09:46 18-12-2025
A pirâmide de Kukulcán, o calendário vivo de Chichén Itzá
Descubra como a pirâmide de Kukulcán, em Chichén Itzá, é um calendário maia: 365 degraus, 18 patamares e a serpente nos equinócios revelam seu engenho.
Quando os viajantes chegam a Chichén Itzá, costumam ir direto à Pirâmide de Kukulcán, o símbolo que dá identidade a essa antiga cidade maia. Poucos percebem que ela é mais do que uma construção antiga ou um templo: a pirâmide também funciona como um calendário em pleno funcionamento, que acompanha o tempo com precisão surpreendente, sem um único circuito ou fio.
Tantos degraus quanto dias no ano
A pirâmide tem quatro escadarias, cada uma com 91 degraus. Somando todas e incluindo o patamar superior, chega-se a 365 — o número exato de dias de um ano comum. Não foi por acaso. A precisão salta aos olhos e diz muito sobre a ambição do projeto.
A estrutura também apresenta 18 patamares, que, segundo pesquisadores, representam os 18 meses de 20 dias do calendário maia. É difícil não se impressionar com a clareza com que os construtores compreendiam o curso do tempo e fincaram esse saber na pedra.
Como o sol dá vida à serpente
O momento mais cativante acontece duas vezes por ano, nos equinócios de primavera e outono. A luz do sol incide sobre a pirâmide em um ângulo tal que uma sombra em forma de serpente parece deslizar pela escadaria. Não é ilusão: trata-se de um efeito cuidadosamente planejado, associado ao deus Kukulcán, que os maias representavam como uma serpente emplumada.
Esse jogo de luz evidencia que o edifício não foi concebido como mero ornamento. Ele ajudava a acompanhar a virada das estações e a localizar datas-chave do calendário. É o tipo de precisão que transforma pedra em instrumento de medição.
Um calendário que dispensa baterias
Os maias utilizavam vários calendários: uma contagem solar de 365 dias; um calendário ritual para cerimônias e festividades; e um sistema para registrar longos períodos, como anos e séculos. Em conjunto, orientavam o plantio e a colheita, além do momento de realizar os ritos.
O notável é que seus cálculos eram de alta precisão. Eles conheciam a duração do ano com erro mínimo — mais acurada do que a Europa conseguiria por vários séculos depois. E alcançaram isso sem telescópios, computadores ou qualquer recurso digital.
Pesquisadores continuam a examinar a pirâmide e seguem encontrando novos detalhes. Por exemplo, foram identificadas no interior cavernas subterrâneas com água, que podem ter tido significado especial. Há ainda hipóteses de que a construção não servia apenas como calendário, mas também ajudava a amplificar o som durante cerimônias.