Macau, na China, enfrenta densidade populacional recorde: crescimento recente, moradia vertical, turismo dominante e o peso dos trabalhadores temporários.
Quando se fala de cidades espremidas de gente, Tóquio ou Nova York costumam vir à cabeça. Ainda assim, há um cantinho no sul da China que supera quase todas em moradores por quilômetro quadrado: Macau. No mapa, parece diminuta; no dia a dia, a vida pulsa em cada metro.
Macau é uma região administrativa especial da China, à beira-mar. Ocupa cerca de 30 quilômetros quadrados e abriga quase 688 mil habitantes. Isso se traduz em mais de 20 mil pessoas por quilômetro quadrado — há estimativas que aproximam o número de 24 mil. Para comparar, Moscou tem, em média, algo perto de 5 mil, quatro a cinco vezes menos.
A população de Macau vem subindo, passo a passo. No fim de 2024, chegou a 688.300 pessoas — cerca de 4.600 a mais do que um ano antes. No início de 2025, recuou levemente para 687.900. A queda não foi fuga de moradores, e sim um pequeno arrefecimento na chegada de trabalhadores temporários e estudantes de fora.
Esses residentes temporários pesam no ritmo da cidade. Eles ocupam postos em hotéis, restaurantes e cassinos — esperado num lugar onde turismo e entretenimento ditam o compasso.
Numa área tão densa, sobra pouco espaço para casas amplas. A família média reúne cerca de 2,85 pessoas, e quase três quartos vivem em imóveis próprios. Por volta de 20% opta pelo aluguel.
O padrão são apartamentos compactos empilhados em prédios altos. Quintal particular é luxo. Macau foi desenhada para cima: torres, vias e shoppings comprimidos em camadas. A impressão é que cada metro quadrado tem uma função.
As mulheres são maioria, com cerca de 54% da população. Crianças de até 14 anos respondem por aproximadamente 12,5%, enquanto os maiores de 65 anos beiram 15%.
A cidade envelhece aos poucos. Nesse cenário, trabalhadores temporários contam ainda mais — em geral mais jovens e móveis, ajudam a manter a economia em marcha e ocupam funções que pedem mais gente. No começo de 2025, havia mais de 183 mil trabalhadores desse tipo em Macau.
Quando tanta gente vive tão perto, organização é essencial. Macau aposta em transporte público consistente e ruas caminháveis. A moradia cresce na vertical, e o terreno para novos projetos é literalmente ganho ao mar. Ao longo do tempo, a cidade foi criando área para acompanhar a demanda.
Densidade não é só contagem de cabeças. É barulho, ar rarefeito de espaço, filas e moradia cara. Falta verde, a privacidade é menor, e estacionamento, vias e comércio operam no limite.
Por ora, a cidade segura as pontas, mas a pergunta se impõe: e depois? A população envelhece, os preços sobem e a economia depende muito do turismo. Se o fluxo de trabalhadores temporários perder fôlego, Macau pode enfrentar ventos contrários.
O horizonte é incerto. A cidade pode continuar a se expandir criando novos terrenos. Ou talvez precise repensar como constrói, habita e trabalha. Uma coisa parece clara: Macau testa os limites do possível, um raro estudo de caso sobre quantas pessoas conseguem partilhar um pedaço minúsculo de terra.
Macau não é só cassinos e turismo. É uma cidade em ajuste permanente — e as soluções que brotam dali podem inspirar outras metrópoles espremidas do futuro.