21:42 06-12-2025
Yonaguni submersa e as pontes de cipós do Vale de Iya: lugares enigmáticos no Japão
Descubra o monumento submerso de Yonaguni e as pontes de cipós do Vale de Iya, no Japão. Mistério, tradição e natureza em destinos fora do roteiro comum.
Sumô, sushi e flores de cerejeira há muito simbolizam o Japão. Ainda assim, o país guarda outros lugares não menos surpreendentes — mesmo que raramente virem cartão-postal. Um se esconde sob o mar; outro balança sobre um desfiladeiro nas montanhas. Cada um traz sua própria charada, levantando perguntas que ainda não têm resposta definitiva.
O que há sob as águas ao largo de Yonaguni?
Yonaguni é uma pequena ilha na extremidade oeste do Japão. Fica mais perto de Taiwan do que de Tóquio. Sua fama, porém, vem de uma formação rochosa peculiar descoberta no fundo do mar, junto à sua costa.
Em 1986, um instrutor de mergulho notou sob a água algo que parecia vastos degraus, plataformas e ângulos retos. Alguns trechos dão a impressão de terem sido talhados à mão. Desde então, cientistas, arqueólogos e curiosos discutem o que aquilo pode ser.
Uma corrente defende que seriam restos de uma estrutura antiga — talvez uma cidade inteira com milhares de anos. Se for assim, poderia ser anterior às pirâmides do Egito. Seus defensores dizem enxergar escadarias, passagens e colunas.
A maioria dos especialistas contrapõe que a formação é inteiramente natural. Na região, observam, rochas com esse aspecto costumam surgir por conta da geologia local e dos movimentos da crosta terrestre. Degraus e ângulos limpos, argumentam, podem se formar sem intervenção humana.
Não houve escavações oficiais, e o governo japonês não reconhece o sítio como monumento histórico. Ainda assim, o fascínio não arrefeceu. Mergulhadores do mundo todo seguem indo ver um enigma que resiste a explicações convenientes. Diante do cenário, não é difícil entender por que as teorias continuam florescendo.
Nas montanhas: pontes tecidas com cipós vivos
No coração de Shikoku, o Vale de Iya se esconde entre as montanhas. É um cenário isolado, de encostas íngremes, gargantas profundas e rios apressados. Para passar de uma margem à outra, moradores criaram, tempos atrás, uma solução pouco comum: pontes feitas de cipós de verdade.
A mais conhecida é a Iya Kazurabashi. Ela se estende por cerca de 45 metros e fica a 14 metros acima do rio. Construída com cipós selvagens e resistentes, pesa em torno de cinco toneladas. Antigamente, moradores erguiam pontes assim para poder recuar depressa em caso de inimigos — os cipós podiam ser cortados se fosse preciso.
Hoje, a ponte é renovada a cada três anos, como sempre foi. Ainda se cruza por ali, segurando nos cipós e tateando sobre tábuas escorregadias. O rio ruge abaixo, o vão balança de leve — é o tipo de travessia que fica gravado na lembrança.
Mesmo transformada em atração turística, ela continua sendo parte da tradição local. Outras pontes de cipó também resistem na região — menos famosas, mas igualmente marcantes.
Distintas, mas curiosamente afins
O monumento submerso de Yonaguni e as pontes de cipó de Iya parecem histórias sem qualquer ponto de encontro. No entanto, partilham algo essencial. São lugares fora do circuito óbvio. Raramente entram nos roteiros padrão — e é justamente daí que vem boa parte do encanto.
Ambos provocam perguntas sem resposta fechada. Quem, e com que propósito, teria erguido estruturas sob o mar? E por que, em pleno século XXI, alguém ainda tece à mão uma ponte de cipós vivos?
Mesmo que você nunca vá, consola saber que existem — lugares em que natureza e intenção humana se enredam de tal forma que a linha entre uma e outra quase desaparece.
O inexplicável é magnético
O monumento de Yonaguni continua sendo um enigma. Pesquisadores não chegaram a um consenso, o que mantém o debate bem vivo. As pontes de cipó, por sua vez, mostram como uma tradição antiga pode atravessar o presente sem um traço de concreto ou aço.