17:32 01-01-2026
Por que pessoas escolhem viver em crateras de vulcões
Explore por que comunidades vivem em crateras de vulcões na Itália e na Indonésia. Solo fértil, rotina e risco se cruzam em Campi Flegrei e no Monte Sinabung.
Pode soar inacreditável que alguém escolha viver dentro de um vulcão. Costumamos imaginá-los à beira da catástrofe. Mesmo assim, em alguns países, as pessoas não só se instalam por perto — elas constroem casas em crateras antigas.
Por que fazem isso? Como é o cotidiano ao lado de um gigante desses? E o que as mantém ali, apesar do risco?
Não no fogo, mas na cratera
Antes, uma precisão. Cratera é a depressão no topo de um vulcão. Depois de erupções poderosas, podem surgir grandes bacias — as caldeiras. Com o tempo, esses lugares passam a lembrar vales comuns: áreas verdes, vilarejos, hortas.
É aí que as pessoas costumam viver — não no meio da lava, claro, mas dentro da área mais ampla do vulcão, onde um dia a fúria foi maior.
Itália: uma cidade dentro de um vulcão adormecido
Um exemplo marcante é a região de Campi Flegrei, perto de Nápoles, uma vasta depressão deixada por uma erupção antiga. Ali existem bairros residenciais, incluindo a cidade de Pozzuoli. As pessoas vivem por lá há muito tempo, mesmo com o movimento que persiste no subsolo.
De tempos em tempos, o chão sobe ou desce, ocorrem tremores leves e vapor e gases escapam por fissuras. Cientistas acompanham de perto e observam que a atividade se intensificou nos últimos anos. Ainda assim, os moradores ficam: é o lugar de origem, a vida já está organizada, o solo é fértil e a localização, conveniente. Em geral, a moradia nessas áreas também sai mais em conta.
Indonésia: vulcões por toda parte
A Indonésia é um país onde os vulcões estão praticamente em todo lugar. Segundo algumas estimativas, cerca de 75% da população vive a até 100 quilômetros de um vulcão. Para muitos, nem isso é distante o suficiente — há quem construa ao lado de vulcões ativos.
Na ilha de Sumatra fica o Monte Sinabung. Ele passou muito tempo quieto, mas nos últimos anos voltou a se agitar com frequência. Houve erupções, queda de cinzas, evacuações. E, mesmo assim, as pessoas retornam. Elas saem — e voltam. Por quê? Porque é a terra delas. Cultivam hortaliças, criam animais e tocam a vida. Muitos sabem como agir se a erupção começar e, com o tempo, acabam se acostumando a dividir a paisagem com um vulcão.
Por que não vão embora?
À primeira vista, viver perto de um vulcão soa perigosamente temerário. Mas esses lugares oferecem vantagens: solo fértil, clima favorável e um entorno familiar. Para muita gente, não é um ponto no mapa — é casa. A ameaça tende a parecer distante, quase abstrata, especialmente quando faltam alternativas reais.
Então há quem viva bem no centro da cratera?
Apesar dos títulos dramáticos, não há evidências confiáveis de que pessoas morem dentro de uma cratera ativa — seria arriscado demais. A maioria se estabelece em áreas mais seguras de crateras antigas ou nas encostas ao redor.
Aquela imagem de cartão-postal, com um chalé no fundo da cratera, provavelmente é só uma fantasia bonita. A vida em lugares assim existe, sim — só não no miolo do fogo.
Perigoso, mas rotineiro
Os cientistas monitoram com atenção a atividade vulcânica, sobretudo em regiões densamente povoadas. Mesmo quando há alertas, muita gente não tem pressa em sair. O hábito, as raízes profundas e a confiança de que “vai dar certo” pesam — e é difícil contestar essa lógica quando o dia a dia já se organiza em torno da terra.
Para moradores de áreas vulcânicas na Itália e na Indonésia, não se trata de uma escolha exótica — é simplesmente a vida. Uns nasceram ali, outros ergueram a casa, muitos mantêm pequenas propriedades — e seguem adiante, apesar do risco.
É um cotidiano difícil e arriscado, mas, de certo modo, racional. O solo dá colheita, o ar parece limpo, as casas resistem há décadas. E, se o vulcão está quieto, por que mudar? Vive-se como os antepassados viveram — com cautela e com a confiança serena de que tudo vai ficar bem.
Enquanto o vulcão dorme, a vida segue.