21:42 19-11-2025
Correio pneumático de Praga: história, auge e possível retorno
Descubra a história do correio pneumático de Praga: como funcionava, momentos marcantes, por que parou em 2002 e se a rede subterrânea pode voltar a operar.
Diga Praga e logo surgem os castelos de conto de fadas, as ruelas medievais e o famoso relógio. O que quase ninguém imagina é que, sob essas ruas, existe uma rede postal de tubos criada no século XIX: o correio pneumático. Na capital tcheca, cartas chegaram a viajar literalmente pelo ar, disparando por canos em cápsulas seladas — um serviço real que funcionou por mais de cem anos.
O que é, afinal?
O correio pneumático de Praga era uma malha de tubos que usava ar comprimido para enviar pequenas cápsulas com cartas e documentos. Inaugurado em 1889, oferecia uma rapidez notável: uma mensagem podia cruzar a cidade em poucos minutos.
Como funcionava
Os engenheiros instalaram cerca de 55 quilômetros de tubos metálicos sob as ruas, cada um com diâmetro próximo ao de uma garrafa plástica. Dentro deles, recipientes compactos de até três quilos corriam pelas linhas impulsionados por ar — como uma rajada por um canudo. A rede conectava agências dos correios, locais de trabalho, bancos e ministérios; os tubos chegavam a cruzar o Vltava por pontes. Com 24 estações, o sistema operava com uma confiabilidade que chamava atenção, uma engenharia enxuta e eficiente que hoje soa quase futurista para sua época.
Momentos marcantes
Durante a Segunda Guerra Mundial, o correio pneumático ajudou a fazer circular mensagens urgentes. Em maio de 1945, enquanto os combates tomavam Praga, informações foram enviadas pelo sistema ao edifício da Rádio, então sitiado. Em tempos de paz, a rede atingiu seu auge nos anos 1970, transportando até um milhão de mensagens por mês — um volume que dá a medida do quão prático e, a seu modo, prestigioso, o sistema era considerado.
O que deu errado
Em 2002, enchentes severas atingiram Praga. A água inundou a maquinaria que fornecia ar à rede, obrigando a interrupção do serviço. Foi um fim abrupto para uma tecnologia que, até ali, parecia atravessar décadas sem perder o fôlego. O sistema jamais foi retomado.
Pode voltar?
Em 2011, o empresário tcheco Zdeněk Dražil adquiriu todo o sistema. Seu objetivo era recuperar ao menos uma parte e transformá-la em atração turística. A estimativa girava em torno de 5 milhões de coroas tchecas — cerca de 200 mil euros. O plano era direto: consertar uma linha, mostrar aos visitantes como tudo funcionava e até voltar a lançar cápsulas. Até 2021, porém, a restauração não havia começado, e não surgiram atualizações desde então.
Como está hoje
Hoje, os tubos continuam sob Praga. Estão fora de operação, mas não foram desmontados — um passado em suspenso que a cidade guarda debaixo da terra. Se um dia o sistema renascer, oferecerá a rara chance de ver de perto o que já foi encarado como o correio do futuro. Por ora, o correio pneumático permanece como uma das tecnologias esquecidas mais singulares, à espera, discretamente, de um segundo ato — e é difícil não torcer para que ele venha.