05:22 21-12-2025
Por que Machu Picchu foi abandonada? As principais hipóteses
Descubra as principais hipóteses sobre o abandono de Machu Picchu: epidemias, deslocamentos incas e escassez. História, arqueologia e mistério no Peru.
Machu Picchu é um dos lugares mais impressionantes do planeta. Esta antiga cidade inca, escondida nas montanhas do Peru, permaneceu esquecida até ser redescoberta em 1911 pelo explorador norte-americano Hiram Bingham. Desde então, arqueólogos vasculham seus muros, terraços e templos, mas uma pergunta persiste: por que as pessoas a abandonaram de repente? Para onde foram os seus moradores?
Como a cidade surgiu — e por que foi construída
Machu Picchu ganhou forma no século XV, quando os incas viviam o auge do seu poder. Foi, ao mesmo tempo, residência de governantes, espaço sagrado e, possivelmente, refúgio contra inimigos. Séculos depois, sua alvenaria permanece firme, como se tivesse sido assentada ontem. Os incas dominaram a construção em pedra seca, e suas técnicas ainda surpreendem os pesquisadores.
A cidade ergue-se bem alto na montanha, a quase 2,5 quilômetros acima do nível do mar. Essa altitude lhe dava segurança, mas complicava o abastecimento de alimentos e água. Ainda assim, apesar das vantagens, seus habitantes foram embora. Por quê?
Hipótese 1: uma doença devastadora
Uma explicação amplamente discutida é uma epidemia. Quando os espanhóis chegaram à América do Sul, no século XVI, trouxeram doenças até então desconhecidas por aqui. A varíola, por exemplo, matou milhões, inclusive entre os incas. Embora os espanhóis não tenham entrado em Machu Picchu, a doença poderia ter se espalhado por comerciantes ou viajantes.
Se o contágio chegou à cidade, os moradores podem ter morrido ou fugido para escapar. Até agora, porém, faltam provas contundentes.
Hipótese 2: deslocamento para outro lugar
Outra linha de raciocínio sugere que a partida não se deveu a doenças, e sim a uma ordem. À medida que a conquista espanhola avançava, líderes incas podem ter decidido mudar-se para um local mais prático — como Vilcabamba, a última grande cidade inca onde a resistência prosseguiu.
Se foi esse o caso, Machu Picchu simplesmente perdeu relevância, e as pessoas partiram em busca de uma vida mais viável.
Hipótese 3: escassez e tempos difíceis
Há ainda a possibilidade da escassez. Os espanhóis desarticularam as estradas que ligavam as cidades incas, o que tornou difícil levar mantimentos até Machu Picchu. Sem um abastecimento regular, a rotina ali pode ter se tornado insustentável.
O que dizem os arqueólogos
Ao examinar o sítio, os pesquisadores não encontraram vestígios de guerra ou de mortes em massa. Isso aponta mais para uma saída voluntária do que para uma catástrofe súbita. Ainda assim, nem todos os pertences foram levados — detalhe que sugere pressa. Nesse quadro, a ideia de uma retirada organizada — ainda que às pressas — parece dialogar melhor com os indícios, sem que isso feche a questão.
Este mistério será desvendado?
Hoje, pesquisadores continuam a estudar Machu Picchu com ferramentas modernas. Levantamentos aéreos, por exemplo, vasculham camadas ocultas sob a superfície em busca de novas pistas. Talvez, um dia, as evidências inclinem a balança para uma das hipóteses. Até lá, convém desconfiar de conclusões fáceis.
Por enquanto, Machu Picchu permanece não apenas como um prodígio arquitetônico, mas também como um dos enigmas mais instigantes da história.