21:31 05-01-2026
Jólabókaflóð: a enchente de livros que aquece o Natal na Islândia
Descubra o Jólabókaflóð na Islândia: a tradição de Natal em que se trocam livros e se lê à noite em Reiquiavique. Origem, Bókatíðindi e um inverno acolhedor.
Em dezembro, a Islândia é tomada por uma enxurrada — não de neve ou chuva, mas de livros. Pelo país, especialmente em Reiquiavique, as pessoas aguardam esse momento com genuína expectativa. É quando começa o Jólabókaflóð, a inundação de livros do Natal: um costume querido de trocar livros na véspera e passar a noite a ler com uma caneca de chocolate quente. Difícil imaginar um começo de inverno mais acolhedor.
Por que livros?
A tradição ganhou forma durante a Segunda Guerra Mundial, quando presentes eram raros e as importações, incertas. Havia papel para editar, e os livros tornaram-se o presente ideal — útil, acessível e escolhido com carinho. Às vezes, as limitações criam hábitos duradouros.
Em 1944, surgiu pela primeira vez um catálogo especial de lançamentos — o Bókatíðindi. Era enviado pelo correio às casas, para que todos soubessem o que havia sido publicado naquele ano. A partir daí, a enchente de livros passou a marcar o período em que os islandeses compravam obras em massa para presentear no fim de ano.
O que é o catálogo Bókatíðindi?
É, essencialmente, um guia nacional dos lançamentos do ano. As pessoas percorrem as páginas com atenção, escolhendo o que oferecer e o que ler.
Se antes ele chegava a todas as caixas de correio, hoje pode ser encontrado em lojas ou lido online. O seu papel não perdeu força: para muita gente, continua a ser o sinal de partida da temporada.
Como é a véspera de Natal?
No dia 24 de dezembro, depois de anoitecer, famílias e amigos trocam livros. Em seguida, cada um se acomoda — no sofá, sob uma manta — e mergulha no presente. Uma chávena de chocolate quente costuma ficar por perto, ou então o jólabland, um refrigerante doce misturado com sumo.
Essa noite acolhedora é parte central da festa. Muitos dizem terminar com uma espécie de ressaca literária depois de ler demais numa só noite — uma consequência fácil de aceitar.
Porque é importante para a Islândia?
Para os islandeses, os livros são mais do que passatempo; fazem parte da cultura. Por algumas estimativas, até 80% da receita anual das editoras chega durante a época natalícia.
Em Reiquiavique, dezembro enche-se de feiras do livro, encontros com autores, exposições e festivais. Falar de novidades editoriais torna-se hábito quotidiano, e a leitura liga gerações: os adultos leem e oferecem livros às crianças — prova de como esse ritual mantém o seu lugar.
E hoje?
Muita coisa mudou: o catálogo é frequentemente lido online, e as recomendações aparecem nas redes sociais ou em podcasts. A essência, porém, permanece. Os islandeses continuam a oferecer livros no Natal e a passar a noite de 24 de dezembro a ler — é um daqueles hábitos que resiste às modas.
O que distingue esta tradição?
Num mundo em que os presentes são cada vez mais gadgets e quinquilharias, a Islândia inclina-se para algo simples e reconfortante — o livro. Não exige muito dinheiro, mas oferece muita alegria e significado.
A enxurrada de livros não é um capricho sazonal. É uma forma de aproximar pessoas, partilhar histórias, passar tempo juntos e, por algumas horas, afastar-se de verdade do turbilhão.