01:28 02-12-2025

Sulawesi revela a cena de arte rupestre mais antiga, com 51 mil anos

Em Leang Karampuang, Sulawesi (Indonésia), cientistas dataram uma cena de arte rupestre com mais de 51 mil anos — a narrativa mais antiga conhecida até hoje.

By Aalmarusy - Own work, CC BY-SA 4.0, Link

Na ilha de Sulawesi, na Indonésia, cientistas identificaram uma imagem com mais de 51 mil anos. Não é apenas um desenho isolado: trata-se de uma cena completa com várias figuras, motivo pelo qual a descoberta causou tanta comoção. Até agora, nada tão antigo que contasse uma narrativa—não um único animal ou sinal, mas uma história inteira—tinha sido documentado em qualquer lugar do mundo.

O que exatamente foi descoberto?

Em uma caverna chamada Leang Karampuang, encaixada em paredões calcários, arqueólogos observaram um painel incomum na rocha. Ele mostra um animal selvagem parecido com um porco e três figuras de aparência humana. As formas parecem interagir—talvez em um contexto de caça, talvez em uma prática ritual.

Essas pinturas ficaram seladas sob uma fina película de calcário, camada que a equipe analisou. Ela começou a se formar, no máximo, há 51.200 anos, o que significa que a arte é ainda mais antiga. O método de datação é considerado preciso e amplamente utilizado na arqueologia.

Por que isso importa?

Até aqui, o registro mais antigo de arte costumava ser composto por figuras simples de animais ou estênceis de mãos. Uma cena composta—uma narrativa visual—não havia aparecido com idade tão recuada.

A Indonésia desponta agora como um lugar que pode guardar o desenho narrativo mais antigo conhecido na história humana. Isso indica que aquelas pessoas já pensavam por imagens: não só registravam formas, mas buscavam transmitir sentido. É difícil não perceber ali um impulso claro de comunicação.

Indonésia, um berço da arte pré-histórica

Antes disso, outras imagens muito antigas também foram encontradas em Sulawesi—por exemplo, uma cena de caça em outra caverna. A nova descoberta é ainda mais antiga.

A Indonésia é um arquipélago vasto, com mais de 17 mil ilhas. Tudo indica que, há muito tempo, já havia gente vivendo ali e iniciando o desenvolvimento de arte, símbolos e possivelmente as primeiras formas de cultura.

Quem fez isso?

Os pesquisadores ainda não sabem ao certo quem criou essas imagens. Podem ter sido humanos modernos ou outras espécies antigas. O que fica evidente é que, além de desenhar, seus autores conseguiam contar uma história por meio de figuras.

O significado da cena permanece em aberto. Pode retratar uma caçada, uma lenda, um rito ou uma observação atenta do comportamento dos animais. Os cientistas evitam conclusões definitivas e ressaltam que se trata da primeira evidência conhecida de que pessoas conseguiam comunicar sentido por imagens. A prudência é compreensível: esse tipo de leitura pede tempo e comparação com outros achados.

Preservar enquanto é tempo

Infelizmente, as pinturas estão ameaçadas. As cavernas sofrem com umidade, sal e o desgaste da rocha. Para proteger essas obras raras, pesquisadores trabalham junto a iniciativas que digitalizam e preservam as imagens em formato virtual.

O que isso nos diz?

A descoberta sugere que, dezenas de milhares de anos atrás, as pessoas não estavam apenas sobrevivendo—elas pensavam, sentiam e compartilhavam histórias. A cena na parede não é só um registro antigo; é uma tentativa de falar sobre a vida, as emoções, aquilo que importava.

A caverna indonésia permanece como testemunha discreta do surgimento da arte—não em museus ou sobre tela, mas na rocha, no subterrâneo, onde alguém desenhou o que via e sentia. E, cerca de 50 milênios depois, conseguimos enfim reencontrar essa história.