Os melhores festivais do mundo por mês: prepare-se para experiências únicas

Feriados e festivais pelo mundo: guia mês a mês imperdível
© A. Krivonosov

Descubra feriados e festivais de janeiro a junho: Rio, Veneza, Holi, Las Fallas, Tulipas, Páscoa em Jerusalém, Glastonbury. Dicas do que levar e quando ir.

Feriados são mais do que dias de folga — são uma porta de entrada para a cultura viva. Cada celebração, seja um carnaval deslumbrante, um festival de rua barulhento ou um rito consagrado pelo tempo, revela costumes locais, ecos da história e raízes religiosas. Viajar durante grandes festas muda o papel de quem visita: em vez de observar da calçada, a pessoa se integra a um espetáculo coletivo capaz de envolver uma cidade inteira.

Este guia reúne alguns dos eventos mais marcantes do planeta. Do célebre Carnaval do Rio de Janeiro ao místico Dia dos Mortos no México, dos aconchegantes mercados de Natal europeus ao caleidoscópico Holi na Índia — são momentos para quem busca experiências únicas. Aqui você encontra como se preparar, o que levar e como transformar a viagem em memória inesquecível.

Janeiro

esculturas de neve
Rincewind42 from China, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

O Festival do Gelo e da Neve de Harbin é um dos maiores e mais impactantes eventos de inverno do mundo, realizado anualmente na cidade chinesa de Harbin. Costuma abrir no início de janeiro e seguir até o fim de fevereiro, atraindo milhões de visitantes com esculturas gigantes de gelo e neve.

Harbin, no nordeste da China, é conhecida por invernos rigorosos que podem chegar a −30 °C — condições perfeitas para um festival dessa escala. No centro de tudo está a “cidade de gelo”, onde blocos retirados do rio Songhua viram edifícios, pontes, castelos e ruas inteiras. À noite, luzes coloridas transformam o cenário em uma cidade de conto. Ao lado, composições monumentais de neve, assinadas por artistas e escultores, reforçam a atmosfera. Ao longo do festival, há ainda esportes de inverno, competições de escultura e shows de luzes. É difícil não sentir que se entrou numa cidade congelada de luz.

Fevereiro

pessoas com trajes, decorações
Jonas de Carvalho from Rio de Janeiro, Brazil, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

O Carnaval do Rio de Janeiro (Brasil) é o maior e mais conhecido do mundo, que toma a cidade e a transforma numa festa estrondosa e radiante. Realizado 40 dias antes da Páscoa, começa na sexta-feira que antecede a Quaresma e vai até a Quarta-feira de Cinzas — embora a folia de rua muitas vezes ultrapasse o calendário oficial.

O Sambódromo é o coração pulsante da festa, palco dos desfiles das escolas de samba. Construído para isso, o estádio comporta cerca de 90 mil espectadores. O ponto alto reúne as 12 principais escolas disputando o título, cada uma com um espetáculo meticuloso de alas, músicos, carros alegóricos e fantasias. Os enredos costumam explorar temas sociais ou históricos em coreografia, canto e cenografia.

As fantasias são vibrantes e extravagantes, com adereços suntuosos e ornamentos minuciosos — algumas chegam a pesar até 30 quilos, mais obra de arte do que vestimenta. Fora dos desfiles oficiais, centenas de blocos — cortejos e festas de rua — sacodem a cidade. A energia é contagiante; o relógio deixa de mandar.

O Carnaval de Veneza (Itália) é um dos mais célebres e elegantes do planeta, famoso por trajes suntuosos, máscaras enigmáticas e um clima que evoca o passado da cidade. As festas começam cerca de duas semanas antes da Quaresma e terminam na Quarta-feira de Cinzas, atraindo visitantes do mundo inteiro. As máscaras — usadas para ocultar identidade e status social — são a marca do carnaval, combinadas a figurinos inspirados na moda do século XVIII da República de Veneza.

Com raízes que remontam ao século XIII, o carnaval chegou a diluir barreiras sociais, permitindo que pessoas de origens distintas se misturassem livremente. O anonimato trazia um senso de liberdade e alegria — e essa leveza lúdica ainda paira sobre as celebrações atuais.

O Festival das Lanternas em Taiwan é um encerramento vívido e popular do Ano Novo Lunar, celebrado no 15º dia do calendário lunar. Fica conhecido por instalações de lanternas, desfiles e apresentações culturais que atraem locais e viajantes.

As lanternas são as estrelas: milhares delas, das vermelhas tradicionais a peças artísticas intrincadas. A cada ano, a lanterna principal retrata o animal do zodíaco chinês que simboliza o novo ano. O festival se organiza em zonas temáticas e, entre suas tradições mais comoventes — especialmente em Pingxi —, está o lançamento de lanternas ao céu.

Ali, tecnologia de ponta encontra herança: projeções, lasers e instalações interativas transformam a cidade num parque futurista de luz. O diálogo entre antigo e novo dá ao evento uma personalidade própria.

Março

pessoas, cores
Steven Gerner, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

O Carnaval da Basileia (Basler Fasnacht) é o maior — e talvez o mais singular — carnaval da Suíça. Começa na segunda-feira após a Quarta-feira de Cinzas e dura exatamente 72 horas. Ao contrário de muitos carnavais marcados pelo brilho, a assinatura de Basileia é o Morgestraich, noturno: às 4h da manhã, a cidade apaga as luzes e os participantes saem com lanternas de papel iluminadas, criando um cortejo de outro mundo.

Holi (Índia), o festival das cores, é uma das celebrações mais alegres do país. Dá as boas-vindas à primavera, marca o triunfo do bem sobre o mal e simboliza renovação. É festejado em toda a Índia e em comunidades ao redor do mundo, geralmente em março, por dois dias, conforme o ciclo lunar.

No centro está a cor: as pessoas lançam pós vibrantes (gulal), pintando a si mesmas e a todos em volta num arco-íris. O gesto sugere igualdade e confraternização — sob a cor, idade, gênero e status perdem força. A água entra na brincadeira, encharcando ruas de riso e tonalidades.

Na véspera de Holi ocorre o Holika Dahan, a queima ritual da efígie de Holika, simbolizando a vitória do bem. Ao longo do período, há danças ao som de música tradicional, cantos populares e festas ao ar livre. A celebração consegue ser, ao mesmo tempo, atemporal e exuberante.

Las Fallas (Valência, Espanha) é um festival singular, celebrado em meados de março e dedicado a São José, padroeiro dos carpinteiros. Une arte, fogo, tradição e uma alegria barulhenta. Seu emblema são os ninots colossais — figuras preparadas ao longo de um ano e queimadas no grand finale. As obras frequentemente satirizam políticos, celebridades ou cenas do cotidiano, indo do caricatural à escultura detalhada.

Um dos momentos mais comoventes é a Ofrenda de Flores, em 17 e 18 de março: valencianos em trajes tradicionais levam flores à Virgem Maria, tecendo uma estátua floral monumental na praça. Todas as noites, fogos de artifício iluminam o céu de Valência a partir do Parque do Turia, e a “Noite do Fogo” coroa o espetáculo na madrugada que antecede 19 de março. Não é à toa que a cidade muda de ritmo por alguns dias inesquecíveis.

O Dia de São Patrício (Dublin, Irlanda) é o maior feriado nacional do país, celebrado em 17 de março em honra ao santo padroeiro. Exibe a herança irlandesa com desfiles, música, dança e muita animação. Embora a data seja lembrada em todo o mundo, as maiores festas acontecem na própria Irlanda, especialmente em Dublin.

O centro das atenções é o desfile de Dublin, que cruza o centro e reúne dezenas de milhares de pessoas. A marcha inclui bandas, artistas de rua, dançarinos e carros alegóricos adornados com símbolos e figuras míticas irlandesas. O verde domina o dia: as pessoas se vestem nessa cor, prendem trevos na roupa e, à noite, marcos como o Spire e a Custom House ganham um brilho esmeralda.

Abril

tulipas
GolubevM, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O Festival das Tulipas (Amsterdã, Países Baixos) celebra um dos símbolos do país. Realizado em abril, na capital e arredores, atrai quem quer ver campos, jardins e parques tomados por cores. O palco mais concorrido é o Keukenhof, embora as tulipas apareçam em muitos cantos de Amsterdã.

Aberto apenas na primavera, o Keukenhof vira um mosaico vivo com mais de sete milhões de tulipas, narcisos, jacintos e outras flores. Pela cidade, ruas, praças e museus recebem composições e instalações florais. O cuidado e a escala impressionam — a natureza é tratada como obra de arte.

A Páscoa em Jerusalém (Israel) é um dos eventos mais significativos e emocionantes para cristãos no mundo. A cidade sagrada é onde, segundo os Evangelhos, se desenrolaram os últimos dias de Jesus: a Última Ceia, a paixão, a crucificação, a morte e a ressurreição. Todos os anos, milhares de peregrinos chegam para refazer seus passos e participar da solenidade da Semana Santa e da Páscoa.

As celebrações começam no Domingo de Ramos, que lembra a entrada de Jesus em Jerusalém. Peregrinos percorrem a Rota de Ramos, do Monte das Oliveiras até a Cidade Velha, carregando palmas como narrado nas Escrituras. A procissão, em massa, une fiéis de muitos países num mesmo gesto de memória.

No Sábado Santo, as multidões se reúnem na Igreja do Santo Sepulcro — onde, pela tradição, Jesus foi crucificado, sepultado e ressuscitou — para o Fogo Sagrado. Nesse rito, diz-se que o fogo se acende milagrosamente no túmulo de Cristo e é passado pelo clero aos presentes, simbolizando a Ressurreição. O Domingo de Páscoa celebra essa vitória da vida.

Os peregrinos também visitam outros locais sagrados: o Jardim do Getsêmani, a Igreja de Todas as Nações, o Monte Sião e o Cenáculo. A cidade vira um mapa vivo de fé e memória.

Maio

pessoas, escadaria
VOA Persian, Public domain, via Wikimedia Commons

O Festival de Cinema de Cannes (França) é um dos encontros mais prestigiados do audiovisual, realizado todos os anos na Riviera Francesa. Fundado em 1946, tornou-se vitrine de estreias, intercâmbio criativo e prêmios cobiçados. Diretores, atores, produtores, jornalistas e cinéfilos se reúnem ali vindos de toda parte.

O tapete vermelho é a imagem mais emblemática de Cannes. Estrelas do mundo todo sobem as escadarias do Palais des Festivals et des Congrès diante de uma tempestade de flashes — um ritual que resume o requinte e a precisão do evento.

Cannes abriga várias seções e competições. Sua maior honraria, a Palma de Ouro, vai para o melhor filme da competição principal e é uma das distinções mais influentes do cinema, capaz de redefinir a trajetória internacional de um diretor.

O Festival de Flamenco (Sevilha, Espanha) é um dos eventos mais importantes do gênero, realizado a cada dois anos na capital andaluza. Por algumas semanas, Sevilha vira epicentro do flamenco, reunindo grandes nomes — bailaoras e bailaores, cantaoras e cantaores, além de guitarristas. Os principais espetáculos ocupam espaços históricos como o Teatro Maestranza e o Alcázar de Sevilha, onde técnica e intensidade falam alto.

O Festival das Flores (Córdoba, Espanha) é uma tradição luminosa de maio, dedicada à arte de ornamentar pátios. Único de Córdoba e parte do patrimônio local, atrai milhares de pessoas para admirar pátios floridos, cheios de perfume e cor.

O Concurso de Pátios é o grande momento: moradores passam meses preparando seus espaços para encantar júri e visitantes. Contam não só a quantidade e a qualidade das flores, mas também a disposição, a harmonia e o efeito estético do conjunto.

Além da competição, a cidade se enche de música, dança e mercados gastronômicos. Músicos andaluzes se apresentam por Córdoba, e as celebrações dão destaque ao flamenco e à dança folclórica espanhola. A cidade praticamente vira uma galeria a céu aberto.

Junho

rio, casas
© A. Krivonosov

O Festival de Glastonbury (Reino Unido) é um dos maiores e mais conhecidos festivais de música do mundo, realizado em junho na Worthy Farm, em Somerset, perto da cidade de Glastonbury. Desde 1970, cresceu até se tornar um fenômeno cultural que mistura música, arte, teatro e ativismo — sinônimo de liberdade, diversidade e expressão criativa.

A música é a grande atração, com shows em inúmeros palcos. Glastonbury reúne cabeças de cartaz e artistas aclamados de vários gêneros — rock, pop, indie, eletrônica, hip-hop, folk e além. O Pyramid Stage é o símbolo do evento.

Imensas áreas de camping circundam o local, criando uma comunidade temporária onde milhares vivem e convivem por dias. Essa cidade efêmera compartilhada é parte da magia do festival.

O Festival das Noites Brancas (São Petersburgo, Rússia) é um dos mais brilhantes eventos culturais da Rússia, realizado durante o período em que a noite mal cai. A temporada traz grandes concertos, óperas e balés, festivais de rua e celebrações pela cidade. Os eventos acontecem anualmente em junho e no início de julho, quando a claridade se estende noite adentro.

No centro da programação estão apresentações de grandes teatros russos, com o Teatro Mariinsky desempenhando papel decisivo.

O programa internacional “Estrelas das Noites Brancas” reúne orquestras, solistas e maestros de renome. O espetáculo Noivas Escarlates é um dos mais aguardados, dedicado aos formandos das escolas. Ao longo das noites claras, shows de rua, festivais e performances ocupam praças e parques, aproximando moradores e visitantes numa celebração compartilhada.

Percursos especiais noturnos exploram os bairros históricos, e passeios de barco contornam rios e canais. Palácios, pontes e cais ganham um brilho próprio quando o sol mal toca o horizonte — um cenário inesquecível para uma cidade feita para caminhar.