17:36 03-01-2026
Histórias à beira do fogo: Escandinávia e Europa de Leste hoje
Buscamos aldeias de contos de inverno à beira da fogueira na Escandinávia e na Europa de Leste. Veja onde a tradição resiste: Sagobygden, museus e festivais.
É possível, em pleno inverno, encontrar um lugar onde as pessoas ainda se sentam à beira do fogo para transmitir velhas histórias? Aldeias assim ainda existem na Escandinávia e na Europa de Leste.
Lugares de conto de fadas — existem mesmo?
A ideia de uma aldeia onde, nas noites longas e frias, vizinhos se juntam ao redor da fogueira para ouvir narrativas soa quase como um sonho. Especialmente em países onde o inverno se prolonga e o folclore faz parte do dia a dia. A busca aqui não mira aldeias de postal para turistas, mas sim tradições vivas, em movimento.
Ainda assim, encontrar esses lugares hoje está longe de ser simples. No último ano, não surgiram relatos, nem na Escandinávia nem na Europa de Leste, de verdadeiras noites de contação de histórias ao ar livre ou junto à lareira. Nada apareceu em sites oficiais ou em coberturas publicadas — um silêncio eloquente.
Onde a tradição de contar histórias ainda respira
Mesmo que as aldeias dedicadas ao inverno das histórias se revelem esquivas, a tradição em si permanece viva. Na Suécia, há uma região chamada Sagobygden — a Terra das Histórias. Ali fica o Museu das Lendas (Sagomuseet), que recolhe narrativas antigas e ajuda a proteger a arte da narração ao vivo.
Há também um festival de contadores na cidade de Skellefteå, que reúne intérpretes de todo o país. Pode não haver fogueiras a céu aberto, mas a essência está lá: gente capaz de prender uma sala apenas com uma história — sem tela e sem microfone.
E a Europa de Leste?
A região também é fértil em contos e lendas. Durante séculos, circularam histórias de espíritos, duendes domésticos, prodígios e ritos de inverno. Hoje, porém, elas surgem com mais frequência dentro de festas e feiras do que como serões exclusivos de narração. Pelo menos no último ano, encontros assim não ocorreram com regularidade — sobretudo não no formato de se reunir ao pé do fogo.
Então, desapareceu tudo?
Não. Apenas mudou de lugar. As histórias vivem agora em museus, em festivais e, às vezes, nas escolas. Dá para ouvi-las em podcasts e em eventos. O que falta, por ora, é aquele cenário de aldeia à volta da fogueira.
O interesse pelo folclore, no entanto, não arrefeceu. Na Escandinávia, em particular, museus e festivais desse tipo recebem apoio governamental. Não seria de estranhar que essas aldeias voltassem a surgir — especialmente à medida que as pessoas procuram formas mais lentas e afetivas de passar o tempo.
O que vem a seguir?
Cada vez mais viajantes se cansam do barulho e do turismo de massa. Procuram o que parece genuíno — conexão ao vivo, histórias antigas, calor humano. Por isso, a ideia de aldeias onde a narração ao entardecer faça parte do dia a dia pode ganhar corpo. Por enquanto, não há lugares a apontar; ainda assim, o cenário pode mudar.
Por ora, os contos de inverno à beira do fogo continuam a ser um belo desejo. Ainda assim, cresce o interesse por essas tradições. E talvez, em breve, surjam lugares assim onde o inverno é longo e as histórias continuam queridas.