13:38 06-01-2026
Tradições e comidas de Ano-Novo ao redor do mundo
Descubra as comidas de Ano-Novo em Rússia, Itália, China, Brasil e mais. Pratos típicos, símbolos de sorte e prosperidade, dicas para inspirar sua mesa.
A véspera de Ano-Novo é aquele instante em que o mundo parece prender a respiração antes de virar a página. Para uns, é barulho de fogos e contagem regressiva; para outros, um rito de limpeza e recomeço. De Moscou coberta de neve a Sydney tostada de sol, algo permanece: a mesa festiva onde a família se reúne para se despedir do velho e receber o novo.
Ali, cada prato vai além do sabor: carrega códigos culturais, símbolos e costumes guardados com carinho. De lentilhas na Itália e bolinhos na China a tteokguk na Coreia e braai no sul da África, a comida vira uma linguagem comum de esperança, prosperidade e memória.
Rússia: saladas como símbolo de aconchego
Para muitos russos, não há Ano-Novo sem salada Olivier e Arenque Sob Casaco de Pele. Esses pratos há tempos passaram da cozinha para o terreno do afeto e do ritual anual. Quando chegam à mesa, é como se a festa finalmente começasse. As versões atuais já se afastam da receita original do século XIX de Lucien Olivier, com ave avelã e caviar, mas foi a interpretação soviética que ficou — e continua a sinalizar calor de lar.
Itália: lentilhas como investimento no ano que chega
Pelo sul da Europa circula a crença: quanto mais lentilhas na noite de Ano-Novo, mais próspero será o ano seguinte. Os italianos levam isso a sério; lentilhas com kyokkyo, zampone ou cotechino são presenças certas — metáforas comestíveis de avanço e abundância. Na sobremesa, o areado panetone muitas vezes espera até a meia-noite do dia 1º, um pequeno gesto para não deixar a sorte escapar.
Alemanha: um paladar para a sorte
Nos lares alemães, um joelho de porco pode sustentar a ceia — não só um corte robusto, mas um amuleto de fortuna. Há também um pão de amêndoas chamado sprengel, assado com passas e especiarias, além do arenque salgado tradicionalmente saboreado após a meia-noite. Juntos, esses sabores desenham desejos de sorte, saúde e resiliência.
França: delicadezas como modo de vida
A França recebe o Ano-Novo com foie gras, ostras e bûche de Noël. Por lá, comida é estética tanto quanto prazer: uma mesa pensada como um pequeno museu do paladar, em que cada detalhe importa. Frutos do mar sugerem renovação, enquanto o foie gras e o bolo em forma de tronco remetem a conforto e bem-estar.
China: sentidos dobrados em cada bolinho
O Ano-Novo chinês é um festival de símbolos. Bolinhos moldados como lingotes prometem riqueza; peixe representa abundância; macarrões longos sugerem longevidade. O essencial é cozinhar e comer juntos — a comida como gesto de cuidado e modo de transmitir votos.
Japão: contenção com profundidade
No Japão, a mesa gira em torno do osechi-ryori — pratos organizados em caixas laqueadas, cada um com seu significado. Mochi e toshikoshi soba completam o conjunto, traduzindo expectativas de união, laços fortes e vida longa. O Ano-Novo por lá se parece menos com um banquete barulhento e mais com uma conversa respeitosa com a tradição.
Coreia do Sul: uma sopa que marca a travessia
Tteokguk — a sopa com bolinhos de arroz — acompanha o Ano-Novo de todo coreano. Diz-se que, à primeira colherada, a pessoa ganha simbolicamente um ano de vida. Os bolinhos brancos, em forma de moeda, apontam para pureza e prosperidade; no fim, o que vale é o encontro em família.
Estados Unidos: sustância com um recado
No sul dos Estados Unidos, o dia de Ano-Novo vem com feijão-fradinho, folhas verdes e pão de milho. O código é simples e eloquente: grãos para o dinheiro, verdes para a riqueza, pão para a estabilidade. Quando há vontade de algo mais farto, peru ou presunto entram como aceno ao conforto e à prosperidade.
México: tamales e um bolo com surpresa
No México, o Ano-Novo começa reunindo gente em volta do preparo. Os tamales simbolizam união, enquanto a Rosca de Reyes — em formato de anel, coberta de frutas cristalizadas e com uma pequena figurinha escondida — adiciona um jogo afetivo: quem encontra o brinde assume a festa de fevereiro. Um costume que se recusa a desaparecer da memória.
Brasil: lentilhas temperadas de esperança
No Brasil, lentilhas com arroz prometem dinheiro no ano que chega. Na carne, o costume favorece o porco, já que o animal “cava para a frente”. O símbolo é direto e potente: o que se come na noite de Ano-Novo ajuda a desenhar o tom do caminho adiante.
Argentina: a grelha e uvas à meia-noite
O asado — ritual nacional da brasa — transforma a mesa em celebração da fartura de verão, da carne às frutas. Um costume querido pede doze uvas ao bater da meia-noite, com um desejo para cada uma. Doces com doce de leite fecham a refeição, numa esperança de vida mais doce.
África do Sul: uma celebração ao sol
No hemisfério sul, o Ano-Novo sul-africano tem cara de braai — carne no fogo entre amigos. Frutas, saladas e petiscos leves reforçam a harmonia com a natureza. A mensagem é cristalina: o essencial é estar junto.
Marrocos: cuscuz e doces como promessa de fartura
Cuscuz com carne e legumes ocupa o centro da mesa marroquina. Sobremesas com mel e frutos secos falam de alegria. Muita coisa chega num único grande prato — a comida como ato de aproximar pessoas. O Ano-Novo ali prefere menos ruído e mais proximidade cheia de sabor.
Austrália e Nova Zelândia: a leveza do verão
O verão no auge dita o ritmo: churrasco no parque, pavlova coroada de frutas, frutos do mar bem gelados. O Ano-Novo pede praia, amigos e um modo mais leve de estar. Não há necessidade de pompa — basta sol, frescor e bom humor.
Pratos são mais do que comida
As receitas de festa são mais do que sustento; são um idioma com que os povos falam de esperança, confiança e afeto. O Ano-Novo junta pessoas em mesas onde cada ingrediente traz um rastro de história, cultura e um sonho do que vem adiante. E, quando se pega emprestado um costume de outro lugar, ele pode muito bem virar parte da própria casa.