05:43 05-01-2026
Lagos que mudam de cor: causas, onde ver e o que revelam
Descubra por que lagos camaleões mudam de cor: algas, minerais, clima e ação humana. Veja exemplos como Kelimutu e Lake Hillier e saiba quando é sinal de alerta.
Em fotos, um lago pode brilhar em turquesa; ao vivo, a água parece quase negra. Às vezes é o contrário: uma lâmina serena, cinzento‑esverdeada, de repente fica de um verde vivo. Não é Photoshop nem truque de luz. Esses lagos existem, muitas vezes apelidados de camaleões pelas tonalidades mutantes. Podem parecer de outro mundo, mas as forças por trás deles são bem reais — e a ciência vem se debruçando sobre elas com interesse crescente.
Não é exceção — é um padrão global
Lagos que mudam de cor não se limitam a cantos remotos, nem são tão raros quanto se imagina. Um estudo abrangente recente analisou 67 mil lagos no mundo e concluiu que quase 60% alteraram de cor pelo menos uma vez nas últimas décadas. Apenas 14% permaneceram estáveis.
As causas ultrapassam variações de estação e apontam para mudanças ambientais mais amplas: clima, ecologia, atividade humana. A cor de um lago é mais do que estética — é um sinal do que acontece dentro e ao redor da água.
Por que um lago passa do azul ao verde?
Algas e microrganismos. Com o calor, especialmente no verão, as algas podem proliferar. Esse boom transforma a água em tons de verde, castanho ou até vermelho — o fenómeno conhecido como floração.
Minerais e vulcões. Em certos casos, a mudança vem de substâncias que se infiltram do subsolo, inclusive de crateras vulcânicas. No vulcão Kelimutu, na Indonésia, três lagos craterais podem surgir azuis, vermelhos, cor de chocolate ou negros — mudando quase a cada estação.
Meteorologia. Chuva, sol, vento e temperatura moldam o aspeto da água. Céu limpo tende a realçar o azul; um dia nublado puxa para o cinzento.
Ação humana. Poluição, obras nas margens e variações do nível da água alteram a transparência, a cor e a química.
Quando a mudança de cor é um alerta
Há lagos que variam naturalmente. Outros acendem sinais de problema. Pesquisadores observam cada vez mais águas que ficam turvas, esverdeadas ou acastanhadas por efeito de poluição e do aquecimento do clima.
Na Austrália, um Pink Lake que já foi célebre deixou de ser rosa. O teor de sal mudou e as bactérias responsáveis pela coloração desapareceram — um desfecho associado à interferência humana. A perda soa como um aviso discreto.
Onde ver lagos-camaleão
Lagos de Kelimutu (Indonésia) ficam no topo de um vulcão. Mudam de cor com frequência e podem parecer dramaticamente diferentes de uma estação para outra.
Lagos rosa — como o Lake Hillier, na Austrália — devem o tom a micróbios e sal. Nem todos oscilam; alguns mantêm a cor estável.
Lagos de montanha e de floresta podem ficar azul‑céu no verão e verde turvo na primavera, conforme o derretimento da neve, a matéria orgânica das folhas e a transparência da água.
Às vezes a mudança é passageira e inofensiva. Noutras, indica que algo saiu do prumo.
Cientistas observam do espaço
Com o clima em mutação, o acompanhamento não se faz apenas em terra: vem também da órbita. Imagens de satélite ajudam a identificar quando — e por que — a cor muda.
Essa abordagem revela como os lagos respondem ao aquecimento, à poluição e a outras pressões. A cor funciona como um indicador, um sinal silencioso de que um lago vai bem ou precisa de proteção.
O que vem a seguir?
Não está garantido que os lagos continuem coloridos. Alguns podem perder os seus tons distintivos. Outros podem mudar com mais frequência por causa do calor, de cheias ou de poluição.
O que salta aos olhos é que os lagos camaleónicos são mais do que um cenário bonito. São sistemas vivos, sensíveis ao mundo à sua volta. E, se quisermos que continuem a surpreender com a sua paleta, o cuidado com a natureza precisa de sair da intenção e virar prática.