Descubra leis locais, etiqueta cultural e proibições pelo mundo: vestuário, álcool, tabaco, fotografia e exportação. Dicas práticas para viajantes atentos.
O mundo é um mosaico de culturas, e essa variedade aparece não só nas tradições, mas também nas leis que regem o quotidiano. Regras que parecem banais para quem vive nelas soam curiosas — ou até desconcertantes — para quem vem de fora. Da proibição de pastilha elástica em Singapura às restrições aos saltos altos em sítios históricos na Grécia, essas normas moldam hábitos e expectativas. Vale observar o que cada proibição revela sobre o lugar que a aplica.

A etiqueta nasce da cultura local; tratá-la com leveza costuma ser um atalho para o constrangimento. Vai muito além da mesa: cumprimentos, despedidas e gestos carregam significados.
Na Índia, é estritamente proibido que homens toquem em mulheres em público. Na Indonésia, um beijo na rua pode render até 10 anos de prisão e uma multa pesada. Comer fora de hotéis na Índia traz outro cuidado: não toque na comida com a mão esquerda, vista como impura e ligada à higiene. Também é melhor não passar objetos, inclusive dinheiro, com essa mão.
No Japão, fincar os pauzinhos verticalmente numa tigela de arroz não é permitido; o gesto é reservado aos mortos, cuja alma, simbolicamente, toma lugar à mesa. Apontar com os pauzinhos também é de mau-tom. Descalçar os sapatos antes de entrar em casas ou templos aproxima Índia e Japão — na Índia, há quem os retire até ao entrar em lojas.
Na China, comer fazendo barulho — sorver massas e estalar os lábios — sinaliza que a comida está ótima. Muitas vezes isso cria um pequeno círculo de espaço vazio à volta dos convidados chineses nos restaurantes. Como visitante, não é preciso imitar; compreender e respeitar já evita ruídos desnecessários.
Na Coreia do Sul, o mais velho à mesa inicia a refeição; os demais esperam que essa pessoa se sirva. Servir a própria bebida é malvisto — quem está ao lado no repasto faz isso por você.
No Cazaquistão, meia chávena de chá é bom sinal: o anfitrião está contente com a sua presença. Já uma chávena cheia sugere que é hora de terminar e seguir caminho.

Há destinos que relevam pequenos deslizes de visitantes. Já em países muçulmanos e em boa parte da Ásia, o decoro pesa mais. Acusações de comportamento indecente podem resultar em multas salgadas e, em casos piores, prisão. As restrições recaem sobretudo sobre a roupa feminina. Embora não se exija às europeias cobrir o rosto ou usar hijab completo, o lenço na cabeça é obrigatório.
No Irão, existe código de vestuário para todas as mulheres, ainda que a cabeça, na prática, muitas vezes fique apenas parcialmente coberta: lenços e echarpes mal pousam, presos por um alfinete atrás. Espera-se que as roupas cubram os braços até aos pulsos e as pernas até aos tornozelos.
A Arábia Saudita e a maior parte dos Emirados Árabes Unidos mantêm regras mais rígidas. Mesmo homens são aconselhados a não deixar braços, pernas ou o pescoço à mostra. Tatuagens e piercings, sobretudo em mulheres, não são bem vistos.
Em grande parte do mundo árabe, leggings com uma camisa comprida não bastam — são necessários casacos longos ou saias até ao chão. Evite estampados chamativos, especialmente símbolos ou retratos de celebridades. Ainda assim, onde as normas são estritas, elas tendem a afrouxar em resorts e hotéis. Uma regra, porém, não muda para turistas: nada de topless.
Em países como Turquia, Egito, Tunísia e Marrocos, muitos muçulmanos não se cobrem do pescoço aos pés, e o lenço pode até servir só de proteção solar. Mesmo assim, é prudente evitar zonas problemáticas e não chamar atenção com roupas reveladoras.
Em Bali e Lombok, de maioria hindu, a atitude é bem mais relaxada, e os locais raramente escrutinam a indumentária dos visitantes.

Na maioria dos países muçulmanos — e também nos Estados Unidos, no Canadá e em partes da União Europeia — beber em público pode render multa pesada ou até cadeia. Cerveja conta, mesmo onde se faz vista grossa. Hoje, as medidas mais duras concentram-se em estados de maioria muçulmana, onde a sobriedade é preceito religioso. Na Arábia Saudita, Afeganistão, Irão, Kuwait, Somália e Líbia, transportar, produzir, armazenar e distribuir álcool é totalmente proibido. Não há exceções para turistas. Em alguns desses países, o consumo pode ocorrer apenas em casa.
Noutros lugares, não muçulmanos podem beber sob condições rígidas — geralmente só em casa e entre não muçulmanos. Mesmo nos EAU, onde o Dubai costuma ser pintado como uma segunda “cidade do pecado” depois de Las Vegas, há um emirado completamente seco, Sharjah, onde o álcool só aparece em alguns poucos clubes e restaurantes. As regras são mais flexíveis noutras partes do país — o Dubai emite licenças para venda —, mas é proibido estar embriagado em público.
Há abordagens semelhantes na Mauritânia, no Iémen, no Brunei, no Sudão, no Bahrein, em Marrocos e nas Maldivas — o álcool é permitido apenas em locais licenciados ou em casa. Alguns países autorizam pequenas importações; a alfândega maldiva não.

Na UE, nos EUA, no Canadá e além, as proibições de fumar em locais públicos são severas e as coimas, altas. Na Grécia, vão de 5.000 a 10.000 euros conforme reincidência; em Itália podem chegar a 275 euros; nos EAU, a pena pode ser até dois anos de prisão. Em alguns países, essas regras pesam menos sobre turistas do que na Tailândia ou no Egito, e em Israel a lei quase não é aplicada na prática.
A tendência é apertar. Irlanda, Grécia, Hungria e Malta já avançaram para proteger a saúde pública e o ambiente. Em 2023, a Costa Rica juntou-se ao grupo, banindo o fumo em todos os espaços públicos, incluindo bares, restaurantes e paragens de autocarro. Algumas cidades, como Barcelona, proibiram fumar nas praias para travar o lixo de beatas. Na estância francesa de esqui de Les Gets, o fumo está vedado em toda a área por causa do impacto do tabaco em reservas naturais.
A França acelera a sua cruzada contra o fumo em locais públicos, e novas leis preveem multas a turistas que pisem a linha. O México foi além: proibiu totalmente o cigarro em todos os espaços públicos, inclusive hotéis e praias. O veto vale para zonas interiores e exteriores — resorts, parques e areais —, com atenção especial a locais onde possam estar crianças.

Instalações estratégicas — militares e industriais — estão no topo da lista de proibições para fotos e vídeo. Aeroportos (sobretudo pistas), eixos de transporte, estradas, túneis e pontes costumam ter restrições, como nos EUA. Fotografar dentro de templos e mesquitas quase sempre é proibido, assim como posar diante de objetos sagrados. Na Tailândia e na Malásia isso inclui todas as imagens de Buda. Muitos países também limitam filmagens de edifícios governamentais. Na Tunísia, entra aí o palácio presidencial; na Coreia do Norte, o Palácio do Sol de Kumsusan, onde está o corpo de Kim Il-sung.
Mesmo com telemóvel, a cautela ajuda. No Qatar, no Bahrein e na Arábia Saudita, fotografar pessoas na rua é proibido não só com câmaras profissionais, mas também com telemóveis. Se houver queixa de moradores e a polícia intervier, será preciso apagar as imagens e pagar multa. Na Arábia Saudita, é proibido filmar a residência real atual; hotéis e guias alertam os turistas.
Nos EAU, desaconselha-se fotografar locais, e filmar instalações militares, refinarias e palácios de xeques é crime.
Mesmo na Turquia, pense duas vezes antes de retratar pessoas. Nunca fotografe mulheres sem autorização, especialmente na praia. Na verdade, apontar a câmara a desconhecidos em areais é malvisto quase em toda parte.

Além de proibições formais, há expectativas locais que não rendem coima, mas azedam a primeira impressão.
Em países budistas, evite virar costas a uma estátua de Buda. É visto como ofensa ao sagrado e desrespeito ao ensinamento. Foto e vídeo dentro de templos não são bem-vindos. Em qualquer espaço religioso, fique em silêncio e vista-se com recato.
Na Indonésia — sobretudo em Bali —, os sacos de plástico são melhor evitados. Supermercados não os vendem; um saco reutilizável combina com o espírito “Sem plástico em Bali”. A preocupação é real: após tempestades, o mar devolve o lixo às praias.
Na Tailândia, trate as notas com respeito; elas exibem o retrato do rei Bhumibol Adulyadej, que reinou de 1946 a 2016. Não amasse, rasgue nem pise o dinheiro.
Por mais estranhas que certas regras pareçam, cumpri-las evita ofender quem vive ali — e poupa dores de cabeça a quem viaja. No fim, a discrição costuma abrir portas.

Cada país zela pelo seu património — obras únicas, vestígios históricos e outros bens que guardam identidade e memória. Com fronteiras mais porosas, o contrabando torna-se ameaça real. As regras variam e abrangem artefactos culturais, antiguidades, plantas e animais, taxidermias e peles. O paradoxo é que muitos itens proibidos aparecem à vista em lojas de lembranças. Quebre a lei e arrisca-se a confisco e multas pesadas; em alguns lugares, até prisão.
Para viajantes russos, certas exportações são vedadas em destinos populares. De Cuba, não se podem levar mais de 23 charutos sem recibo, nem crocodilos e tartarugas vivos ou preservados, ou produtos feitos desses animais. As Seicheles proíbem corais, coco de mer e itens de carapaça de tartaruga. O Brasil veda a saída de quaisquer animais, suas peles e produtos de peles, conchas e penas.
Do Quénia, é proibido exportar peles e taxidermias sem licença especial, assim como marfim, diamantes e xelins quenianos (a moeda nacional). Do Japão, não se permitem katanas de aço de combate (espadas de souvenir estão liberadas). Do Egito, não se pode exportar corais, conchas marinhas, crocodilos empalhados, marfim ou joias de ouro e prata acima de $3.000.
Da Tailândia, gemas e peças de ouro exigem recibo e certificado; grandes estátuas de Buda têm restrições (pequenos pingentes com a imagem são permitidos). Na Turquia, joias com valor acima de $15.000 não podem sair sem recibo e certificado. Das Maldivas, corais e mandíbulas de tubarão são proibidos, e da Índia não se podem levar rupias indianas nem antiguidades com mais de 100 anos.

Os Estados Unidos lideram em proibições curiosas, muitas nascidas de decisões judiciais. Circula o exemplo de quem levou um crocodilo ao cinema; a tragédia que se seguiu teria dado origem a uma lei que proíbe répteis nas salas.
Na Alemanha, parar na autobahn é ilegal — mesmo que falte combustível. Andar a pé pela via também é proibido. As multas podem chegar a cerca de $100. Em Veneza, são vetados alimentar pombos, andar sem camisa em público, entrar em fontes e comer sanduíches nas passadeiras. Em Roma, não se pode mergulhar em fontes. Alimentar pombos em Veneza pode render $600, embora pagar na hora reduza para $50–60.
Em Espanha, conduzir de chinelos é proibido. Na Tailândia, andar de carro ou mota sem camisa não é permitido; a coima é de algumas centenas de baht (cerca de $10). Em França, beijos de despedida nas plataformas de comboio estão banidos desde 1910 para manter os horários. Embora a regra não seja aplicada, nunca foi formalmente revogada. A Irlanda tem uma lei antiga que proíbe homens de recusar pedido de casamento feito por mulheres; quem disser “não” paga multa — mas só a 29 de fevereiro.
Singapura proíbe pastilha elástica, alimentar aves, cuspir e não puxar o autoclismo em casas de banho públicas; as multas rondam $100. No Reino Unido, uma lei veda tocar em mamíferos que nadem a menos de três milhas da costa — são considerados propriedade real.
A Bélgica proíbe atirar bolas de neve, equiparando ao lançamento de pedras; a multa é de €100. Na Malásia, vestir roupa amarela é vedado por associação política com a oposição, que adotou a cor como bandeira. A Dinamarca mantém uma lista oficial de nomes próprios — cerca de 18.000 para meninas e 15.000 para meninos —, e os pais devem escolher dali.