugar onde Frodo precisa destruir o Um Anel — uma imagem inseparável do drama da saga.

Perto de Queenstown, na Ilha Sul, Glenorchy e o fotogênico lago Wakatipu serviram de pano de fundo para Rohan e para os grandes campos onde batalhas épicas se desenrolam. Glenorchy também recebeu trechos da travessia montanhosa da Sociedade, e a escala da paisagem conta boa parte da história por conta própria.

Na Ilha Sul, o rio Pelorus virou cenário para a sequência das barricas em O Hobbit: A Desolação de Smaug. Seus arredores selvagens e intocados casam perfeitamente com o espírito aventureiro do filme.

Ainda na Ilha Sul, o Monte Cook, ponto mais alto do país, ajudou a retratar os confins indômitos da Terra-média, incluindo regiões como Rohan e o Anduin. Fiordland, com seus lagos alpinos e cascatas, sustentou a beleza etérea de Lothlórien e outros domínios encantados. Há lugares que já nascem cinematográficos — este é um deles.

Em resumo, a variedade neozelandesa — de montanhas a florestas e rios — permite ao viajante entrar de corpo inteiro no feitiço da Terra-média.

Escócia — Harry Potter

castelo, montanhas, água
© Guillaume Piolle

A Escócia teve papel decisivo na construção do mundo bruxo nas telas. Seus cenários dramáticos emolduram alguns dos visuais mais lembrados da série. O destaque é o viaduto de Glenfinnan, imediatamente reconhecível como a rota do Expresso de Hogwarts.

Essa ponte ferroviária graciosa, nas Terras Altas escocesas, virou um símbolo de toda a franquia. É a linha que leva Harry e os amigos à escola — e o trecho em que o carro voador persegue o trem no segundo ano.

O viaduto de 21 arcos cruza um vale próximo às águas cênicas do Loch Shiel. Hoje é imã para visitantes, muitos deles a bordo do trem a vapor Jacobite, que percorre o trajeto do Expresso de Hogwarts. A experiência dá corpo à fantasia sem esforço.

O Loch Shiel, perto do viaduto, também aparece quando o trem avança com montanhas sombrias ao fundo. O espelho d’água reforça o encanto do lugar.

Embora a maioria das externas de Hogwarts tenha sido filmada na Inglaterra, castelos e paisagens escocesas influenciaram o visual da escola. As vistas do castelo beberam da arquitetura escocesa e das cadeias de montanhas do país, que acrescentam imponência e mistério.

Glen Coe é outro cenário crucial, visto em O Prisioneiro de Azkaban como a moldura rochosa ao redor da cabana de Hagrid e dos terrenos de Hogwarts. As montanhas ali capturam a mistura de isolamento e maravilha que a história pede. Para muitos fãs, estar nesses lugares transforma a nostalgia em presença.

Islândia — Game of Thrones

colinas, rio, montanhas, rochas
Diego Delso, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A Islândia virou um alicerce de Game of Thrones: sua beleza austera evocou o mistério e a dureza do Norte de Westeros. Geleiras, vulcões, campos de lava e cachoeiras serviram de cenário natural para as tramas além da Muralha e nas terras do Povo Livre.

O Parque Nacional de Thingvellir — antigo ponto de reunião do parlamento islandês — recebeu muitas sequências de jornadas perigosas além da Muralha. Em especial, o desfiladeiro de Almannagjá substituiu as passagens traiçoeiras usadas pelo Povo Livre e pela Patrulha da Noite. As linhas glaciais e as formações rochosas do parque combinam com o tom áspero da série.

Vatnajökull, uma das maiores geleiras da Europa, aparece nas cenas além da Muralha, sobretudo nas expedições da Patrulha da Noite. Seu gelo sem fim e o clima severo traduzem a natureza implacável do Norte, peça-chave nas trajetórias de Jon Snow, do Povo Livre e dos Caminhantes Brancos.

Os campos de lava de Dimmuborgir, com formas vulcânicas singulares, definiram o tom dos acampamentos do Povo Livre, inclusive nas cenas com Mance Rayder depois que Jon Snow se junta a eles. As falésias irregulares emprestam à paisagem uma energia quase de outro mundo.

Grjótagjá — uma pequena caverna de lava com fontes termais perto do lago Mývatn — foi palco de um dos momentos mais íntimos entre Jon Snow e Ygritte. O ambiente fechado e fumegante tem uma presença cinematográfica difícil de reproduzir.

O lago Mývatn e seus arredores, com campos de lava e crateras vulcânicas, aparecem em diversas sequências ao norte da Muralha. As paisagens geladas e pouco povoadas ampliam o senso de perigo que cerca a Patrulha e o Povo Livre.

Goðafoss — uma das cachoeiras mais belas do país — também marca presença. Não está no centro dos grandes acontecimentos, mas sua escala contribui para a grandiosidade do Norte.

Outro ponto emblemático é a geleira Mýrdalsjökull, onde a Patrulha da Noite enfrenta Caminhantes Brancos e o Povo Livre em grandes cenas de sobrevivência. Aqui, a própria paisagem conduz a ação.

Não é por acaso que os criadores escolheram a Islândia: suas geleiras, vulcões, campos de lava e águas termais espelham o clima bruto e a natureza indomada do Norte. Fãs vão para ficar onde Jon Snow e a Patrulha um dia estiveram — e encaram cenários que ficam na memória muito depois dos créditos.

Itália, Roma — Gladiador

Coliseu
Livioandronico2013, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Gladiador (2000), de Ridley Scott, centrado em Roma e nos eventos do antigo império, foi filmado em vários cenários impressionantes na Itália. São lugares de peso histórico e beleza natural, o que ajudou o filme a captar a escala e a atmosfera da época.

Algumas das cenas mais comoventes — as memórias de lar de Máximo — foram rodadas nas colinas ondulantes do Val d’Orcia, na Toscana. As estradas ladeadas por ciprestes e os campos verdes encarnam o refúgio pacífico ao qual ele deseja voltar.

Scott escolheu o Val d’Orcia pela luz inesquecível e pela serenidade — um contrapeso suave à brutalidade da arena e às intrigas da Roma imperial. Aqueles horizontes viraram atalho visual para a vida que Máximo perdeu.

Embora as sequências no Coliseu tenham sido majoritariamente construídas em cenários e CGI, a inspiração foi, claro, o verdadeiro Coliseu de Roma. A equipe mergulhou em fontes históricas e na arquitetura para recriar uma arena convincente e imponente para os duelos centrais.

Uma seção em escala do Coliseu foi construída no Marrocos, com os efeitos digitais fazendo a maior parte do trabalho. Ainda assim, o monumento real permanece um símbolo definidor do mundo antigo e um eixo visual da identidade do filme.

Ainda que muitas cenas tenham sido feitas em sets, as ruínas e antiguidades de Roma moldaram fortemente o design de produção. Fóruns e vilas inspiraram interiores e ruas, enquanto os marcos da cidade serviram de pano de fundo para explorar tanto o poder quanto a crueldade do império. Fica claro como a locação pode ser coautora do tom.

Vale notar também que uma parte significativa de Gladiador foi filmada em Malta, onde grandes cenários para o fórum romano e arenas foram erguidos. Com sua arquitetura característica e sítios antigos, Malta deu solidez à visão de Roma do filme.

Quem visita esses lugares absorve a aura da Antiguidade enquanto aprecia as paisagens e a arquitetura que emolduraram um dos épicos mais marcantes do começo dos anos 2000.

EUA, Nova York — Os Vingadores

pessoas, arranha-céus, painéis luminosos
Terabass, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Os Vingadores (2012), o primeiro grande crossover do MCU, encena muitos de seus momentos emblemáticos por Nova York. A metrópole não é apenas pano de fundo — é o coração pulsante da ação, onde super-heróis colidem com ameaças globais.

Um dos cenários mais icônicos do filme é o Grand Central Terminal, no cruzamento da 42nd Street com a Fifth Avenue. Esse importante eixo de transporte e marco arquitetônico vira o epicentro da batalha final contra os Chitauri depois que Loki abre o portal. Parte foi filmada in loco, com a destruição criada por efeitos visuais.

A Times Square, um dos cartões-postais mais reconhecíveis da cidade, também aparece. Seus telões e o horizonte denso amplificam a urgência — mesmo sem uma luta central ali, a praça sintetiza a energia nova-iorquina.

O Battery Park, na ponta sul de Manhattan, emoldura momentos em que os heróis dimensionam a ameaça que se aproxima. Vislumbres do porto e da Estátua da Liberdade lembram o que os Vingadores estão protegendo.

A Stark Tower — casa e quartel-general de Tony Stark — é fictícia, mas sua localização na tela corresponde ao real MetLife Building, perto do Grand Central. No filme, Loki usa a torre para abrir o portal da invasão; o CGI transformou a estrutura com toques futuristas, enquanto o edifício de verdade segue como um marco de Nova York.

Para a Marvel, Nova York é mais que cenário. É o emblema urbano do universo, lar de incontáveis personagens, de Homem-Aranha a Homem de Ferro. Em Os Vingadores, a cidade vira o epicentro de uma crise global — e a câmera nos convida a enxergá-la do ponto de vista de um super-herói.

Tunísia — Star Wars

deserto, palmeiras, casas
Ahmedhamouda, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Star Wars virou um marco cultural, e a Tunísia é um de seus palcos reais essenciais. Os desertos do país representaram Tatooine, lar de Luke Skywalker e Anakin Skywalker. Até hoje, fãs caminham pela areia onde a saga começou.

Talvez o ponto mais famoso seja Ong Jemel, perto de Tozeur, onde foram erguidos os cenários da casa de Luke em A New Hope (1977). Muitas estruturas permaneceram, formando uma Tatooine tangível que os visitantes podem explorar — de moradias a fachadas exóticas.

A aldeia de Matmata forneceu os interiores da casa da família Skywalker. Suas moradias trogloditas — tradicionais casas subterrâneas — foram usadas nas cenas em que Luke vive com o tio Owen e a tia Beru. Esses pátios afundados e salas em caverna continuam acessíveis e preservam a mesma aparência das filmagens.

Djerba também teve papel importante, recebendo sequências ligadas a Mos Eisley — o porto espacial onde Luke e Obi-Wan conhecem Han Solo e Chewbacca na cantina. Construções usadas no filme permanecem, permitindo que fãs percorram os primeiros passos da saga sob um prisma nitidamente tunisiano.

O nome Tatooine foi inspirado na cidade de Tataouine. Embora nenhuma cena tenha sido gravada ali, a associação com as paisagens desérticas e a arquitetura singular inseriu o lugar no mito de Star Wars.

Os grandes panoramas de deserto de Tatooine foram captados nos arredores de Chott el Jerid, um vasto lago salgado a sudoeste de Tozeur. O local se mostrou ideal para tomadas amplas de dunas e horizontes vazios — especialmente no momento do pôr do sol duplo que acompanha o desejo de aventura de Luke.

Com o tempo, vento e areia desgastaram alguns cenários. Nos últimos anos, porém, cresceu o esforço para preservá-los, com fãs organizando iniciativas para manter esses lugares no futuro. É uma homenagem à altura de um mundo que nasceu nas dunas e continua vivo na imaginação.