17:26 04-12-2025
Macau espremida: população, moradia e o futuro da cidade
Macau, na China, enfrenta densidade populacional recorde: crescimento recente, moradia vertical, turismo dominante e o peso dos trabalhadores temporários.
Quando se fala de cidades espremidas de gente, Tóquio ou Nova York costumam vir à cabeça. Ainda assim, há um cantinho no sul da China que supera quase todas em moradores por quilômetro quadrado: Macau. No mapa, parece diminuta; no dia a dia, a vida pulsa em cada metro.
Uma cidade pequena com números gigantes
Macau é uma região administrativa especial da China, à beira-mar. Ocupa cerca de 30 quilômetros quadrados e abriga quase 688 mil habitantes. Isso se traduz em mais de 20 mil pessoas por quilômetro quadrado — há estimativas que aproximam o número de 24 mil. Para comparar, Moscou tem, em média, algo perto de 5 mil, quatro a cinco vezes menos.
A população continua a crescer
A população de Macau vem subindo, passo a passo. No fim de 2024, chegou a 688.300 pessoas — cerca de 4.600 a mais do que um ano antes. No início de 2025, recuou levemente para 687.900. A queda não foi fuga de moradores, e sim um pequeno arrefecimento na chegada de trabalhadores temporários e estudantes de fora.
Esses residentes temporários pesam no ritmo da cidade. Eles ocupam postos em hotéis, restaurantes e cassinos — esperado num lugar onde turismo e entretenimento ditam o compasso.
Como cabe tanta gente?
Numa área tão densa, sobra pouco espaço para casas amplas. A família média reúne cerca de 2,85 pessoas, e quase três quartos vivem em imóveis próprios. Por volta de 20% opta pelo aluguel.
O padrão são apartamentos compactos empilhados em prédios altos. Quintal particular é luxo. Macau foi desenhada para cima: torres, vias e shoppings comprimidos em camadas. A impressão é que cada metro quadrado tem uma função.
Quem vive em Macau?
As mulheres são maioria, com cerca de 54% da população. Crianças de até 14 anos respondem por aproximadamente 12,5%, enquanto os maiores de 65 anos beiram 15%.
A cidade envelhece aos poucos. Nesse cenário, trabalhadores temporários contam ainda mais — em geral mais jovens e móveis, ajudam a manter a economia em marcha e ocupam funções que pedem mais gente. No começo de 2025, havia mais de 183 mil trabalhadores desse tipo em Macau.
Como isso funciona na prática?
Quando tanta gente vive tão perto, organização é essencial. Macau aposta em transporte público consistente e ruas caminháveis. A moradia cresce na vertical, e o terreno para novos projetos é literalmente ganho ao mar. Ao longo do tempo, a cidade foi criando área para acompanhar a demanda.
Vida no limite
Densidade não é só contagem de cabeças. É barulho, ar rarefeito de espaço, filas e moradia cara. Falta verde, a privacidade é menor, e estacionamento, vias e comércio operam no limite.
Por ora, a cidade segura as pontas, mas a pergunta se impõe: e depois? A população envelhece, os preços sobem e a economia depende muito do turismo. Se o fluxo de trabalhadores temporários perder fôlego, Macau pode enfrentar ventos contrários.
O que espera Macau?
O horizonte é incerto. A cidade pode continuar a se expandir criando novos terrenos. Ou talvez precise repensar como constrói, habita e trabalha. Uma coisa parece clara: Macau testa os limites do possível, um raro estudo de caso sobre quantas pessoas conseguem partilhar um pedaço minúsculo de terra.
Macau não é só cassinos e turismo. É uma cidade em ajuste permanente — e as soluções que brotam dali podem inspirar outras metrópoles espremidas do futuro.