09:40 09-12-2025
Onde provar 14 pratos icónicos do mundo e as cidades certas
Descubra um roteiro gastronómico com 14 pratos icónicos — do sushi ao pho e à paella — e saiba em quais cidades do mundo eles brilham de verdade e onde provar.
Viajar vai além do encanto dos lugares inéditos e dos costumes desconhecidos; é também uma rara oportunidade de provar os pratos que definem países e regiões. Passadas de cozinha em cozinha ao longo de gerações, as tradições culinárias dão a cada lugar um sabor próprio e conseguem transformar qualquer roteiro numa descoberta. Das especiarias envolventes do Oriente às delicadezas lapidadas da Europa, o mundo gastronómico é vasto — e cheio de boas surpresas.
Segue um roteiro apetitoso por alguns dos pratos mais memoráveis do planeta e os lugares onde eles realmente brilham. Pelo caminho, revisitamos receitas consagradas e as cidades que as tornaram célebres.
- Tagliatelle al ragù (Itália)
- Sushi (Japão)
- Pho bo (Vietname)
- Mămăligă com brynza e natas azedas (Roménia)
- Paella de frutos do mar (Espanha)
- Tom Yam (Tailândia)
- Doner kebab (Turquia)
- Bibimbap (Coreia do Sul)
- Shepherd’s pie (Inglaterra)
- Tortellini (Itália)
- Beef Stroganoff (Rússia)
- Tártaro (França)
- Pollo en mole (México)
- Shashlik (Geórgia)
Tagliatelle al ragù (Itália)
Tagliatelle al ragù — muitas vezes chamada de tagliatelle com molho de carne — é uma das massas mais queridas da Itália. A casa é a Emília‑Romanha, e mais precisamente Bolonha, onde o célebre ragù à bolonhesa é motivo de legítimo orgulho. O nome “tagliatelle” vem do italiano tagliare (“cortar”), numa referência ao modo como a massa é fatiada.
A versão autêntica pede massa fresca de ovos e uma mistura de carnes — tradicionalmente vaca e porco — além de cenoura, aipo e cebola para o soffritto, concentrado de tomate, vinho tinto, leite ou natas, azeite, sal, pimenta e especiarias.
Bolonha é o lugar certo para pedi-la. O cuidado com o ingrediente e a técnica precisa faz deste clássico um padrão de como a simplicidade pode virar pequeno primor.
Sushi (Japão)
O sushi é o embaixador global da cozinha japonesa. As raízes mais distantes apontam para a China antiga, onde o peixe era salgado e fermentado com arroz para conservação. A forma moderna ganhou corpo no Japão durante o período Edo (1603–1868), quando peixe rapidamente marinado passou a ser servido sobre arroz temperado com vinagre.
Há muitos estilos, cada um com personalidade: nigiri — pequenos óvalos de arroz cobertos com lâminas de peixe ou marisco cru; maki — rolos envoltos em nori; sashimi — peixe cru fatiado sem arroz; tempura maki — rolos fritos em polme; uramaki — rolos com o arroz por fora; e temari — bolinhas de arroz do tamanho de uma dentada, com peixe ou legumes por cima.
No Japão, especialmente em Tóquio, vivem-se as melhores experiências. O Mercado de Tsukiji é favorito para provar peças ultrafrescas, enquanto Ginza reúne balcões de referência, como o Sukiyabashi Jiro. A precisão e a contenção falam por si.
Pho bo (Vietname)
Pho bo é a sopa de massa com carne de vaca que virou emblema do Vietname, surgida no início do século XX na região de Hanói e rapidamente abraçada pelo país. O nome provavelmente ecoa a palavra francesa feu (“fogo”), indício da influência colonial na evolução do prato.
Os ingredientes chave incluem ossos de vaca para o caldo, carne fatiada finamente (como lombo, peito ou fraldinha), massa de arroz larga e plana, especiarias aromáticas (canela, anis‑estrela, cravinho, cardamomo), cebola e gengibre, molho de peixe, açúcar, ervas frescas (coentros, cebolinho, hortelã, manjericão), rebentos de soja, lima e malaguetas.
Hanói é o berço — e um lugar recompensador para sorver pho desde cedo até tarde. Entre os nomes apontados, aparecem Pho Gia Truyen Bat Dan e Pho Thin. No sul, incluindo Cidade de Ho Chi Minh, as versões tendem a trazer um caldo mais doce e encorpado.
Mămăligă com brynza e natas azedas (Roménia)
A mămăligă é um pilar rústico romeno feito com sêmola de milho e água — simples, substancial e profundamente enraizado na vida rural da Roménia e da Moldávia. Durante muito tempo, foi celebrada pela simplicidade e pelo baixo custo, até ganhar estatuto de símbolo culinário. Uma versão querida junta brynza (queijo em salmoura) e natas azedas.
Para prepará‑la, entram sêmola de milho grossa, água, sal e temperos, brynza e natas azedas. O encanto está na honestidade dos ingredientes e na textura reconfortante.
Serve‑se por toda a Roménia e Moldávia. Regiões rurais como Transilvânia, Maramureș e Bucovina preservam tradições de perto, enquanto cidades como Bucareste e Cluj‑Napoca oferecem versões muito satisfatórias nas cartas locais.
Paella de frutos do mar (Espanha)
Nascida em Valência, a paella começou como refeição campestre feita ao lume em tachos largos e rasos — os mesmos que deram nome ao prato. Entre as muitas variações, a paella de frutos do mar (paella de marisco) é favorita nas zonas costeiras.
Os ingredientes típicos incluem arroz; um sortido de mariscos como mexilhões, camarão, lula, vieiras e peixe; azeite; cebola; alho; tomate; pimento vermelho; ervilhas; caldo de peixe; açafrão; pimentão; vinho branco; sal e pimenta; e limão.
Valência continua a ser a referência, embora cidades costeiras como Barcelona e Alicante sirvam excelentes versões. Quando o arroz atinge o ponto característico, o prato ganha vida.
Tom Yam (Tailândia)
Tom Yam é a sopa agridoce e picante que simboliza a Tailândia — o nome junta “tom” (ferver) e “yam” (misturar). Originalmente um prato do campo, baseado no que a terra dava nas redondezas — capim‑limão, folhas de lima‑kaffir, galanga —, espalhou‑se pelo país e pelo mundo graças ao sabor vibrante e em camadas.
As versões mais populares incluem Tom Yam Kung (com camarão), Tom Yam Gai (com frango), Tom Yam Pla (com peixe ou marisco) e Tom Yam Nam Khon, uma variante cremosa enriquecida com leite de coco ou leite condensado.
Os pilares são camarão ou frango, caldo (de frango ou peixe), capim‑limão, galanga, folhas de lima‑kaffir, malaguetas, lima, molho de peixe, cogumelos, tomate, coentros, e leite de coco na versão cremosa.
Bancas de rua e mercados em Banguecoque são ponto de partida natural, com muitas opções também nas grandes cidades. Em Pattaya e Phuket, as versões com marisco fresco aparecem com facilidade.
Doner kebab (Turquia)
Doner kebab — nome que deriva do verbo turco “rodar” — é carne assada num espeto vertical, técnica que ganhou forma moderna no século XIX, em Bursa, durante o período otomano. A popularidade deve muito ao método: lâminas finas, bem temperadas, regadas nos próprios sucos.
Para o clássico, entram carne de vaca, borrego ou frango; pão achatado ou pita; molho de iogurte; tomate; pepino; cebola; couve; uma marinada de iogurte, sumo de limão, alho e azeite; e especiarias como pimentão, cominhos e coentros.
A Turquia é a aposta certa — sobretudo Istambul, Ancara e Bursa —, onde tradição e bons ingredientes fazem a diferença. É também presença constante na Alemanha, com Berlim conhecida pela variedade de interpretações.
Bibimbap (Coreia do Sul)
Bibimbap — literalmente “arroz misturado” — é um dos pratos mais conhecidos da Coreia: uma tigela quente de arroz coberta com um sortido de legumes, carne, ovo e molho, tudo misturado à mesa. Nasceu do hábito de juntar sobras da refeição ao arroz — costume económico que virou preferência nacional.
Os essenciais incluem arroz cozido; carne (normalmente vaca, embora frango ou porco apareçam); legumes como espinafre, cenoura, pepino, rebentos de soja, cogumelos shiitake e curgete; kimchi; um ovo frito ou cru por cima; gochujang (pasta picante de malagueta); óleo de sésamo; e sementes de sésamo.
Encontra‑se por toda a Coreia do Sul, sobretudo em Seul e na província de Jeolla. Bairros como Insadong e Myeong‑dong reúnem muitas casas que servem versões tradicionais com toque pessoal.
Shepherd’s pie (Inglaterra)
Com raízes na cozinha irlandesa e escocesa, a shepherd’s pie é uma maneira esperta de transformar sobras de carne e legumes em algo substancioso. Tradicionalmente leva borrego ou carneiro (ao contrário da cottage pie, que usa vaca) e ganhou força na virada do século XVIII para o XIX, quando a batata se popularizou na Grã‑Bretanha e na Irlanda.
Para um resultado fiel, entram borrego ou carneiro picado; puré de batata; legumes como cenoura, ervilhas, cebola e aipo; alho; caldo de carne; concentrado de tomate; molho inglês; manteiga; queijo Cheddar; sal e pimenta; além de tomilho e alecrim.
É um clássico de pub no Reino Unido e além. Em Londres, Edimburgo e Dublin, incontáveis casas servem versões que privilegiam o conforto sem afetação — um prato que sabe a casa.
Tortellini (Itália)
Os tortellini são pequenos anéis de massa oriundos da Emília‑Romanha — especialmente Bolonha e Modena. A lenda diz que a forma se inspirou no umbigo da deusa Vénus. Servidos à mesa de família ou em festa, mostram requinte tanto na massa quanto no recheio.
Para a massa: farinha e ovos. Para o recheio: ricota, Parmesão, presunto, noz‑moscada, sal e pimenta. Para servir: caldo (de carne ou frango), um molho de natas, ou simplesmente manteiga e sálvia.
Vale procurá‑los na Emília‑Romanha — Bolonha e Modena reúnem inúmeras trattorias dedicadas às receitas de sempre. Festivais pelo país costumam exibir variações regionais que recompensam a curiosidade.
Beef Stroganoff (Rússia)
Beef Stroganoff é um clássico russo: tiras tenras de carne salteadas num molho cremoso. Diz‑se que recebeu o nome do conde Alexander Stroganov, patrono e gastrónomo do século XIX. A receita apareceu pela primeira vez em 1861, no livro de Elena Molokhovets “Um Presente às Donas de Casa Jovens”, e desde então correu o mundo em incontáveis variações.
Para prepará‑lo, entram carne de vaca (lombo ou outro corte macio), cebola, cogumelos, natas azedas ou natas, concentrado de tomate, mostarda, farinha, manteiga, sal e pimenta, além de ervas frescas como salsa ou endro.
Para um prato fiel, procure restaurantes de cozinha russa na Rússia — especialmente em Moscovo e São Petersburgo. Também aparece em muitas casas internacionais dedicadas a clássicos russos.
Tártaro (França)
O tártaro é um prato refinado de carne crua finamente picada, servida com temperos e guarnições. O nome remete aos tártaros mongóis, a quem se atribui o hábito de comer carne crua em campanha, embora a versão moderna tenha surgido em França no início do século XX e ganhado terreno como iguaria de restaurante.
O clássico pede carne de vaca, chalotas, alcaparras, pepininhos, salsa, uma gema de ovo, mostarda de Dijon, azeite, molho inglês, sal e pimenta, e sumo de limão.
Procure‑o em França, sobretudo em bistrôs e restaurantes parisienses. Grandes cidades como Nova Iorque, Londres e Tóquio também oferecem interpretações lapidadas.
Pollo en mole (México)
Pollo en mole junta frango a um molho mole espesso e aromático — uma família de molhos mexicanos feita de muitos elementos: malaguetas, especiarias, sementes, frutos secos e, por vezes, chocolate. O mole remonta à Mesoamérica pré‑hispânica; a forma moderna provavelmente ganhou contornos no período colonial, em torno de Puebla. O mole poblano é dos mais conhecidos, valorizado pelo sabor complexo e estratificado.
Os componentes típicos incluem frango; sal e pimenta; azeite; malaguetas secas (como ancho, pasilla, mulato); frutos secos e sementes (amêndoas, amendoins, sésamo); especiarias (canela, cravinho, anis, coentros, cominhos); fruta seca (uvas‑passas ou outras); chocolate; cebola; alho; concentrado de tomate; caldo de frango; tortilhas; açúcar; e sal.
O México é o lugar para prová‑lo — sobretudo Puebla e Oaxaca, onde o mole é pedra angular da cozinha local. Muitos restaurantes pelo mundo também incluem o prato nos seus menus.
Shashlik (Geórgia)
O shashlik é um clássico antigo no Cáucaso, na Ásia Central e no Médio Oriente. A palavra vem do termo túrquico “shish”, que significa “espetar”, e a técnica — carne sobre fogo aberto — tem raízes nómadas. Hoje está presente tanto nas festas quanto no quotidiano.
Para a versão tradicional, usam‑se borrego, porco, vaca ou frango; cebola; vinagre ou sumo de limão; óleo vegetal; sal; pimenta; e especiarias e ervas como cominhos, coentros, pimentão, manjericão e tomilho.
É presença fixa em restaurantes dedicados às cozinhas do Cáucaso, asiáticas e do Médio Oriente. Na Arménia, Geórgia, Azerbaijão, Turquia e nos países da Ásia Central, o shashlik é parte da cultura alimentar, e muitos lugares preservam o modo de preparo tradicional.