05:40 23-11-2025
Clima do Nepal: faixas de altitude, monção e mudanças
Descubra como o clima do Nepal varia das planícies ao gelo: cinco zonas, estações com monção, impacto das altitudes e das mudanças climáticas. Saiba mais.
No Nepal, não é preciso ir longe para entrar noutro clima — basta subir a montanha. O país parece talhado para contrastes nítidos: calor e humidade no sul e, a poucas dezenas de quilómetros, geada e neve nas cotas altas.
Cinco faixas — um só Nepal
Pequeno no mapa, o Nepal tem um clima que mais parece um continente inteiro. Do ponto mais baixo ao mais alto, a diferença ultrapassa 8.000 metros. Ao longo desse desnível, sucedem-se cinco zonas meteorológicas bem marcadas.
Começa no Terai — as planícies do sul. É calor intenso quase o ano todo. No verão, a temperatura supera facilmente os 40 °C, e a monção torna o ar ainda mais pesado. O inverno é brando, sem frio extremo, a oscilar entre 7 e 23 °C.
Depois vêm as colinas e vales, incluindo a região de Catmandu. Aqui o clima é temperado: verões amenos, invernos frescos, sem geadas severas. Dependendo da estação, as temperaturas variam de 2 a 35 °C.
À medida que se sobe, o ar fica mais cortante. Os distritos de montanha sentem-se realmente frios; os invernos podem ser duros e os verões, curtos e suaves. A regra é simples: quanto mais alto, mais frio. Acima de 4.400 metros começa o domínio da neve e do gelo — glaciares propriamente ditos, onde até no verão a temperatura pode ficar abaixo de zero.
Os cientistas assinalam que, a cada quilómetro de altitude, a temperatura desce cerca de 6 °C. Em termos práticos, se nas terras baixas estão 30 °C, num cume próximo pode estar a gelar. A diferença salta à vista.
Como as estações se revezam
O Nepal não conta quatro estações, mas cinco: primavera, verão, a monção chuvosa, outono e inverno. De junho a setembro, a monção traz aguaceiros intensos. Alimenta a agricultura, mas com frequência desencadeia cheias e derrocadas. No resto do ano predomina a estação seca, com céus mais limpos e ar mais transparente — um equilíbrio delicado, nem sempre garantido.
Onde se vive e como o clima molda a vida
Não por acaso, a maioria da população instala-se nas terras baixas e nas encostas, onde é mais fácil cultivar, construir e viver com conforto. No alto das montanhas, a vida é mais áspera — fria, remota, com menos recursos. Essas áreas acolhem mais pastoreio de verão ou viajantes; aldeias permanentes são raras.
Estas faixas condicionam o quotidiano de forma profunda. Numa zona colhe-se arroz e banana; noutra, apenas batata — ou nada. A verticalidade do país define as possibilidades.
O que está a acontecer ao clima agora
Segundo um relatório do governo do Nepal, 2023 ficou entre os anos mais quentes desde 1981. Os dias de calor extremo tornam-se mais frequentes e as épocas de chuva, menos previsíveis. A mudança avança sobretudo no sul, que aquece mais, e nas montanhas, onde os glaciares estão a derreter.
Estas alterações trazem riscos concretos: cheias, deslizamentos de terra e escassez de água. Se as temperaturas continuarem a subir, o impacto sobre as pessoas e a natureza será significativo. É difícil ignorar os sinais à vista de todos.
Em síntese
O Nepal é um lugar notável onde, em poucas horas, se passa do trópico ao permafrost. Isso atrai viajantes e é um tesouro para cientistas. Mas a mesma variedade revela-se cada vez mais exposta às mudanças do clima. Compreender como o país está a mudar é o primeiro passo para o proteger.