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10 destinos mágicos para viver o inverno na Rússia

Descubra o inverno na Rússia em 10 destinos inesquecíveis: Carélia, Kizhi, Suzdal, Murmansk e Teriberka, Baikal, Yaroslavl, Altai, Kamchatka e Taganay.

© Dasha Sysoeva

O inverno na Rússia é mais do que frio: é quando cidades e territórios selvagens mudam de ritmo e ganham um ar de conto. A neve pousa sobre igrejas antigas, aldeias e florestas como um edredão macio; os lagos tornam-se espelhos de cristal; e, no extremo norte, a aurora pinta o céu com cores elétricas. Todos os anos, o país oferece cenas que parecem encantadas. É nessa vibração que estes lugares revelam a sua magia — das florestas silenciosas da Carélia ao gelo fantástico do Baikal e às luzes do norte sobre Murmansk.

Entre eles: Carélia; Kizhi; Suzdal, o Anel de Ouro da Rússia; Murmansk e Teriberka; Lago Baikal; Yaroslavl; Veliky Ustyug, Oblast de Vologda; Altai; Kamchatka; Urais, Parque Nacional de Taganay.

Carélia

Bella-2016, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

No inverno, a Carélia parece envolta num conto cintilante. Florestas sem fim dormem sob neve funda, os abetos usam coroas fofas e os ramos brilham quando o sol baixo rasga as nuvens. O silêncio aqui chama atenção — interrompido apenas pelo sussurro dos flocos e pelo estalo dos ramos gelados. Os lagos selam sob gelo firme e refletem o céu como vidro polido, com desenhos que parecem traçados à mão.

A cascata de Kivach, que nunca congela por completo, corre entre crostas de cristal que prendem a luz como joias antigas. Nos eskeres do Ladoga, as ondas imobilizam-se em formas escultóricas — silhuetas de gelo quase irreais na sua imobilidade.

Em noites límpidas, as luzes do norte costumam tingir o céu de verde e violeta — um daqueles instantes que fazem parar. Capelas de madeira, cabanas polvilhadas de neve e trilhos estreitos pela floresta reforçam a sensação de que o folclore está por perto. O inverno na Carélia é um espetáculo contido — claro, luminoso, sossegado.

Kizhi

© Dasha Sysoeva

Na ilha de Kizhi, o inverno coloca a arquitetura de madeira contra a beleza sóbria do norte. No meio de planícies nevadas e das águas congeladas do lago Onega, erguem-se as silhuetas das igrejas e capelas cobertas por geada miúda. O conjunto principal, com as suas muitas cúpulas a lampejar ao sol pálido, parece um trabalho conjunto entre natureza e ofício — suspenso num reino de gelo e neve.

Encerrado pelo rigor do inverno, o Pogost de Kizhi parece preso no tempo. Com entalhes intrincados e sem um único prego, os edifícios permanecem como numa história de inverno sem fim. A neve amortece todos os telhados; o ar frio aguça o silêncio da ilha. Em dias límpidos, as cúpulas recortam o azul duro; com céu fechado, o branco encontra o horizonte e a paisagem dissolve-se em pura luz.

Ao pôr do sol, os templos recolhem tons dourados e rosados e o tempo abranda. No inverno, Kizhi transmite uma paz funda — a história viva entre florestas e gelo — numa ilha onde a estação se mostra por inteiro nas margens do Onega.

Suzdal, o Anel de Ouro da Rússia

Оля Маркова, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

No inverno, Suzdal poderia estar pintada numa caixa de laca. Espalhada sobre colinas suaves, a cidade mergulha num manto imaculado e cada canto ganha uma calma festiva. Cúpulas e igrejas antigas brilham na praça central sob geada e neve, refletindo a luz como se tivessem incrustações. Casas de madeira com gelosias trabalhadas e campanários compõem um painel de inverno; o brilho sob os pés reforça o encanto discreto.

Contra os prados brancos e a curva congelada do rio Kamenka, ergue-se o Kremlin de Suzdal com paredes de pedra branca e igrejas antigas. No auge do frio, o rio vira caminho de gelo — perfeito para um passeio de trenó. A prata nua das árvores geladas e os campos abertos ampliam a sensação de espaço. À medida que o Natal se aproxima, guirlandas e estrelas tomam as ruas; o aroma de mel e pastelaria quente sai das lojas antigas e a cidade parece um convite aceso.

Ao caminhar devagar por fachadas entalhadas e casas antigas, sente-se o peso dos séculos. Cada igreja e mosteiro é um achado — o Mosteiro de Pokrov, o imponente Spaso-Evfimiev — ainda mais marcantes no inverno, um tom mais misteriosos e serenos.

Murmansk e Teriberka

© Dasha Sysoeva

Ao norte do Círculo Polar, Murmansk e Teriberka mostram o inverno em forma crua e magnética. As noites alongam, o frio adensa e o silêncio ganha peso. Murmansk, cercada por neve e gelo, acende-se como um bolso de calor numa imensa paisagem branca. A neve amacia as ruas; contra ela, a cidade parece ainda mais acolhedora.

Em Teriberka, o ambiente fica bruto e hipnótico. No mar de Barents, ondas congeladas, gelo esculpido pelo vento e falésias geladas dão à costa um tom mítico. Cascatas transformam-se em varandas de gelo; o litoral assume formas estranhas e belas, como se o norte contasse uma história sem pressa. Então a aurora abre o céu — traços verdes, violetas e rosados nas noites polares — um espetáculo demorado, íntimo e imenso ao mesmo tempo.

Teriberka, no inverno, é o norte em voz cheia: austero e cativante, um lugar de horizontes brancos e luzes do norte que ficam na memória como a imagem do Ártico que se leva consigo.

Lago Baikal

Ramitka, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

No inverno, o Baikal transforma-se num reino de gelo à escala do lago. Uma crosta impecável estende-se até ao horizonte, um espelho que parece guardar outro mundo por baixo. O gelo aqui é surpreendentemente límpido — bolhas presas a diferentes profundidades, filamentos de algas imobilizados, e a superfície inteira com aspeto de vidro.

Ao caminhar por esse plano luminoso que range, cada fenda e cristal parece uma pista da vida secreta do lago. Cristas azuis e blocos soerguidos apanham a luz e desfazem-na em tons de turquesa; alguns lembram torres, outros, lascas colocadas por uma mão paciente.

Nas margens, formam-se grutas e cavernas com cortinas de gelo, “estalactites” delicadas como gotas cristalizadas. Ao entrar, é como pisar um salão de cristal lapidado. Ao nascer e ao pôr do sol, o gelo cora de rosa e laranja, e tudo cintila — uma paisagem refletida num espelho encantado.

O inverno do Baikal é sóbrio e vigoroso — natureza no seu traço mais nítido — e cada miradouro parece tocado por uma certa solenidade gelada.

Yaroslavl

Николай Васильевич Белавин, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Yaroslavl, no inverno, é um clássico russo à beira do Volga. Sob a neve, cúpulas e igrejas antigas tornam-se mais misteriosas e belas. Ruas e cais, enquadrados por árvores de ramos brancos, convidam a andar sem pressa; a cada esquina há um fragmento de história envolto em geada. As igrejas de pedra branca com cúpulas coloridas destacam-se no céu pálido como se o tempo aqui andasse devagar.

O Kremlin da cidade ganha um ar teatral nesta estação. Neve e geada amaciam as torres altas e muralhas, e, à luz da manhã ou de candeeiros ao entardecer, brilham como lanternas antigas. O Volga, muitas vezes selado pelo gelo, acrescenta grandeza silenciosa, com a superfície a refletir agulhas e cúpulas como num painel pintado.

Em dezembro, as luzes multiplicam-se — guirlandas sobre as ruas, árvores acolhedoras no centro. Mercadinhos, aroma de sbiten quente e pão de mel, e estrelas festivas nas fachadas dão o tom certo, fácil imaginar um trenó a tilintar por ali.

Com ruelas acolhedoras, igrejas carregadas de neve e edifícios centenários, Yaroslavl agrada a quem procura o inverno russo onde história e beleza caminham lado a lado.

Veliky Ustyug, Oblast de Vologda

Helengorl, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Veliky Ustyug entrega a estação no seu registo mais festivo. Conhecida como casa do Ded Moroz, a cidade abraça o inverno: neve funda assenta nos telhados das casas antigas, e as florestas ao redor transformam-se num domínio branco. Com as suas igrejas históricas e ruas tranquilas, o lugar parece saído de lendas antigas.

Na propriedade do Ded Moroz, abetos altos vestem-se de luzes e enfeites. Caminhos cobertos de neve passam por esculturas de gelo e casas de madeira entalhada que parecem desenhadas pela própria estação. A marcenaria delicada, polvilhada de geada e iluminada para as festas, cria um ambiente acolhedor — com cheiro de pinho e pastéis quentes no ar.

A visita à residência é uma pequena aventura: os hóspedes encontram ajudantes bem-dispostos e renas, percorrem trilhas na floresta e, claro, podem conversar com o dono da estação. Passeios de trenó, escorregas de gelo e rinques de patinagem acendem-se ao cair da noite como se fossem recortados em cristal.

Aqui, adultos e crianças deixam-se levar pela sensação de que as histórias são verdadeiras — ruas todas de branco, mercados vivos, igrejas antigas e uma lenda a morar ali ao lado.

Altai

Кирилл Петухов, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

No Altai, o inverno afia os contornos e desperta um eco de magia antiga. Picos vestem gorros brancos, florestas viram cristal e lagos e rios brilham como espelhos escondidos entre serras antigas.

O lago Teletskoye, entre os cenários mais belos da região, costuma ficar sob um leve véu de neblina; as margens gelam e a superfície reflete as montanhas como num vidro de conto. Entre cadeias de picos — com mantos de neve e encostas geladas a alternar — a paisagem ganha um silêncio que parece de outro mundo. Ao entardecer, rosa e dourado tomam os cumes, e a neve resplandece como que iluminada por dentro.

O rio Katun vira uma tela viva de gelo e neve. Raramente congela por completo, deixando pontes e desenhos de gelo que revelam a força tranquila da corrente. Grutas e escarpas acumulam formas que a natureza parece ter desenhado à mão — palácios de gelo, figuras cristalinas, criaturas que lembram contos antigos.

Cada passo no Altai parece cruzar um limiar: florestas de cedro cobertas de geada, planícies brancas sem fim e trilhas que se apagam adiante. O silêncio instala-se de um jeito difícil de esquecer, quebrado só pelo vento e pelo chamamento raro de um pássaro.

Kamchatka

Michael Haing, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

O inverno em Kamchatka é selvagem e teatral. Vulcões nevados erguem-se como gigantes e guardam um horizonte austero. Entre eles, estendem-se lençóis de neve que cintilam ao sol e prateiam ao luar, como se a paisagem tivesse sido pensada para uma saga do norte.

Um dos contrastes mais surpreendentes da estação são as fontes termais a fumegar no gelo. O vapor branco levanta-se da água e avança sobre a neve, criando um véu leve pelos prados. O ar morno em torno das piscinas dá à cena um toque de irreal — um bolsão de conforto no meio do rigor.

Florestas cobertas por neve profunda estendem-se adiante, com árvores altas quase transformadas em esculturas. Em trilhos silenciosos aparecem pegadas de animais selvagens, e a sensação de espaço cresce ainda mais. São imagens de inverno quase brutas, elementares, uma natureza contida e viva.

Quando o céu da noite se abre e as luzes do norte irrompem em verdes, azuis e roxos, as montanhas e rios congelados ganham um brilho que faz a península parecer uma porta para outro mundo — onde “magia” é só o nome do que a natureza faz.

É um lugar em que vulcões, gelo e silêncio se juntam num cenário de inverno que fica na memória por muito tempo.

Urais, Parque Nacional de Taganay

Евгений Кудымов, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Nos Urais, o Parque Nacional de Taganay parece um teatro de neve e pedra. Penhascos brilham com geada, pinheiros antigos vergam sob o peso branco e cada encosta veste um manto novo que abafa o mundo. O silêncio aqui tem presença, como uma história interrompida a meio.

Formações famosas — como a Colina de Duas Cabeças e a Cordilheira Otkliknoy — lembram castelos de gelo rodeados por florestas macias. A geada desenha padrões delicados e, em dias límpidos, a rocha devolve a luz como cristal lapidado. Estes guardiões de pedra dão ao parque a sua identidade.

Trilhos conduzem a cristas e córregos congelados, por ramos cobertos de geada e crescimentos de gelo na rocha que parecem criaturas de fábula. Ao fim do dia, tons rosados e violetas escorrem pelas árvores e pela pedra, e o lugar inteiro ganha um brilho manso.

No inverno, Taganay é um assombro tranquilo — os passos rangem, o vento sussurra nas agulhas, e o ar cheira limpo, com um leve toque de resina. É um recanto dos Urais onde a estação mostra o seu melhor: sóbria e cintilante, com a paisagem a falar por si.