05:28 30-12-2025
Hahoe: uma aldeia viva da Coreia do Sul onde as portas ficam abertas
Descubra Hahoe, aldeia na Coreia do Sul reconhecida pela UNESCO, onde portas abertas, confiança e tradições confucionistas guiam uma comunidade viva.
Hoje, cercas altas, trancas e câmeras de segurança parecem parte da rotina. Ainda assim, na Coreia do Sul há um lugar onde a vida segue outras regras. Na aldeia de Hahoe, as portas costumam ficar destrancadas e ninguém estranha quando os vizinhos entram. Não é cenário nem museu a céu aberto, e sim uma comunidade viva em que confiança e ajuda mútua ditam o ritmo.
Casas sem cercas e sem trancas — por que isso funciona
Hahoe fica perto da cidade de Andong, na província de Gyeongsang do Norte. Basta um olhar para perceber: não é um lugar comum. Cercas quase não aparecem, portas ficam abertas com frequência e ninguém se preocupa com visitas sem aviso.
Pesquisadores que estudam povoados tradicionais da Coreia apontam que isso vai além de uma excentricidade local: é parte da cultura. Porta aberta significa que as pessoas não têm medo umas das outras e optam por confiar. Esse gesto simples mantém os laços de vizinhança vivos e próximos.
Uma história que segue em curso
A aldeia tomou forma há muitos séculos, durante a dinastia Joseon. Um grande clã de sobrenome Ryu se estabeleceu ali, e a maioria dos moradores ainda descende dessa linhagem. A vida funciona como uma família ampliada: todos se conhecem, oferecem ajuda e dividem as tarefas da comunidade.
O que chama atenção é o quanto a aldeia mudou pouco ao longo dos séculos. As casas antigas hanok, com telhados de telha, as vielas estreitas e o modo de vida tradicional resistiram. A UNESCO reconheceu Hahoe como Patrimônio Mundial — pela autenticidade, não por encenar um passado.
Gente que vive junto — na prática, não apenas lado a lado
Em Hahoe vivem cerca de cem pessoas. E, embora turistas cheguem de várias partes do mundo, a aldeia continua sendo um lugar de morada, não um mero pano de fundo para visitantes.
A vida se desenrola de forma coletiva: festas, rituais e até a rotina do dia a dia. A aldeia ainda realiza uma antiga dança de máscaras — não como entretenimento, e sim como tradição que reúne todos. Os moradores acreditam que ela protege a comunidade e traz boa sorte.
Por que se vive assim: filosofia em ação
A ideia que orienta a vida em Hahoe vem do confucionismo, filosofia de longa data importante na Coreia. Ela incentiva o respeito, o cuidado com os mais velhos e a harmonia. Por isso não há pressão para se esconder atrás de cercas — a confiança é o ponto de partida.
No passado, aldeias como esta tinham escolas onde as crianças aprendiam etiqueta, leitura e história. Um antigo pavilhão de estudos ainda está de pé, lembrança daquele tempo.
E hoje? A vida segue — e mudar não está nos planos
No mundo de hoje, viver com portas abertas parece arriscado. Mas os moradores de Hahoe não demonstram grande preocupação. Blogueiros de viagem relatam que ainda se vê gente sentada ao lado da porta escancarada, enquanto os vizinhos entram para conversar — como se fazia há anos.
Os turistas chegam com mais frequência, e isso deixa marcas. Ainda assim, o clima do lugar segue reconhecível: calmo, confiante, acolhedor.
O que este lugar pode ensinar
Hahoe é mais que uma aldeia. É um lembrete vivo de que a confiança entre as pessoas continua possível. Sem cercas, sobra espaço para conversar, ajudar, aproximar.
Não agrada a todos. Mas Hahoe sugere que confiar não é fraqueza — é uma escolha que simplifica a vida e a torna mais gentil.