Descubra festivais imperdíveis do mundo, de julho a dezembro: San Fermín, Tomatina, Edimburgo, Oktoberfest, Diwali e mais, com dicas práticas de viagem.
Feriados e festas não são só uma desculpa para desacelerar: são um atalho direto para a cultura e a tradição. Cada celebração — seja uma explosão de cores, um festival tumultuado ou um rito antigo — abre uma janela para costumes locais, raízes históricas e crenças. Viajar durante grandes festejos tira você da arquibancada: de repente, a cidade inteira vira palco, e às vezes o país também.
Este guia de festividades pelo mundo aponta os eventos mais vívidos e significativos do planeta. Do lendário carnaval do Rio ao Dia dos Mortos no México, dos aconchegantes mercados de Natal europeus ao explosivo Holi na Índia — são experiências para quem busca jornada com tempero. Aqui você encontra sugestões de como se preparar, o que levar e como fazer cada viagem render ainda mais. A primeira parte deste artigo está disponível no site Turistas.

O Festival de San Fermín (Pamplona, Espanha) é uma das celebrações mais famosas e coloridas do país, realizado todos os anos de 6 a 14 de julho em honra ao padroeiro da cidade, São Fermín. Seu cartão‑de‑visitas é o eletrizante encierro — a corrida de touros pelas ruas estreitas — que atrai espectadores e participantes do mundo todo. Tradição, devoção, festa e uma dose de perigo se encontram aqui de um jeito que poucos eventos conseguem igualar.
O encierro acontece todas as manhãs, às 8h, de 7 a 14 de julho. Os corredores largam na rua Santo Domingo e percorrem cerca de 850 metros pelo centro histórico até a praça de touros, mantendo o ritmo à frente da manada e evitando choques. É arriscado e empolgante na mesma medida, chamando veteranos e curiosos dispostos a testar os nervos.
Além da corrida, a semana é tomada por procissões religiosas e culturais. O ponto alto é a do dia 7 de julho, em honra a São Fermín, acompanhada por música folclórica e danças tradicionais. Todas as noites, depois da corrida matinal, a arena de Pamplona recebe a tourada (corrida), com grandes matadores da Espanha diante de milhares de pessoas — um desfecho teatral para um dia que já nasceu intenso.
O Festival de Jazz de Montreal (Canadá) é o maior encontro de jazz do mundo, realizado anualmente no fim de junho e começo de julho. Por dez dias, a cidade vira um palco vivo onde lendas do jazz e novos talentos compartilham de standards clássicos a fusões, blues, soul e sons experimentais. É uma maratona musical que faz Montreal vibrar.
Reconhecido pelo Guinness World Records como o maior festival de jazz do planeta, recebe cerca de 2 milhões de visitantes e mais de 3.000 músicos de diversos países a cada edição. A programação soma mais de 500 concertos, cerca de dois terços deles gratuitos, espalhados por espaços ao ar livre pela cidade.
O festival é acolhedor para todas as idades, com atividades pensadas para famílias e crianças — oficinas e áreas interativas onde os pequenos exploram noções básicas de música e se arriscam na improvisação. Não surpreende que o evento siga conquistando novos públicos.
O Festival de Palermo (Palermo, Itália) é um dos principais eventos culturais e religiosos da cidade, realizado todo mês de julho em homenagem a Santa Rosália, padroeira de Palermo. Moradores e visitantes se reúnem em procissões, celebrações, apresentações de rua e fogos de artifício — uma imersão no espírito e na devoção sicilianos.
O ritual central é a procissão da estátua de Santa Rosália. A festa se abre com um grande cortejo: a imagem percorre Palermo num carro alegórico ornamentado, seguindo pelas principais ruas ao som de músicas, hinos e orações, cercada por uma multidão de fiéis. Missas e ritos religiosos continuam na Catedral, e muitos peregrinos sobem o Monte Pellegrino até as grutas ligadas à vida e aos milagres da santa.
Um dos momentos mais marcantes chega à noite, com os fogos sobre o litoral do Foro Italico — um ponto de exclamação que reúne milhares de pessoas e envolve a cidade em assombro.

O Festival de Artes de Edimburgo (Escócia) é um dos maiores e mais prestigiados eventos culturais do mundo, realizado todo mês de agosto na capital escocesa. Fundado em 1947, virou sinônimo de intercâmbio artístico internacional, atraindo intérpretes, músicos, companhias de teatro e dança e públicos de todos os cantos. Espere uma programação densa de peças, concertos, ópera, balé, dança contemporânea, exposições e mais — um vitrine urbana que transforma edifícios históricos em telas criativas.
Artistas de vários países trazem uma mistura multicultural vibrante, dando fôlego e diversidade ao lineup. O público acompanha produções escocesas e britânicas lado a lado com projetos internacionais — um cruzamento que mantém o programa vivo e recheado de descobertas.
Os eventos ocupam espaços emblemáticos de Edimburgo, como a Usher Hall, o Royal Theatre, o Playhouse e cenários históricos singulares, como o Castelo de Edimburgo. Os próprios locais adicionam atmosfera e peso, elevando até apresentações intimistas.
O encerramento é um grande espetáculo de música e fogos nos Jardins de Princes Street. Enquanto a Royal Scottish National Orchestra toca, explosões iluminam o castelo — um final em tom maior que fica na memória.
A Tomatina (Buñol, Espanha) é a famosa batalha de tomates realizada anualmente em Buñol — o maior “combate” de tomates do mundo, em que milhares de pessoas atiram frutos maduros umas nas outras. Esse espetáculo brincalhão e catártico acontece na última quarta‑feira de agosto e atrai visitantes de longe.
Durante uma hora, a praça central, Plaza del Pueblo, e as ruas ao redor viram uma arena rubra. Todos os anos, mais de 120 toneladas de tomates — levados especialmente para a festa — sustentam a farra. A fruta vai passada de propósito, para esparramar fácil e reduzir o risco de ferimentos.
Antes do início, as ruas são lavadas para facilitar a limpeza. Participantes vestem roupas simples e antigas — as manchas são famosas — e muitos usam óculos de proteção para manter o suco longe dos olhos. Apesar do caos aparente, regras básicas de segurança valem. Quando o sinal soa, ao completar uma hora, as pessoas param de lançar tomates, e caminhões‑pipa e voluntários lavam as ruas.
O Festival de Luzes de Colônia (Alemanha) transforma a cidade em uma paisagem luminosa a cada ano. Instalações monumentais, projeções e fogos repensam o espaço urbano, com mapeamento arquitetônico em fachadas e um show de luz sobre o Reno. Quando som e cor se encontram no horizonte da cidade, o efeito é puro espetáculo.
Prédios famosos como a Catedral de Colônia e o Museu Ludwig viram telas a céu aberto. Artistas e designers de vários países criam projeções originais que combinam luz, cor e forma em experiências visuais marcantes.
Música acompanha muitas apresentações — de trilhas orquestrais a performances contemporâneas — amplificando o clima de cada instalação. O resultado é uma jornada audiovisual que prende e não solta.

A Oktoberfest (Munique, Alemanha) é o maior festival de cerveja do mundo, que recebe milhões de pessoas todo ano. Tradicionalmente vai do fim de setembro ao primeiro fim de semana de outubro, preenchendo cerca de duas semanas com chope, música bávara, danças, brinquedos de parque e pratos fartos. É bem mais que uma festa etílica — é um ritual cultural de raízes profundas.
O coração do evento é a rede de tendas na Theresienwiese. São cerca de 14 grandes pavilhões e mais de 20 menores — cada um ligado a uma cervejaria de Munique — servindo rótulos tradicionais elaborados especialmente para a Oktoberfest. As canecas de um litro (Mass) fazem parte do cenário, e a comida é tão central quanto: clássicos bávaros não faltam.
Além de bebida e comida, o parque reúne atrações para todos: carrosséis, rodas‑gigantes, montanhas‑russas, estandes de tiro e mais. Dos brinquedos vintage às emoções modernas, há opções para todas as idades — por isso as famílias são presença constante.
O Festival do Vinho (Düsseldorf, Alemanha) celebra os rótulos alemães ao longo da Königsallee, uma das ruas mais icônicas da cidade. Realizado anualmente em agosto, reúne produtores de todo o país — especialmente de regiões como Rheingau, Mosel e Palatinado — para que os visitantes provem uma ampla gama de estilos mergulhando no clima festivo.
Bancas de inúmeros produtores oferecem degustações de vinhos brancos, tintos e rosés, além de especialidades como vinhos de sobremesa, Riesling e Sekt. Os vinicultores gostam de contar as histórias por trás das garrafas — origens, nuances e tradições de produção.
A comida faz parte do prazer: de clássicos alemães a petiscos mais delicados. Tábuas de queijos, salsichas na grelha, pão de gengibre, lanches bávaros e outras combinações tornam a degustação descomplicada.
Música ao vivo completa o clima — jazz, concertos clássicos e canções folclóricas locais dão ao festival uma atmosfera relaxada e celebratória. Tão importante quanto a taça é a conversa em volta dela.

O Festival das Luzes de Berlim (Alemanha) está entre os eventos culturais mais deslumbrantes do país, realizado em outubro. Monumentos, prédios e ruas viram uma galeria a céu aberto de cor e movimento, enquanto artistas de diferentes países usam iluminação e projeção de ponta para transformar a arquitetura conhecida. Fica difícil não olhar a cidade com outros olhos.
Cada edição adota um novo tema, que inspira designers e artistas a criar obras únicas — de recortes culturais e históricos a ideias sobre sustentabilidade e meio ambiente.
Mapeamento 3D e shows interativos elevam ainda mais a experiência, com projeções volumétricas e dinâmicas que redesenham fachadas inteiras. Algumas instalações convidam à participação do público — mudando cores ou acionando efeitos de luz — e o espectador vira parte da obra.
O Diwali (Índia) é um dos feriados mais importantes e luminosos do país, celebrado por milhões em todo o mundo. Simboliza a vitória da luz sobre as trevas, do bem sobre o mal e do conhecimento sobre a ignorância. Observado por hindus, jainistas, sikhs e budistas — com costumes que variam conforme a região e a fé — o Diwali costuma cair entre outubro e novembro e dura cinco dias, atingindo o ápice no terceiro, quando incontáveis lâmpadas são acesas.
Cidades e vilas brilham com fileiras de luzes, e as ruas reluzem com guirlandas e lanternas. Muitos marcam a data com orações, tradicionalmente em honra a Lakshmi, deusa da riqueza e prosperidade, e a Ganesha, deus da sabedoria e boa fortuna. As casas são enfeitadas com flores e desenhos vívidos de rangoli nas entradas, e rituais (puja) são realizados para convidar felicidade e bem‑estar.

O Dia dos Mortos (México) é uma das tradições mais vívidas e significativas do país, celebrado em 1º e 2 de novembro. Enraizado em culturas mesoamericanas antigas e mesclando elementos indígenas e cristãos, presta homenagem aos antepassados. Longe de ser sombrio, é um retorno festivo: as famílias lembram seus entes queridos, acreditando que, nesses dias, as almas voltam para passar um tempo entre os vivos.
Famílias montam ofrendas (altares) em casa ou nos cemitérios para homenagear os mortos, decoradas com fotografias, velas, flores — muitas vezes calêndulas — e as comidas, bebidas e objetos preferidos de quem é lembrado. Os altares são vibrantes e simbolizam a união entre vivos e mortos. Na véspera, as famílias arrumam as sepulturas e as adornam com flores, velas e fotos. Na noite de 1º de novembro, as pessoas se reúnem nos cemitérios com comida para compartilhar uma refeição “com” seus antepassados. As vigílias noturnas cintilam com milhares de velas, num clima de respeito e alegria.
O Loy Krathong (Tailândia) é uma das celebrações mais belas e simbólicas do país — um festival de água e luz dedicado à gratidão e à purificação. Acontece na noite de lua cheia do 12º mês lunar, geralmente em novembro no calendário gregoriano. O gesto central é soltar os “krathongs” — pequenos barquinhos enfeitados com flores, velas e incenso — em rios, canais, lagos e lagoas, como agradecimento aos espíritos das águas e despedida do passado.
Muitas pessoas colocam moedas ou pequenos recortes de unhas ou cabelo no krathong, simbolizando o abandono da má sorte e a abertura para um ciclo novo. Enviar o barquinho corrente abaixo é visto como um pedido de sorte e de limpeza das energias negativas.
Fogos de artifício riscam o céu durante toda a noite, criando um brilho quase irreal. Em várias cidades, há shows de luz e laser, além de música, dança e apresentações de rua que mantêm o clima festivo.
Por todo o país, surgem mercados e feiras, e locais e visitantes se reúnem às margens da água para lançar krathongs, provar pratos tradicionais tailandeses e assistir a performances culturais.
O Festival das Luzes (Yorkshire, Reino Unido) ilumina cidades e vilas do condado na temporada de inverno, quando as noites longas viram cenário para calor e encantamento. O foco está na luz como ferramenta criativa para transformar o espaço público, reunindo arte contemporânea, instalações e inovação tecnológica.
Espere esculturas luminosas, projeções e obras interativas de artistas locais e internacionais animando ruas, parques e edifícios históricos. Shows de laser e mapeamento 3D em fachadas conhecidas criam ilusões de movimento e metamorfose — um lembrete do poder da luz para reinventar lugares.

Os mercados de Natal (Alemanha, Áustria) transformam cidades e vilas em contos de inverno de fim de novembro até dezembro. Barracas de madeira exibem vinho quente, artesanato e guloseimas sazonais, e o brilho das luzes e dos enfeites faz praças conhecidas parecerem encantadas. São tradições das mais antigas e queridas nos dois países, atraindo locais e viajantes em busca do espírito natalino, de sabores regionais e de presentes únicos.
Espere fileiras de chalés de madeira, em estilo clássico, oferecendo uma ampla variedade de produtos. Milhares de luzes, guirlandas e árvores montam um cenário mágico, enquanto marcos históricos e praças centrais ganham iluminação festiva.
Há muito para as famílias: pistas de patinação, carrosséis, rodas‑gigantes, trenzinhos natalinos e oficinas de artes para crianças. Corais, cantores e músicos de rua dão o tom nas noites — sinos, hinos e canções conhecidas envolvem os mercados numa cadência quente e nostálgica.
O Hogmanay (Edimburgo, Escócia) é a celebração escocesa de Ano‑Novo, com a capital como epicentro. Está entre os maiores e mais espetaculares festivais de virada do mundo, famoso por suas festas de rua, procissões de tochas e fogos.
A procissão de tochas — um dos momentos emblemáticos do Hogmanay — acontece em 30 de dezembro, quando milhares percorrem as ruas de Edimburgo com chamas, culminando em Calton Hill com show de luzes e concerto. Em 31 de dezembro, o centro vira um grande baile a céu aberto, com música de artistas locais e internacionais, dança e uma multidão que consegue ser eufórica e acolhedora ao mesmo tempo. Poucos lugares recebem o novo ano com tanta teatralidade.
Este calendário ajuda a planejar viagens guiadas pelo que mais inspira você — programas densos de cultura, festas de comida e bebida ou carnavais de tradição.