09:29 26-11-2025
Como a Costa Amalfitana ergueu cidades nas falésias
Descubra como a Costa Amalfitana, no sul da Itália, criou cidades verticais nas falésias: história, técnicas de construção em terraços e o desafio do turismo.
A Costa Amalfitana, no sul da Itália, aparece em praticamente todo guia de viagem: mar turquesa, penhascos vertiginosos e vilas compactas que parecem coladas na montanha. Mas por trás do brilho de cartão-postal há outra história. Aqui as casas não apenas ocupam o terreno — elas escalam as encostas, como se mirassem o céu. Como isso se tornou possível? E o que há nesses lugares que conquista até quem normalmente não liga para arquitetura?
Por que aqui tudo é construído de outro jeito
Quase não há terreno plano ao longo da costa. Quase tudo é rocha e declives acentuados. Por isso, cidades como Positano, Amalfi e Ravello não se espalharam na horizontal, como a maioria — cresceram para cima. Vistas de baixo, as casas parecem sobrepostas, e muitas ruas se parecem mais com escadarias.
Esse modo de construir foi uma necessidade: a montanha não deixou alternativa. O resultado são cidades verticais em que cada metro disponível é aproveitado.
Como se construía no passado
Os romanos foram os primeiros a se fixar por aqui. Já no século I d.C., ergueram vilas suntuosas ao longo da costa — em Minori, Positano e nas ilhas próximas. Para instalar uma construção na encosta, era preciso nivelar o terreno, criando terraços em degraus que serviam de base para as casas.
Grande parte do trabalho era manual. O nivelamento era feito por trabalhadores — muitas vezes pessoas escravizadas ou libertas.
Uma cidade de cabeça para baixo
Em cidades assim, ruas convencionais são raras. Desloca-se por escadas, e a varanda de uma casa pode servir de teto para outra. Fica a impressão de que a cidade inteira foi montada como um quebra-cabeça — na vertical. De perto, é fácil perceber como o relevo virou regra e até linguagem de projeto.
Hoje, arquitetos continuam a projetar edificações para se encaixar na montanha, em vez de se impor a ela. Um exemplo é a Torre Positano, uma villa considerada das mais prestigiadas da costa.
E agora?
A cada ano, chegam mais turistas. Por um lado, isso favorece a economia. Por outro, pressiona construções antigas e a infraestrutura. Às vezes, novas obras ou reformas ferem a aparência das cidades ou alteram seu caráter. O equilíbrio é frágil.
Por que isso importa
A arquitetura da Costa Amalfitana é mais do que paisagem bonita. Ela mostra como é possível se adaptar a um terreno difícil sem desfigurá-lo. Ao longo de séculos, moradores aprenderam a viver onde não se podia construir de forma simples ou reta. Descobriram como fazer as casas crescerem nas falésias — e fizeram isso de um jeito que parece sólido, elegante e prático. Talvez seja por isso que até quem não se interessa por arquitetura acaba se rendendo.