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Como o mundo celebra o Ano-Novo: costumes e curiosidades
Descubra tradições de Ano-Novo pelo mundo: rituais, símbolos e costumes na Espanha, Itália, Grécia, Escócia, Dinamarca, Japão, China, Filipinas e Índia.
O Ano-Novo é um daqueles raros momentos que, sem alarde, aproximam pessoas em todos os continentes. Independentemente da cultura ou do calendário, é uma pausa para fazer o balanço do que passou e avançar para o futuro com uma dose de esperança. Já as formas de celebrar contam histórias vivas de história, lugar e identidade — diferentes entre si, todas carregadas de símbolos.
Dos carnavais que tomam ruas inteiras às mesas familiares mais íntimas, dos rituais flamejantes aos hábitos discretos em casa, o Ano-Novo chega em incontáveis versões — e cada uma parece ter peso próprio. Este é um passeio por como o mundo recebe a virada, com costumes que surpreendem, encantam e, às vezes, dão vontade de adotar algum na sua própria celebração.
Espanha
Na Espanha, a Nochevieja é leve e luminosa, ancorada em uma tradição que todo mundo conhece: doze uvas na batida da meia-noite. A cada badalada, come-se uma uva — doze ao todo —, atribuindo um desejo ou um pouco de sorte a cada mês pela frente. Quem consegue dar conta da dúzia no tempo certo, dizem, entra no ano com bons ventos. O costume fincou raízes no fim do século XIX e, segundo a história, ganhou força em 1909 após uma colheita de uvas especialmente farta — um timing esperto que virou ritual nacional.
Há também o apreço por vestir roupa íntima vermelha, um aceno à sorte e ao amor no ano que começa. A noite costuma iniciar em casa e transbordar para as ruas depois da meia-noite, com a Puerta del Sol, em Madri, atraindo multidões que querem ouvir o relógio e receber o ano juntos. A cena não perde o encanto.
Itália
O Capodanno italiano mistura espetáculo e simbologia. Poucos rituais são tão emblemáticos quanto a roupa íntima vermelha — usada como amuleto de sorte, amor e proteção contra contratempos. Outro hábito é organizar a vida despejando velharias no último dia do ano. Em algumas regiões, já se chegou a jogar fora até objetos grandes, um gesto ousado de desapego; hoje, o espírito permanece, mesmo que os métodos sejam mais gentis.
Para os românticos, um beijo na ponte ou à beira d’água à meia-noite promete atrair sorte e fortalecer o amor. Um cenário poético para um recomeço.
Grécia
Na Grécia, a Protochronia (Πρωτοχρονιά) coincide com o dia de São Basílio, o portador de presentes na tradição grega. No centro da mesa está a vasilopita, um bolo ou pão festivo com uma moeda assada dentro. As fatias são repartidas entre a família, os convidados e, simbolicamente, com Deus, São Basílio e a casa. Quem encontra a moeda é visto como agraciado com sorte para o ano.
As romãs também ganham destaque: famílias a quebram na soleira, e quanto mais sementes se espalham, mais prosperidade se espera. Jogos de cartas e de tabuleiro animam a noite — uma maneira lúdica de chamar fortuna financeira. Muitos marcam a meia-noite com luzes da igreja e oração. Há uma beleza serena quando fé e folclore se encontram.
Escócia (Hogmanay)
O Hogmanay escocês é o Ano-Novo no volume máximo, com raízes em ritos pagãos do solstício e ecos vikings. Uma tradição marcante é o First Footing: acredita-se que o primeiro visitante a cruzar a porta depois da meia-noite define a sorte do lar. O “primeiro passo” ideal, diz o costume, é um homem de cabelos escuros trazendo pequenos símbolos — carvão para o calor, pão para a fartura, sal para o sabor, uísque para a alegria e uma moeda para a riqueza.
O fogo está por toda parte no imaginário do Hogmanay. Edimburgo ilumina o céu com fogos, enquanto lugares como Stonehaven exibem procissões flamejantes. E, na virada, todos dão as mãos para cantar Auld Lang Syne, formando um círculo que representa amizade e união. É difícil pensar em uma festa de Ano-Novo mais abertamente coletiva.
Dinamarca
Na Dinamarca, o Nytårsaften traz rituais bem-humorados que sinalizam renovação e boa sorte. Um dos mais marcantes é quebrar pratos nas portas de amigos e parentes. A pilha de cacos pela manhã é lida como medida de sorte — e de afeto. Um costume travesso, mas caloroso.
O discurso anual da Rainha às 18h do dia 31 reúne famílias diante da televisão, um momento compartilhado de reflexão. À meia-noite, muita gente salta de uma cadeira ou banquinho para “pular” para o Ano-Novo, deixando para trás os tropeços. Vem o brinde com champanhe, muitas vezes acompanhado do alto kransekage de marzipã. Muita gente também capricha na limpeza de casa antes da data, um quadro arrumado para o que virá. O salto coletivo é aquele tipo de teatro leve que fica na memória.
Japão
O Oshogatsu é um dos feriados mais queridos do Japão, um recomeço sereno e claro, sustentado pela família e por uma limpeza espiritual. No fim de dezembro, as casas passam pelo oosouji, a faxina profunda que varre os resíduos do ano para receber o próximo com ordem e harmonia.
Nos templos, na véspera, os sinos tocam o Joya no kane — 108 badaladas, cada uma limpando simbolicamente um desejo mundano. O silêncio que vem depois parece um botão de reinício para a alma.
A comida de Ano-Novo — o osechi-ryori — chega em caixas laqueadas, com cada prato carregando um voto para o futuro. Também se enviam nengajo, cartões que os correios se esforçam para entregar precisamente em 1º de janeiro. Nos primeiros dias do ano, muitos fazem o hatsumode, a primeira visita a um santuário ou templo para pedir saúde, felicidade e sucesso, aproveitando para pegar amuletos e deixar desejos escritos.
China
O Ano-Novo Chinês — o Festival da Primavera — segue o calendário lunar e chega entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro. É um tempo de renovação e família, que começa com a limpeza cuidadosa da casa para varrer o azar e continua com enfeites vermelhos para atrair sorte.
O jantar de reunião na véspera põe todos à mesa. Pratos simbólicos são indispensáveis: bolinhos cujo formato lembra lingotes de ouro, peixe para abundância e bolinhas de arroz que representam a união familiar. Os mais velhos oferecem envelopes vermelhos com dinheiro aos mais jovens, juntando a cor da sorte a votos de prosperidade.
Fogos e rojões são parte folia, parte lenda — dizem que espantam a criatura Nian com barulho e vermelho. Nos dias seguintes, danças do leão e do dragão animam as ruas com força, proteção e alegria. As visitas a parentes e amigos seguem até o Festival das Lanternas, no 15º dia, quando lanternas iluminadas elevam esperanças na noite. A coreografia do feriado — de faixas carmesim a tambores ritmados — transforma tradição em espetáculo vivo.
Filipinas
Nas Filipinas, o Bagong Taon é exuberante e eclético, combinando influências espanholas, chinesas e locais. Os círculos estão por toda parte — símbolos de moedas, riqueza e fartura —, então as casas se enfeitam com objetos redondos, poás entram em cena e doze frutas redondas representam sorte para cada mês do ano.
O barulho é essencial: fogos, rojões, tampas de panela, apitos, até colheres batendo nos pratos para espantar maus espíritos e abrir caminho para a alegria. Muita gente salta no exato momento da virada, torcendo para crescer; portas e janelas se escancaram para deixar a sorte entrar. As pessoas chacoalham moedas ou espalham notas pela carteira e pela casa para chamar prosperidade. Com uma população majoritariamente católica, orações e missas moldam a celebração. Poucos lugares abraçam o barulho festivo com tanta disposição.
Índia
A Índia recebe o Ano-Novo de muitas maneiras, refletindo sua amplitude cultural, suas fés e ritmos regionais. O dia 1º de janeiro ganhou força sobretudo nas cidades, com festas, fogos, música e dança, enquanto presentes — doces, flores, pequenos mimos — carregam bons votos para o período que começa.
Pelo país, o Ano-Novo também aparece em datas diferentes conforme calendários locais, cada qual com tradições próprias. No sul, o Pongal (o Ano-Novo tâmil) acontece em janeiro e está ligado ao fim da colheita. No oeste, o Gudi Padwa (em Maharashtra) e o Navroz (entre os parsis) celebram a renovação da primavera, com casas adornadas por bandeiras e pétalas e mesas cheias de pratos festivos. No norte, o Vaisakhi (para os sikhs) é um festival da colheita que também inaugura o ano, marcado por oração, canto e danças folclóricas como o bhangra. No leste, Bengala Ocidental observa o Pohela Boishakh em abril, com roupas novas, visitas a templos e comidas especiais.
As casas brilham com diyas, guirlandas de flores e desenhos de rangoli, enquanto orações e bênçãos abrem o ano nas tradições hindus. Em algumas regiões, fogos e luzes acrescentam um sentido de conquista e alegria. O mosaico de calendários e costumes parece um retrato do país em miniatura: diverso, enérgico e sempre voltado para a frente.