09:39 03-12-2025

Dhivehi e a escrita Thaana: a língua viva das Maldivas

Descubra como o Dhivehi e a escrita Thaana moldam a identidade das Maldivas: origens, dialetos, adoção digital pela ICANN e curiosidades que inspiram viajantes.

By The President's Office of the Republic of Maldives, CC BY 4.0, Link

Quando alguém menciona “Maldivas”, a mente logo desenha cenas de cartão-postal: areia branca, água turquesa, bangalôs sobre o mar, pores do sol que parecem editados. Por trás desse deslumbramento, porém, há algo mais raro e pouco lembrado: a língua diveí (Dhivehi) e a escrita Thaana. Dois tesouros discretos, quase sempre fora do foco, mas centrais para o que torna o arquipélago verdadeiramente singular.

Uma língua que só existe aqui

O Dhivehi é falado apenas nas Maldivas e na pequena ilha indiana de Minicoy. Não aparece em outros países, não circula em superproduções e não é matéria de aulas mundo afora. É o idioma da casa, transmitido de geração em geração.

Por origem, pertence à mesma família do sânscrito e do cingalês (falado no Sri Lanka). Com o tempo, no entanto, tomou um caminho próprio. O som varia de ilha para ilha; quem vive na capital, Malé, pode ter dificuldade para entender a fala dos atóis do sul — as diferenças chegam a esse ponto.

E apesar do uso amplo do inglês, sobretudo no turismo, o Dhivehi segue como a língua do cotidiano: está nas conversas domésticas, nas escolas, nos documentos e também nas notícias. Um fio condutor que se mantém, mesmo com a pressão do mundo globalizado.

Thaana: um sistema de escrita que não existe em nenhum outro lugar

O modo de escrever merece destaque próprio. Thaana é a escrita moderna do Dhivehi. Corre da direita para a esquerda, assim como o árabe. Suas letras têm traços inusitados e, num olhar atento, chegam a lembrar dígitos; alguns caracteres de fato derivam suas formas de algarismos árabes e outros sinais.

As Maldivas já usaram um alfabeto diferente, o Dhives Akuru, escrito da esquerda para a direita. Com a chegada do Islã, o país migrou gradualmente para a escrita Thaana, que desde então se tornou parte da cultura nacional.

Thaana prospera no mundo moderno?

Sim — e isso chama a atenção de forma especial. Na primavera de 2025, a organização internacional ICANN, responsável por domínios e endereços da internet, adicionou oficialmente suporte à escrita Thaana no ambiente online. Na prática, significa que o sistema pode ser usado em endereços de e-mail, sites e outros serviços digitais. Um avanço que aproxima tradição e tecnologia.

Em julho do mesmo ano, uma companhia aérea maldiva decorou suas aeronaves com inscrições em Thaana. Não foi apenas um enfeite: o gesto soou como um aceno de respeito à cultura e às tradições do país — uma escolha que fala alto sem precisar de explicações.

Por que isso importa — mesmo para quem não vai às Maldivas

Muitas línguas desaparecem hoje, enquanto cresce a troca para o inglês, sobretudo no ambiente digital. A trajetória do Dhivehi sugere que mesmo um idioma pequeno consegue se manter quando tem apoio, uso diário e é levado adiante sem constrangimento.

E a existência de uma escrita tão incomum desperta interesse não só em linguistas, mas também em designers, artistas e tipógrafos. Thaana pode acender ideias até em quem nunca tinha ouvido falar das Maldivas.