01:36 06-12-2025
Por que javalis estão tomando as ruas de Haifa
Entenda por que javalis circulam por Haifa, quais riscos trazem e o que pode funcionar: gestão de lixo, contêineres resistentes e orientação a visitantes.
Em Haifa, no norte de Israel, javalis circulam pelas ruas há alguns anos. Aparecem ao lado de prédios residenciais, em parquinhos e perto de contêineres de lixo. O que antes parecia um flagrante raro virou parte da rotina da cidade.
Os moradores reagem de jeitos distintos: uns sacam o celular para filmar, outros evitam sair à noite. A Prefeitura ainda busca uma solução duradoura.
De onde eles surgiram?
Haifa fica ao lado do Monte Carmelo, uma área rica em mata e vegetação onde os javalis vivem naturalmente. Quando a comida escasseia no bosque, eles procuram opções mais fáceis. E onde é mais simples encontrar uma refeição? Na cidade — especialmente perto de contêineres que não estão bem fechados.
Um estudo recente indica que os javalis escolhem esses pontos de forma deliberada. Eles memorizam onde é seguro e onde dá para achar comida com pouco esforço. Assim, se as lixeiras ficam abertas ou mal mantidas, os animais voltam repetidas vezes.
A população está apreensiva — e com razão
Relatos sobre javalis urbanos já viraram rotina: alguns moradores os veem da janela, outros topam com eles na portaria. Os animais podem se comportar com calma, mas o porte e a imprevisibilidade assustam. É especialmente desconfortável para crianças e idosos que esbarram em um javali na rua.
Em 2024, após Haifa eleger um novo prefeito, a situação pareceu melhorar. A presença diminuiu e os moradores respiraram mais aliviados. Mas, no começo de 2025, voltaram a surgir queixas — e o receio de que o problema ganhe força novamente.
A cidade tenta — por enquanto, sem grande sucesso
Em meados de 2025, um relatório de um auditor estatal apontou que as autoridades de Haifa ainda não haviam definido um plano claro para lidar com o tema. Medidas são tomadas, mas parecem ocorrer sem coordenação real.
Falta uma estratégia unificada — um procedimento claro sobre o que fazer, quem responde por cada etapa e em quanto tempo atender as reclamações. Sem isso, fica difícil convencer a população de que o problema está sendo enfrentado de fato; quando as ações soam improvisadas, a confiança não se recompõe.
O que pode funcionar?
Pesquisadores que acompanharam a situação afirmam que apenas capturar os animais — ou esperar que se retirem por conta própria — não resolve. O quadro é mais complexo. É preciso mudar a abordagem: controlar melhor o lixo, instalar contêineres resistentes que os bichos não consigam abrir e orientar os moradores sobre como agir ao encontrar um animal silvestre.
Também pesa entender como os javalis circulam pela cidade, quais áreas escolhem e por quê. Só assim decisões sensatas têm chance de funcionar.
E agora?
Haifa é um retrato vívido do encontro entre natureza e vida urbana. Por ora, os javalis continuam vindo porque lhes oferecemos conveniência. Se nada mudar, a frequência tende a aumentar.
A fauna urbana não é uma exclusividade de Haifa. Casos semelhantes aparecem em vários países. A experiência da cidade israelense pode servir de referência — desde que as lições sejam realmente colocadas em prática.