05:37 23-12-2025

Do arroz ao sushi: quando os tributos no Japão eram em comida

Descubra como, no Japão antigo, impostos eram pagos em espécie — arroz, peixe e até sushi fermentado — e por que, do século IX em diante, o dinheiro liderou.

By Fernando Archuby - Own work, CC BY 4.0, Link

Hoje, falar em impostos é pensar em dinheiro. No Japão antigo, o cenário era outro: tributos podiam ser quitados com arroz, tecido e até sushi.

No século VIII, a maioria das regiões pagava impostos em espécie. Alimentos de longa duração eram especialmente valorizados — arroz, peixe e outros mantimentos. O arroz era visto como a grande riqueza do país: cultivado por toda parte, sustentava a dieta japonesa. Alguns registros daquele período mencionam que o sushi também podia servir como pagamento.

Vale lembrar que o sushi daquela época não se parecia em nada com os rolinhos de hoje. Eram preparações fermentadas ou salgadas. O método era simples: o peixe era envolto em arroz e deixado por meses, às vezes anos — técnica que fazia o alimento durar muito.

E não era só sushi que o Estado aceitava. Mexilhões, abalone, algas e outros frutos do mar também entravam na conta; seguiam para a capital e eram distribuídos entre funcionários, militares e até templos.

Com o tempo, o sistema tributário mudou. Entre os séculos IX e X, as autoridades começaram a migrar para pagamentos em dinheiro. Coletas em produtos se mostravam pouco práticas em grande escala — difíceis de transportar e estocar. À medida que a economia se desenvolvia e o comércio ganhava peso, o dinheiro assumiu o protagonismo. No século XII, os impostos eram pagos sobretudo em dinheiro e, no XVI, a arrecadação em bens quase desapareceu.

O episódio do sushi usado para pagar tributos é um detalhe eloquente do quanto a economia japonesa mudou ao longo dos séculos — um lembrete de uma era que privilegiava a durabilidade, não a frescura.

Hoje, um sistema assim parece impensável. Ainda assim, alimentos raros e caros continuam a indicar status: trufas, frutos do mar de alto padrão, vinhos envelhecidos — ecos daqueles velhos “sushis”. Permanecem desejados, e há quem pague caro por eles.

No fim das contas, talvez o sushi ainda seja uma espécie de “tributo” para os gourmets — só que, agora, os pagamentos vão para os restaurantes, não para os cobradores do Estado.