02:00 24-12-2025

Os carros clássicos de Havana: origem, engenho e alma da cidade

Descubra por que os carros clássicos de Havana são símbolo de Cuba: origem americana, engenho dos mecânicos, valor cultural e futuro incerto. Passeio único.

Dudva, CC0, via Wikimedia Commons

Havana evoca fachadas luminosas, ruelas estreitas, ritmos que não descansam — e, claro, aqueles veneráveis automóveis. Os carros em tons de arco-íris viraram mais do que transporte: tornaram-se um emblema cubano. Ainda assim, por trás do cromado impecável há uma história cheia de curvas próprias.

Como os carros americanos se tornaram parte de Cuba

Nas décadas de 1940 e 1950, Havana prosperava. Cuba mantinha comércio ativo com os Estados Unidos, e a ilha se encheu dos modelos mais novos de Chevrolet, Ford, Buick e Cadillac. A cidade parecia uma vitrine a céu aberto.

Tudo mudou após a revolução de 1959. As novas autoridades encerraram a iniciativa privada, e o embargo dos Estados Unidos cortou o acesso a carros e peças. Aos proprietários, restou manter as máquinas vivas com reparos e inventividade. Dessa pressão nasceu um ofício de restauração genuíno — e é ele que até hoje mantém muitos desses carros em movimento.

Os mecânicos cubanos são verdadeiros mestres

Os donos aprenderam a improvisar. As peças originais desapareceram há muito tempo, e os cubanos passaram a substituir componentes por partes de outros veículos. Um Cadillac dos anos 1950 pode carregar peças de um Volga soviético, enquanto um Buick roda com motor de um caminhão chinês. Cada carro é um mosaico montado com cuidado, um quebra-cabeça de peças díspares — e, mesmo assim, o encanto segue intacto.

Carros clássicos são mais do que transporte

Hoje, esses carros fazem parte do tecido cultural do país. O governo proíbe sua exportação, reconhecendo o valor que têm. Havana lembra um grande museu ao ar livre, onde dezenas de clássicos reluzentes desfilam em tons que vão do turquesa ao escarlate. Para quem visita, um passeio não é só foto para a lembrança — é quando o caráter da cidade realmente se revela.

O futuro dos clássicos de Havana

Apesar da popularidade, o horizonte é incerto. A cada ano, a manutenção fica mais difícil, e mesmo os mecânicos mais habilidosos só conseguem estender a vida dessas máquinas até certo ponto.

Nos últimos anos, carros modernos — em sua maioria da China e da Rússia — passaram a circular pelas ruas de Havana. Eles estão redesenhando a paisagem urbana, embora pareça improvável que desbanquem totalmente os veteranos.

Os clássicos de Havana são um pedaço da alma da cidade. Depois de décadas de aperto econômico e desafios mecânicos, continuam a encantar moradores e visitantes. Enquanto essas ícones dividirem a rua com a brisa do mar e a música, Havana preserva seu rosto inconfundível e único.