17:38 25-11-2025

Bonde de Sóller em Maiorca: história, trajeto e por que ir agora

Descubra o bonde de Sóller em Maiorca: um trajeto centenário entre a cidade e o Porto de Sóller, por laranjais e montanhas. Dicas, história e por que ir agora.

By Isiwal/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0, CC BY-SA 4.0, Link

No norte de Maiorca, entre laranjais e montanhas, um autêntico bonde histórico circula há mais de um século: a linha que liga a cidade de Soller ao seu porto. Entrou em serviço em 4 de outubro de 1913 e, de lá para cá, quase não mudou. O trajeto continua levando passageiros pelos mesmos trilhos, com pouco menos de cinco quilômetros.

Como começou

O bonde foi idealizado e projetado por um engenheiro chamado Pedro Garau. No início do século XX, ele se propôs a facilitar o transporte de cargas e passageiros entre Soller e seu porto marítimo. Naquela época, os trilhos levavam não só gente, mas também caixas de peixe e carvão e, em tempos de guerra, até projéteis e torpedos.

Que bonde é esse

A bitola é de pouco menos de um metro.

Funciona com eletricidade.

Segue em ritmo tranquilo, com velocidade máxima de 25 km/h.

Os carros continuam de madeira, como sempre foram. Alguns são sobreviventes de 1913. Depois, chegaram mais carros de Lisboa, adaptados às condições locais.

O que se vê pelo caminho

A viagem começa no centro de Soller. Primeiro, o bonde desliza por edifícios históricos; em seguida, se enfia entre laranjeiras e limoeiros, cruza uma ponte sobre um rio de montanha e, por fim, rola rumo ao mar, no Porto de Soller. Ao todo, são 17 paradas; dá para descer em qualquer uma e seguir a pé. É o tipo de percurso que convida a prestar atenção à paisagem, não ao relógio.

Quem anda nele hoje

Embora o bonde seja popular entre os visitantes, os moradores seguem contando com ele — para o trabalho, a escola e as idas ao mercado. Circula todos os dias e não se rende a engarrafamentos, parte do seu encanto discreto.

Por que importa agora

Em 2025, as autoridades de Soller começaram a restringir o estacionamento para carros de aluguel, à medida que os moradores se cansavam do fluxo de turistas. Agora, os visitantes são incentivados a optar pelo transporte público — e o bonde voltou a ser especialmente útil. Ajuda a desafogar as ruas e, tão importante quanto, preserva a atmosfera antiga da ilha.

O que vem a seguir

Apesar da idade, o bonde de Soller não dá sinal de aposentadoria. Seus carros recebem manutenção regular, e novos são incorporados — também de época, trazidos de outros países. A linha tem tudo para ficar ainda mais procurada, especialmente se as restrições aos carros continuarem. Nada disso soa como nostalgia pela nostalgia: é uma escolha prática que combina com o lugar.

O essencial

O bonde de Soller é mais do que uma atração turística. É parte da vida cotidiana da ilha — um pedaço de história viva que se pode ver, tocar e embarcar. A viagem troca velocidade por personalidade: canto de pássaros no ar, cheiro de cítricos e um carro de madeira passando como se tivesse acabado de sair do início do século XX — e é aí, discretamente, que mora o encanto.